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Poesia em estado sólido

Bronze derretido no Memorial Paranista dá forma à escultura de Paulo Leminski

Nesta sexta-feira (25/7), os 300 quilos de bronze que irão formar a imagem do poeta curitibano foram derretidos no Ateliê de Escultura do Memorial Paranista. Escultura será inaugurada em 24 de agosto, dia em que ele completaria 81 anos

Início da fundição da escultura de Paulo Leminski, no Ateliê de Esculturas do Memorial Paranista. Curitiba, 25/07/2025. Foto: José Fernando Ogura/SECOM


O escritor, músico e poeta Paulo Leminski (1944–1989) virou metal. Nesta sexta-feira (25/7), os 300 quilos de bronze que irão formar a imagem do autor de Catatau, Toda Poesia, entre outras obras marcantes da literatura brasileira, foram derretidos nos fornos do Ateliê de Escultura do Memorial de Curitiba e colocados em moldes refratários para dar a forma final da peça que será instalada no Memorial Paulo Leminski, dentro da Pedreira, espaço de grandes shows e eventos da capital paranaense que leva o nome do escritor.

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Na presença das filhas Áurea e Estrela Leminski, o metal, transformado em líquido a uma temperatura precisa de 1.180°C, foi vertido em 10 formas refratárias que moldam a escultura em tamanho natural do autor curitibano.

"Essa iniciativa da Fundação Cultural é fruto de uma conversa de longa data e ver isso acontecer, depois de tanto tempo sendo sonhado no papel, agora transformado em bronze, é uma coisa linda”, disse Áurea.

O processo totalmente artesanal, comandado pelos escultores Rafael Sartori e Edson Lima com apoio de toda a equipe de artistas residentes do Memorial Paranista, exigiu precisão e preparo. Os fornos do Ateliê foram ligados às 6h, e às 14h15 atingiram a temperatura ideal (1.180°). O metal precisa ser vertido no tempo exato nos moldes em cera, revestidos por material refratário. Caso contrário, a peça é perdida. 

O Ateliê de Esculturas e Fundição do Memorial Paranista é o único do gênero que é público no país. 

A próxima etapa será a montagem das peças e o acabamento da estátua.

Após finalizada, a escultura será instalada na Pedreira Paulo Leminski, ao lado do Memorial que leva seu nome. A inauguração está prevista para o dia 24 de agosto, data em que ele completaria 81 anos, e antecederá o Festival Paulo Leminski, programado para o dia 30 do mesmo mês.

“A obra é um presente da Prefeitura de Curitiba para homenagear o artista, que também teve uma trajetória fortemente ligada à cena musical brasileira”, afirmou o presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marino Galvão Júnior.

A escultura é assinada pelo artista Rafael Sartori e retrata Paulo Leminski sentado em um banco de bar, com um violão ao lado, elemento que simboliza a profunda ligação do escritor com a música.

“Parece que ele ganha vida de novo. O trabalho ficou incrível, captou os pequenos detalhes. Tenho certeza de que as pessoas vão querer conhecer, tirar fotos e até sentir aquela vontade de dar um abraço nele”, disse Áurea.

Do lado de fora do Ateliê, através da parede de vidro, alguns visitantes do Memorial Paranista acompanharam o processo. Ana Cláudia Santos estava com o filho Pedro. “Estava passeando aqui com meu filho e tivemos sorte de assistir a esse processo tão bacana. O Pedro já perguntando quando fica pronto para voltarmos pra ver a obra pronta”, disse Ana Cláudia.

A escultura foi construída a partir de uma fusão de diversas imagens do poeta, enviadas pela família, para transmitir sua presença de forma autêntica. As próximas etapas são o molde em cera, queima, fundição em bronze e polimento.

A presidente do Instituto Curitiba de Arte e Cultura, Juliana Midori, também acompanhou o trabalho de fundição da escultura.

Paulo Leminski

Nascido em Curitiba, Paulo Leminski é autor de obras marcantes como Catatau, uma prosa experimental, e a coletânea de poemas Distraídos venceremos. Sua poesia se caracteriza pela síntese, pela reflexão sobre o tempo e pela fusão de referências eruditas e populares — do haicai japonês à MPB, passando pelo jargão publicitário —, o que mantém sua obra viva e popular até hoje.

Leminski também deixou um legado na música, com composições gravadas por nomes como Caetano Veloso, Itamar Assumpção, Ney Matogrosso, Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira e Gilberto Gil. Em 1984, colaborou com Guilherme Arantes na trilha sonora do especial infantil Pirlimpimpim 2, exibido pela Rede Globo.