Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
O público que acompanhará a apresentação Clássicos do Rock, da Orquestra Cordas do Iguaçu, nesta sexta-feira (15/5), às 19h, no Teatro Guaíra, terá a oportunidade de conhecer também uma exposição de obras produzidas por artistas com trajetória de rua e por pessoas que atualmente estão acolhidas pela Fundação de Ação Social (FAS). A mostra será realizada nos espaços de convivência e de circulação do teatro.
A exposição reúne 40 telas e integra a programação cultural do evento a convite do maestro José Maria Magalhães, regente da orquestra. Por meio da arte, quatro artistas apresentam memórias, sentimentos, paisagens e perspectivas sobre a cidade. Eles estarão na exposição para conversar com o público.
Os quadros – que trazem diferentes técnicas de criação - retratam pontos turísticos, cenas urbanas, fauna, flora e personagens da cidade. “Mais do que apresentar paisagens, a exposição revela talentos, vivências e diferentes formas de enxergar Curitiba”, diz a coordenadora intersetorial da FAS, Grace Puchetti, que organiza a exposição, com o apoio das equipes das unidades de acolhimento.
Talentos
Entre os artistas participantes está Gessér Rodrigues, de 33 anos, que desenvolveu sua relação com a arte ainda na infância, durante passagens por instituições de acolhimento e convivência. Seu trabalho carrega referências das ruas, dos trajetos percorridos e das experiências acumuladas ao longo da vida. “O desenho surgiu na minha vida como forma de expressão e também de construção de pertencimento”, explica.
Outro expositor é Altair Gonçalves, de 72 anos, artista que frequentou a Escola de Belas Artes para aprimorar um talento que surgiu ainda cedo. Suas pinturas mostram paisagens e pontos conhecidos de Curitiba, em obras que transitam entre o clássico e o contemporâneo. Atualmente ele está em tratamento oncológico e encontra na arte uma forma de fortalecimento e expressão.
A mostra também reúne trabalhos do artista plástico autodidata Pedro Henrique Siqueira, de 42 anos, natural do Rio de Janeiro, que começou a produção enquanto vivia nas ruas. Com forte identidade autoral, ele usa a arte como instrumento de ressignificação da própria trajetória.
Já Dionísio José Shalski, artista autodidata curitibano, de 65 anos, apresenta desenhos de animais marcados pela sensibilidade. Em seus traços, transforma experiências do cotidiano em expressão artística e afetiva.
Sensibilização
Grace explica que a exposição busca valorizar a produção artística de pessoas em situação de rua e de quem já superou essa condição, além de sensibilizar a sociedade para a importância das políticas públicas de inclusão social e acesso à cultura. “Essa iniciativa também reforça o papel da arte como instrumento de pertencimento, fortalecimento da autoestima e reconstrução de trajetórias”, diz.
A curadoria é assinada por Lucas Velloso, a partir de trabalhos desenvolvidos com a Rede BASA, Galeria Geral e Sala de Arte do Canto.
Fundada há 15 anos, a Orquestra Cordas do Iguaçu se consolidou como um dos importantes projetos culturais da cidade ao promover apresentações que unem música, cultura e experiências sensoriais.