A Fundação de Ação Social (FAS) vai intensificar as ações de prevenção ao trabalho infantil e a outras violações de direitos de crianças e adolescentes durante o Carnaval 2026. Neste fim de semana, sábado (14/2) e domingo (15/2), mais equipes estarão nos desfiles dos blocos e escolas de samba e no baile infantil, na região central da cidade.
O trabalho será realizado pelo Programa Anjos da Guarda, que contará com dez servidores por noite, que irão se somar a outras seis equipes de abordagem social que já atuam na região central. O reforço será das 9h às 21h. Após esse horário, o atendimento ficará sob responsabilidade das equipes da Central de Encaminhamento Social 24 horas.
Durante as ações educativas, as equipes distribuirão material gráfico da campanha Vamos Dizer NÃO ao Trabalho Infantil, que tem como símbolo o catavento de cinco pontas, ícone internacional da luta contra o trabalho infantil. Além da orientação à população, os profissionais farão busca ativa para identificar situações de trabalho infantil, abuso ou exploração sexual e outras violações de direitos.
O presidente da FAS, Renan de Oliveira Rodrigues, explica que a presença das equipes nas ruas é estratégica em eventos de grande porte. “O carnaval reúne um grande número de pessoas e, por isso, exige atenção redobrada do poder público. Nosso objetivo é prevenir situações de risco e garantir que crianças e adolescentes estejam protegidos e com seus direitos assegurados”, diz.
Renan ressalta que trabalho infantil e exploração sexual são crimes e precisam ser combatidos. “Estaremos nas ruas para orientar, acolher e agir sempre que necessário. Proteger nossas crianças e adolescentes é prioridade, para que o Carnaval de Curitiba seja marcado pela alegria e pelo respeito.”
Busca ativa
Nos dois dias, as equipes farão busca ativa na Rua Marechal Deodoro, onde acontecem os desfiles de carnaval, e no entorno. Caso alguma situação seja constatada, as equipes irão orientar as crianças, adolescentes e responsáveis e, dependendo da gravidade, acionar o Conselho Tutelar, ligado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH), para os encaminhamentos.
As equipes também atenderão às solicitações registradas pela Central 156, que podem ser feitas por telefone, site ou app Curitiba 156. Durante as abordagens, os servidores deverão procurar identificar a criança ou adolescente e seus responsáveis e coletar informações como nome completo, data de nascimento, filiação e endereço.
“Esses dados são fundamentais para registro, notificação obrigatória e encaminhamentos na rede de proteção”, explica o diretor de Proteção Social Especial da FAS, Jefferson Portugal Marchiorato.
O que é trabalho infantil
O trabalho infantil é caracterizado por atividades econômicas ou de sobrevivência, com ou sem finalidade de lucro, remuneradas ou não, realizadas por crianças e adolescentes com menos de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, permitida a partir dos 14 anos.
O abuso sexual ocorre quando uma criança ou adolescente é usada para satisfação sexual de um adulto ou de outro adolescente em condição de poder ou autoridade, sem finalidade comercial, podendo ou não envolver contato físico.
Já a exploração sexual é uma forma de violência com caráter comercial, na qual a criança ou adolescente é submetido a práticas sexuais mediante pagamento, troca de favores, bens ou vantagens, beneficiando terceiros.
Anjos da Guarda
Implantado em 2021, inicialmente na Regional Matriz, o programa Anjos da Guarda tem como objetivo oferecer atendimento intensivo e qualificado a crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil e outras violações de direitos. Desde 2025, o programa foi ampliado para toda a cidade e passou a ser a referência única para a abordagem social voltada a esse público.
A iniciativa é executada nos dez Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), das 8h às 17h. Após esse horário, a atuação é feita pelo serviço de abordagem social.
Em Curitiba, o enfrentamento ao trabalho infantil também é articulado pela Comissão Municipal de Erradicação do Trabalho Infantil (Cmeti), composta por representantes do poder público, conselhos de direitos, conselhos tutelares e sociedade civil. O Plano Municipal das Ações Estratégicas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Aepeti) orienta as ações intersetoriais desenvolvidas no município.