Texto: Cristiane Guancino Pereira
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Texto: Cris Guancino
Prefeitura de Curitiba
A Prefeitura de Curitiba faz um alerta à população sobre os prejuízos causados pelo vandalismo em obras de mobilidade urbana que estão em andamento na cidade. Em diferentes regiões, intervenções do Novo Inter 2 e do BRT Leste/Oeste, que acontecem para melhorar o transporte público e a infraestrutura dos bairros, têm registrado invasões e danos em calçadas e pavimentos recém-implantados, comprometendo o cronograma dos serviços por exigir reconstrução.
Os casos mais frequentes envolvem pedestres, cachorros guiados pelos tutores, ciclistas e até motoristas que ignoram bloqueios e cercas para atravessar áreas em obras. Também ocorrem atos de vandalismo que danificam cones, barreiras e a sinalização implantada para garantir a segurança da população.
Marcas de pegadas
São vários os casos onde o concreto ainda fresco recebe marcas de pegadas, pneus e outros danos antes de atingir a resistência necessária. Isso torna indispensável a demolição e a reconstrução dos trechos danificados.
As obras do Novo Inter 2 e do BRT Leste/Oeste utilizam, quase que na maioria, pavimentação em concreto nas ruas e calçadas. O método foi escolhido por oferecer maior durabilidade, menor necessidade de manutenção e benefícios ambientais ao longo de sua vida útil. No entanto, diferentemente do asfalto, o concreto exige um período de cura para alcançar a resistência prevista em projeto, etapa fundamental para garantir a qualidade e a longevidade da estrutura.
Retrabalho prolonga bloqueios
Quando áreas recém-concretadas são invadidas antes da liberação pelas equipes técnicas, os prejuízos vão além da necessidade de refazer o serviço. O retrabalho prolonga bloqueios e desvios, atrasa a entrega das melhorias para a população e aumenta o consumo de materiais e insumos, gerando impactos ambientais que poderiam ser evitados.
“Se uma calçada ou pista de concreto é danificada enquanto o concreto está fresco, mesmo que o problema esteja concentrado em uma pequena área, as vezes é necessário reconstruir uma grande extensão da superfície. Para evitar remendos e não comprometer a eficiência, a placa toda de concreto precisa ser reconstruída”, explica a engenheira da Secretaria Municipal de Obras Públicas, Natália Longen, fiscal da obra do Lote 2.3 do BRT Leste/Oeste.
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Natália Longen, fiscal da Smop no Lote 2.3 do BRT Leste Oeste
Sinais do desrespeito
Foi o que aconteceu em diferentes trechos das obras em andamento na Avenida Affonso Camargo, nas proximidades da Rodoferroviária. Em um dos pontos da canaleta exclusiva para ônibus, a passagem de um ciclista sobre o concreto fresco deixou marcas profundas na superfície, tornando necessária a reconstrução de todo o trecho.
Nas novas calçadas, equipes também encontraram pegadas de pessoas e de animais que circularam sobre o concreto recém-executado. Em alguns casos, as pessoas chegaram a escrever o nome no piso, comprometendo o acabamento e exigindo a reconstrução.
Para Felipe Richter Cordeiro, engenheiro da O Betacen, executora das obras do BRT neste trecho, será necessário mobilizar novamente equipes, equipamentos e materiais para corrigir os problemas.
“Quando um serviço precisa ser refeito, ocorre desperdício de concreto, água, combustível e outros insumos utilizados na execução. Também há aumento na emissão de gases provenientes do transporte de materiais e da operação de máquinas e equipamentos. Do ponto de vista operacional, a equipe precisa retornar ao local, reorganizar o planejamento e, muitas vezes, manter bloqueios e desvios por mais tempo, gerando transtornos para toda a população”, explica Cordeiro.
Situações semelhantes têm sido registradas em outros bairros, em diferentes lotes dos projetos. A irresponsabilidade de vândalos prejudicou o andamento das calçadas das ruasEmanuel Kant e Infante Dom Henrique, no Capão Raso, e na Rua Paulo Setubal, no Hauer. Também na Coronel Airton Plaisant, no Santa Quitéria, na Fernando Simas, no Bigorrilho e na Rua Arion Niepce da Silva, no Portão, entre outros locais.
Prejuízos ambientais
O custo do reparo não recai diretamente sobre os cofres públicos, mas os prejuízos são compartilhados por toda a população. Cada trecho que precisa ser refeito representa atraso na entrega das melhorias, desperdício de materiais e maior tempo de convivência com bloqueios e desvios no trânsito.
A diretora do Departamento de Pavimentação da Secretaria Municipal de Obras Públicas, Manuela Marqueño, reforça que os trechos de obras contam com sinalização específica indicando os caminhos seguros para a circulação de pedestres e os desvios destinados aos motoristas. As orientações são planejadas para garantir a segurança de todos e permitir que os serviços avancem dentro dos prazos previstos. No entanto, há caso onde até mesmo a sinalização é vandalizada.
“Respeitar a sinalização é uma forma de colaborar diretamente com o andamento das obras”, diz Manuela. "As intervenções estão sendo realizadas para melhorar a mobilidade e a qualidade de vida da cidade, por isso é fundamental que todos contribuam para a preservação dos trabalhos”, reforça a diretora.
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Manuela Marqueño, diretora do Departamento de Pavimentação da Smop
Ao respeitar os bloqueios e orientações de desvio, as pessoas ajudam a garantir mais segurança, evitar desperdícios e permitir que as melhorias cheguem mais rapidamente aos bairros atendidos pelas obras.
Evitar futuros problemas
Para o engenheiro Paulo Egydio, da ViaPlan Engenharia, empresa responsável por algumas obras do Novo Inter 2, parte dos problemas está relacionada ao desconhecimento da população sobre as características da pavimentação em concreto.
“O concreto tem uma vida útil muito maior que a do pavimento asfáltico, é mais resistente, mas isso exige que todas as etapas de execução sejam respeitadas. Quando alguém invade uma área recém-concretada, pode comprometer um trabalho que levou dias, semanas, para ser executado corretamente”, afirma o engenheiro.
Segundo Egydio, por se tratarem de obras em áreas urbanas, é natural que haja impactos temporários na rotina dos moradores. Por isso, além das ações de comunicação realizadas pela Prefeitura, a empresa mantém contato direto com a comunidade para explicar as etapas das intervenções e orientar sobre bloqueios e desvios.
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Paulo Egydio, engenheiro da ViaPlan Engenharia.
Chame a Guarda Municipal
A colaboração da população é importante para combater atos de vandalismo. Casos de invasão de áreas interditadas, remoção de cercas, danos à sinalização ou outras ações que prejudiquem as obras podem ser denunciados pela Central 156 ou, em situações de flagrante, pelo telefone 193 da Guarda Municipal
Vandalismo e dano ao patrimônio público são crimes previstos no Artigo 163 do Código Penal Brasileiro, com pena de detenção que pode chegar a seis meses e multa.