Texto: Gustavo dos Reis Xavier
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Inspetores e supervisores da Guarda Municipal assistiram, na manhã desta segunda-feira (30/3), duas palestras sobre temas ligados à saúde ocupacional dos servidores. As apresentações foram realizadas no Centro de Formação e Desenvolvimento Profissional da Guarda Municipal, no bairro Cidade Industrial, e fazem parte do Estágio de Qualificação Profissional (EQP) que, nesta semana, está direcionado às chefias da corporação.
A diretora do Departamento de Saúde Ocupacional da Secretaria de Gestão de Pessoal, Fernanda Zwir, enfatizou aos participantes a importância de saber ouvir cada um dos servidores. “Os integrantes das equipes de vocês precisam sentir que estão sendo acolhidos pelas chefias. É preciso haver diálogo e empatia”, argumentou.
A análise da diretora está baseada numa recente pesquisa realizada com exclusividade com servidores da Secretaria da Defesa Social e Trânsito (SMDT).
O mesmo estudo indicou que os servidores da pasta reconhecem que ter tempo para o lazer, para a prática de exercícios físicos e mais tempo com a família ajudariam a melhorar a saúde mental.
Conversa necessária
Para os participantes da primeira palestra da semana, a troca de conhecimentos entre a equipe da saúde ocupacional e os servidores que ocupam funções de liderança são bem relevantes.
“Ser chefe é uma arte”, resumiu o inspetor Delvanio Speck Miranda, 57, servidor da Prefeitura há 36 anos. “Esse tipo de debate é importantíssimo. Nós temos que estar atentos aos servidores da equipe, observar e acompanhar”, defendeu ele, que relatou ter preocupação especial com o fato de que questões mentais para profissionais que utilizam armas em seu dia a dia de trabalho é algo que merece toda atenção. “Nossas intervenções precisam ser rápidas”, completou.
Speck, que comanda uma equipe de aproximadamente 80 pessoas na Regional Cajuru, relatou que já tem contato permanente com o Departamento de Saúde Ocupacional, sempre que precisa de orientações. “Questões mentais e psicológicas são subjetivas e a gente precisa desse conhecimento técnico”, disse.
O supervisor Marcelo Boza Alves, 58, tem 34 anos de trabalho na Prefeitura e é um dos supervisores da Muralha Digital. “Esse tipo de discussão é fundamental, pois demandas sobre questões psicossociais são frequentes. Temos que lembrar que os guardas municipais estão na ponta e recebem a pressão das chefias da Prefeitura e também da sociedade. Nós temos que estar preparados para orientar”, declarou.
Violência psicológica
Ao abordar os riscos psicossociais, Fernanda Zwir explicou que são aqueles decorrentes da organização, da gestão e do contexto social do trabalho, que podem prejudicar a saúde mental, física e social dos trabalhadores. Dentre os exemplos, ela falou sobre a violência psicológica e das formas de assédio. Ela informou os canais existentes para que as vítimas possam buscar ajuda: o whatsapp é 41 99597-5610 e o e-mail é assediofaleconoco@curitiba.pr.gov.br.
Citou ainda questões como a carga de trabalho, autonomia, questões relacionadas aos resultados, a comunicação e as relações interpessoais.
Ao tratar do relatório circunstanciado para fins de saúde ocupacional, a diretora detalhou que é um instrumento interno utilizado pela chefia para encaminhar situações relativas à saúde ocupacional dos servidores. O documento pode ser utilizado, de forma preventiva, mesmo que o servidor não queira ser encaminhado para o Departamento de Saúde Ocupacional.
O fisioterapeuta do Departamento de Saúde Ocupacional, Helio Sérgio Pinto Portugal, também tratou de temas importantes que podem ser observados pelas chefias no dia a dia dos guardas. Além de questões físicas, segundo ele, é importante estar atento a aspectos emocionais e comportamentais, que, com o passar do tempo, podem levar à necessidade de afastamentos e causar doenças.
O Estágio de Qualificação Profissional para as chefias com temas de saúde ocupacional segue até quarta-feira (1/4) e terá a participação dos 75 inspetores e supervisores da Guarda Municipal.
Esta é uma etapa obrigatória a todos os guardas municipais da Prefeitura de Curitiba. Previsto em norma federal para as corporações de todo o País, ele é realizado anualmente para a manutenção do porte de arma.