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Preservação ambiental

Utag desenvolve solução inovadora para proteger cerejeiras durante obras na Sete de Setembro

Para evitar transplante de mudas de cerejeiras-do-japão plantadas ao longo da Av. Sete de Setembro, técnicos se mobilizaram para criar uma forma de proteger as raízes das árvores

Cerejeiras são protegidas nas obras da Sete de Setembro com soluções inovadoras da Utag. Curitiba, 29/07/2026. Foto: Isabella Mayer/SECOM

Curitiba preservou intactas 48 mudas de cerejeira-do-japão ao longo da Avenida Sete de Setembro, local de obras do Lote 2.3 do BRT Leste-Oeste (Praça Eufrásio Correia/Rodoferroviária), graças a uma solução técnica desenvolvida pela Unidade Técnico-Administrativa de Gerenciamento (Utag) em parceria com a empreiteira responsável pelas obras e outros órgãos municipais. Caso as árvores não pudessem ser preservadas no local, elas seriam transplantadas para outros endereços da cidade.

O desafio surgiu quando fortes chuvas registradas entre junho e julho provocaram erosão acentuada do solo próximo às valas de escavação, rompendo a estrutura de terra que protegia as raízes das mudas – chamada de “dama” – desde o plantio original. Com o solo comprometido, o sistema de raízes das árvores ficou exposto, o que colocava as árvores em risco de oxidação e perda de vitalidade.

Diante do cenário, a equipe de Supervisão Ambiental da Utag articulou um trabalho conjunto com a Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop), a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA), o Horto Municipal da Barreirinha e a construtora O Betacem, responsável pelas obras do Lote 2.3 do BRT Leste-Oeste.

A iniciativa buscou uma alternativa que evitasse o transplante das mudas – procedimento que, segundo avaliação do Horto, submeteria as árvores a um estresse desnecessário, já que o espaço disponível no canteiro permitia a convivência entre a obra e a vegetação, desde que houvesse proteção técnica adequada.

Solução evoluiu em etapas

A resposta ao problema não surgiu de imediato. Em uma primeira fase, testaram-se barreiras físicas de madeira como anteparo entre as valas e as raízes expostas. A partir do acompanhamento contínuo e de sucessivos ajustes, o técnico de segurança da empreiteira, sob orientação da Utag, desenvolveu um sistema modular de contenção – caixas protetoras de madeira customizadas para cada muda.

O dispositivo final garantiu isolamento total das raízes e estabilidade mecânica, tornando-se referência de eficiência para o restante da obra. A operação foi favorecida também pelo período de inverno, quando as árvores entram em dormência biológica, o que tornou mais segura a manipulação do sistema radicular sem comprometer o desenvolvimento das mudas.

Metas climáticas da cidade

A escolha por manter as árvores no local, em vez de realizar o transplante, também tem relação direta com o PlanClima, o plano municipal de ação climática que estabelece metas para reduzir o excesso de calor nas regiões urbanas. A área da Avenida Sete de Setembro é classificada como de predominância “cinza” – com pouca cobertura vegetal e maior propensão a ondas de calor –, o que reforça a importância de preservar cada exemplar arbóreo já existente na região.

Referência para futuras obras

A experiência acumulada durante a intervenção deve orientar novos protocolos para obras urbanas que envolvam escavações próximas a áreas arborizadas. Entre as recomendações discutidas está a adoção das caixas protetoras como prática preventiva padrão, a ser aplicada antes do início das atividades de escavação, e não apenas como resposta a problemas já em curso.

“O trabalho integrado entre todas as equipes envolvidas permitiu que encontrássemos uma solução ao caso do Lote 2.3 do BRT Leste-Oeste que pode ser utilizada em novas frentes de obras da cidade. É um modelo que permite equilibrar o avanço da infraestrutura urbana com a preservação do patrimônio verde de Curitiba”, afirma o coordenador-geral da Utag, Marcio Teixeira.

BRT Leste-Oeste é PRO Curitiba

Financiado com recursos do New Development Bank (NDB) a US$ 93 milhões, com contrapartida da Prefeitura de Curitiba, o Projeto de Aumento da Capacidade e Velocidade do BRT no Eixo Leste-Oeste é um dos principais componentes do Programa de Mobilidade Urbana Sustentável de Curitiba.

O projeto requalifica mais de 20km de canaletas exclusivas para ônibus, reforma 34 estações-tubo e moderniza cinco terminais de ônibus, no trajeto entre o limite de Curitiba com Pinhais e o novo terminal CIC Norte.

O BRT Leste-Oeste é parte do PRO Curitiba – Programa de Revitalização e Obras, o maior conjunto de ações em infraestrutura, mobilidade, habitação, educação e qualidade de vida da história da cidade, que atinge investimentos de mais de R$ 6 bilhões em quatro anos.