Texto: Roberto Couto
| Edição: Viviane Favretto
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Texto: Roberto Couto
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Enquanto o mundo literalmente “desabava” com a quebra da bolsa de Nova Iorque, um imponente edifício era inaugurado em 1929, em uma das esquinas mais efervescentes do comércio do Centro de Curitiba naquela época. Sede de estabelecimentos referências de gerações como Casa Hilu, Salão Recife e Hotel Castelo, o Palácio Riachuelo continua a impressionar por sua arquitetura eclética no encontro das ruas Riachuelo e São Francisco. A partir de 2027, o edifício de quase 100 anos voltará a “reinar” após as obras de reforma e restauro iniciadas em dezembro.
Fechado desde 2018, o Palácio Riachuelo passa por obras em seus três pavimentos e terraço. Na semana passada, chamava a atenção uma máquina retroescavadeira que retirava as últimas paredes internas, no piso térreo, tornando ainda mais ampla a entrada da Unidade de Interesse de Preservação (UIP), que também já foi pensionato e loja de departamentos. Em 1995, o imóvel foi adquirido pelo imigrante sírio Issa Medhat Abdullah (1944-2019) e seu filho, Michel Issa Abdullah, atual proprietário, que mantém o sonho do pai de tornar a construção histórica um legado para a cidade.
“Somos uma família do Centro de Curitiba. Além do Palácio Riachuelo, temos outros imóveis históricos restaurados no bairro, como um na Rua Barão do Rio Branco e dois Rua XV de Novembro, além de nosso primeiro estabelecimento comercial na esquina das ruas Pedro Ivo com Desembargador Westphalen”, conta Michel.
A visão da família Abdullah sobre o bairro da capital está alinhada ao programa Curitiba de Volta ao Centro, lançado pelo prefeito Eduardo Pimentel em 2025 e que busca redesenvolver a região.
Reforma e restauro
O arquiteto Federico Pipa, responsável pelo processo de revitalização do Palácio Riachuelo, conta que, inicialmente, foi preciso resgatar a história da construção que, em 96 anos, sofreu diversas transformações que alteraram suas características iniciais. “Encontramos revestimentos cerâmicos sobre piso de madeira, portas originais escondidas em paredes e até um telhado de fibrocimento cobrindo um pátio provavelmente antes ensolarado. Além disso, estudamos os materiais, os revestimentos e as qualidades espaciais que podemos reutilizar e destacar, tais como pé-direito alto, vitrais, ambientes amplos, paredes com função estrutural com 40 cm de largura e janelões, pisos e esquadrias em madeira natural”, salienta ele.
No entanto, mudanças estruturais deverão ser realizadas devido a desgastes internos, como em vigas e pisos, por conta da ação do tempo, cupins e infiltrações. Além disso, o prédio ganhará um moderno elevador e, mesmo mantendo a original (que ficará para exposição), uma segunda escada iluminada naturalmente por uma claraboia.
Uma vez listados os elementos que serão preservados e atualizados, a designer de interiores Renata Lara já começou a trabalhar com inspirações estéticas em conexão direta com a época da construção do edifício, tanto no trabalho dos espaços, quanto na pesquisa de materiais. “Preparamos várias propostas para o proprietário, com inspirações mais nostálgica, contemporânea e até industrial”, revela ela.
Federico e Renata lideram o escritório Unique Administração e Construção, que faz a gestão e execução de toda a obra de reforma e restauro do Palácio Riachuelo.
A estimativa é que os trabalhos de revitalização do edifício durem um ano, para que, em seguida, seja executado o restauro da fachada.
Pertencimento
Sobre o futuro do Palácio Riachuelo, Michel Abdullah revela que gostaria de ter empresas de alcance nacional ocupando o número 197 da Rua Riachuelo. “Para que a revitalização deste prédio seja sustentável economicamente, devido aos altos custos envolvidos, é preciso termos um locatário que como nós entenda o valor histórico deste imóvel, valorize o vínculo de pertencimento com a cidade e que também queira participar do processo de revitalização do Centro”, justifica ele.
Linha do tempo
- Em 1926, o imigrante sírio Jorge Pacífico Fatuch, que possuía outros imóveis nas imediações, como o prédio Tigre Royal, na Praça Generoso Marques, adquiriu um edifício em ruínas na esquina das ruas Riachuelo e São Francisco.
- Em 1929, era inaugurado o imponente Palácio Riachuelo.
- Em 1949, a família Fatuch vendeu o edifício a Ernesto Alves Padilha, proprietário da Feira de Tecidos.
- Em 1995, o imóvel passou a pertencer à família de Issa Medhat Abdullah.
- Em dezembro de 2025, começa a reforma e restauração do Palácio Riachuelo.