Texto: Millena do Prado Lechtchechen
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
No Dia do Rim, comemorado nesta quinta-feira (12/3), a Secretaria Municipal da Saúde reuniu profissionais, prestadores de serviço e sociedades científicas para o lançamento da Linha de Cuidado da Doença Renal Crônica. Curitiba é pioneira em adotar uma linha de cuidado para prevenir o adoecimento dos rins e capacitar profissionais para atuar antes que pessoas com hipertensão e diabetes, por exemplo, desenvolvam doença renal crônica.
O simpósio Linha de Cuidado da Doença Renal Crônica: do Rastreio ao Cuidado Contínuo no SUS Curitiba aconteceu no auditório do Conselho Regional de Medicina do Paraná e marcou o início da implantação do novo protocolo que integra todos os pontos de atenção à saúde: atenção primária, atenção especializada, urgência e emergência e serviços de diálise.
O objetivo é interferir para que a pessoa não chegue à doença renal crônica, com a identificação de sinais e sintomas, o acompanhamento adequado de pacientes com condições como hipertensão e diabetes e a integração de todos os pontos de atenção da rede municipal de saúde.
A secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, agradeceu o apoio do CRM-PR e das sociedades científicas e destacou a importância do trabalho em rede.
“A medicina e o cuidado não podem ser fragmentados. Ao estabelecer uma linha de cuidado estruturada, estamos preparando os profissionais da rede a identificar problemas e trabalhar preventivamente, cuidando da saúde dos pacientes do começo ao fim”, explicou Tatiane Filipak.
Segundo a secretária, a maior ênfase do projeto está com a equipe de atenção primária, porta de entrada do sistema de saúde.
“Vocês têm o poder de estabelecer vínculo com os usuários das unidades e identificar situações que podem impactar a saúde daquela pessoa com o passar do tempo. Esse olhar atencioso faz toda a diferença na vida das pessoas”, declarou a secretária.
Para o conselheiro decano e 1º secretário do CRM-PR, Fernando Fabiano Castellano Júnior, a parceria estabelecida com a SMS tem como foco a qualidade de vida dos pacientes.
“Estamos muito honrados de participar desse trabalho integrado entre o poder público, as sociedades científicas e o nosso Conselho. Quem ganha com essa integração é o cidadão, que é a razão de nossa existência”, disse Castellano.
Já o representante do Instituto do Rim de Curitiba, Carlos Marmanilho, elogiou a iniciativa e destacou a importância da identificação precoce de situações que podem levar pacientes à doença renal crônica.
“A vida de pessoas que necessitam de diálise é muito sofrida. Se a gente puder evitar a progressão de situações de saúde a níveis críticos, com certeza proporcionaremos assistência de saúde mais digna aos pacientes e maior sobrevida aos pacientes renais”.
Doença Renal
A doença renal crônica (DRC) é silenciosa e o agravamento dos casos acaba levando o paciente à diálise e à necessidade de transplante, causando alta mortalidade e elevados custos para os sistemas de saúde em todo mundo.
O público de maior risco para o desenvolvimento de doença renal crônica é de idosos, pessoas com hipertensão e diabetes. Em 2024, Curitiba registrou 2.763 diagnósticos de DRC. Em 2025, foram 3.260 diagnósticos, um aumento de 18%.
“Curitiba tem uma rede assistencial robusta e a implementação dessa linha de cuidado como política pública, alinhada às diretrizes do ministério da Saúde, representa uma estratégia fundamental para a melhoria dos desfechos clínicos”, declarou a superintendente de gestão da SMS, Jane Sescatto.
Segundo a superintendente, ao integrar atenção primária, especializada e serviços de diálise, a iniciativa demonstra compromisso com a prevenção, a qualidade assistencial e a sustentabilidade financeira do Sistema Único de Saúde.
Simpósio
Durante o simpósio, foram apresentadas palestras com a contextualização da doença renal crônica em Curitiba, a estruturação da linha de cuidado, o Programa Escute seu Coração, apresentado o fluxo de atendimento e o cronograma de capacitação dos profissionais da rede.
Presenças
Também participaram do simpósio o representante do Ministério da Saúde, Wilson Vicente costa de Alvarenga, chefe do serviço de auditoria do SUS no Paraná; o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes e médico endocrinologista da SMS Alexei Volaco; o presidente da Sociedade Paranaense de Nefrologia e médico da telerregulação da SMS René Scalet dos Santos Neto; a diretora de Atenção primária à Saúde, Juliana Marcon Hencke; a diretora de Atenção Especializada, Viviane Gubert; a diretora do departamento de Urgência e Emergência, Keity Arias.