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Macrodrenagem

Obra de controle de cheias do Rio Pinheirinho segue em andamento, apesar de vandalismo

Obras de macrodrenagem e limpeza para contenção das cheias no Rio Pinheirinho, no no Parolin/Guaíra/Lindóia/Hauer e Fanny. Curitiba, 16/01/2026. Foto: Divulgação/SMOP

A obra de controle de cheias do Rio Pinheirinho é uma das maiores intervenções de macrodrenagem em execução em Curitiba. Coordenada pela Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop), a intervenção é aguardada há décadas pela população e tem como objetivo reduzir os alagamentos recorrentes nos bairros Lindóia, Parolin, Fanny, Guaíra e Hauer.

O projeto abrange cerca de 8 quilômetros de intervenções nos rios Curtume, Vila Guaíra, Henry Ford, Santa Bernadete e Pinheirinho, em uma bacia totalmente urbanizada e sem obras estruturais de macrodrenagem desde a década de 1950.

A obra de macrodrenagem integra o Programa de Revitalização e Obras de Curitiba (PRO Curitiba), o maior da história da cidade, que engloba mais de R$ 6 bilhões em investimentos da gestão Eduardo Pimentel entre 2025 e 2028.

A obra é composta por quatro elementos principais:

  • Contenção das margens, com 16 km de estacas barrete, praticamente concluídas, finalizando o fechamento das áreas que serviam como acesso às máquinas;
  • Estruturas de controle, responsáveis por regular o fluxo da água ao longo do rio, também finalizadas. São cerca de 40 comportas e 150 válvulas flap;
  • Condutos forçados, grandes tubos instalados dentro do canal para conduzir grandes volumes de água da chuva de forma controlada;
  • Estação de bombeamento, localizada na confluência do Rio Pinheirinho com o Rio Belém, que auxilia no escoamento da água coletada na bacia.

Atualmente, os trabalhos estão concentrados na finalização dos condutos forçados e da estação de bombeamento, que são fundamentais para o pleno funcionamento do sistema.

Por que a obra ainda não foi concluída?

A obra já deveria estar concluída, mas passou por alterações no cronograma em razão de diferentes fatores, como dificuldades no repasse de recursos federais, ajustes nos projetos executivos, paralisações durante a pandemia de covid-19, rescisão de contrato com a empresa executora, necessidade de nova licitação e, de forma recorrente, os atos de vandalismo.

Esses danos têm provocado atrasos técnicos e financeiros, exigindo a recomposição de estruturas já implantadas e a reprogramação das etapas da obra.

O impacto do vandalismo no cronograma

Os condutos forçados têm sido o principal alvo de vandalismo. Incêndios criminosos e furtos das cintas metálicas de fixação comprometem a estabilidade e a segurança do sistema.

Um dos episódios mais recentes foi registrado em 8 de dezembro, quando um incêndio destruiu cerca de 50 metros da estrutura. Cada ocorrência exige a substituição de materiais fabricados sob medida, nova mobilização de equipes e ajustes no cronograma.


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“Os condutos utilizados são fabricados sob medida, em Polietileno de Alta Densidade reforçado com fibra de vidro, projetados para suportar altas pressões. Quando ocorrem incêndios ou furtos de peças como braçadeiras metálicas, a integridade do sistema é comprometida, pois o sistema deixa de funcionar conforme o projeto original”, explica o diretor do Departamento de Pontes e Drenagem da Smop, Paulo Vitor Lucca.

Sem esses episódios, a obra poderia ter sido concluída em 2024. A nova previsão é de conclusão no segundo semestre deste ano, condicionada à preservação das estruturas.


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O que a Prefeitura está fazendo para proteger a obra

Para reduzir os prejuízos e evitar novos danos, a Prefeitura adotou uma solução técnica de reforço: o envelopamento dos condutos forçados com uma camada de concreto, criando uma proteção mecânica adicional.

Atualmente, as equipes trabalham nessa etapa ao longo de cerca de 4 quilômetros dos condutos, em uma adaptação do projeto que busca aumentar a durabilidade, a segurança e a confiabilidade do sistema.

Para coibir atos de vandalismo, a Prefeitura de Curitiba mantém monitoramento permanente da obra, que se estende por cerca de 8 quilômetros e atravessa cinco bairros, além de contar com rondas constantes da Guarda Municipal na região, mesmo diante do desafio que a grande extensão do canteiro impõe à fiscalização.

Mesmo com os entraves, as equipes da Smop permanecem atuando de forma contínua na obra, com frentes simultâneas de proteção das estruturas, manutenção dos trechos já executados e limpeza dos canais.

Por que os alagamentos ainda ocorrem?

Em episódios de chuva intensa, como o registrado na quarta-feira da sema passada (14/1), quando choveu 48 milímetros em menos de meia hora, é comum que moradores associem os alagamentos à obra. No entanto, sistemas de drenagem são projetados para determinados volumes de chuva e não eliminam totalmente o risco de alagamentos, especialmente diante de eventos extremos.

“As obras de macrodrenagem buscam reduzir a frequência e a intensidade desses episódios, preparando a cidade para lidar melhor com as chuvas. É comum a percepção de que os alagamentos ocorrem com mais frequência após as obras, mas é fundamental contextualizar essa situação”, explica Paulo Vitor Lucca.

O projeto foi elaborado em 2010, em um cenário de ocupação da bacia e padrões de chuva diferentes dos atuais. Hoje, as chuvas são mais intensas e concentradas. “Portanto, é tecnicamente impreciso afirmar que a obra piorou as condições de escoamento. Pelo contrário, ela desempenha um papel fundamental na drenagem, justificando o investimento realizado nessa bacia prioritária”, afirma Lucca. Sem essas intervenções, a situação seria ainda mais crítica.

Compromisso da gestão e pedido de colaboração

“É uma determinação do prefeito Eduardo Pimentel que todas as medidas necessárias sejam adotadas para que essa obra seja concluída o mais rápido possível, com qualidade e segurança, garantindo mais tranquilidade e qualidade de vida à população. Sabemos que os moradores sofrem há muito tempo com os alagamentos e com a demora na conclusão do sistema, e por isso o município não tem medido esforços para superar os desafios e finalizar essa intervenção tão importante”, afirma o secretário municipal de Obras Públicas, Luiz Fernando Jamur.

Jamur também reforça a importância da participação da comunidade. “Além do trabalho técnico e dos investimentos feitos pela Prefeitura, é fundamental que a população ajude a proteger essa obra. Pedimos que casos de vandalismo sejam denunciados imediatamente pelo telefone 153 (Guarda Municipal) e que os locais de obra sejam mantidos livres de lixo e materiais descartados de forma irregular. Essa parceria é essencial para que o sistema possa ser concluído e funcione plenamente”, completa.

Outras ações em andamento e próximos passos

Paralelamente às obras estruturais, a Prefeitura mantém ações contínuas de limpeza e desassoreamento dos rios e córregos da região, com uso de escavadeiras hidráulicas e equipes especializadas para retirada de sedimentos e lixo descartado irregularmente.

Após a conclusão das intervenções nos cinco canais da Bacia do Rio Pinheirinho, estão previstas novas ações estruturantes, como a implantação de reservatórios de detenção de águas pluviais, com o objetivo de retardar o escoamento e ampliar a capacidade de resposta da região aos eventos de chuva.