Ir para o conteúdo
banner

Junho Branco

Na sexta-feira, seminário da Prefeitura debate recomeço de dependentes químicos

Especialistas, gestores públicos e instituições debatem, na próxima sexta-feira (26/5), as oportunidades de recomeço após o tratamento da dependência química

Unidades de estabilização recebem a pessoa dependendo do estado mental gerado pelo consumo de substâncias químicas. Foto: Valquir Aureliano/SECOM (arquivo)

No Dia Internacional e Municipal de Prevenção às Drogas, um evento especial da Prefeitura de Curitiba vai discutir uma das etapas mais importantes para a recuperação plena de dependentes químicos. O Seminário Oportunidades de Recomeço, promovido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH), ocorre na próxima sexta-feira (26/6) e integra a programação Junho Branco, o mês dedicado à conscientização, prevenção e ao enfrentamento ao uso de álcool e outras drogas a partir do envolvimento de toda a sociedade.

Organizado pelo Departamento de Políticas sobre Drogas (DPPD) da SMDH, o seminário reunirá especialistas, gestores públicos, representantes de comunidades terapêuticas, profissionais da rede de atendimento e instituições parceiras para discutir os desafios e as possibilidades da reinserção, do ponto de vista pessoal, social e econômica, de pessoas que concluíram ou estão em processo de reabilitação.

O encontro ocorre, das 13h às 17h, no Centro de Eventos Imap Barigui.

A programação abordará temas como qualificação profissional, geração de renda, fortalecimento de vínculos familiares, acesso a oportunidades de trabalho e construção da autonomia, fatores considerados fundamentais para a manutenção da recuperação e para a prevenção de recaídas. O encontro também será um espaço para a troca de experiências e para a apresentação de iniciativas bem-sucedidas que têm contribuído para ampliar as oportunidades de recomeço para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Segundo Carlos Eduardo Pijak Júnior, secretário municipal de Desenvolvimento Humano, o enfrentamento à dependência química exige uma atuação integrada que vá além do tratamento. 

“A recuperação se fortalece quando a pessoa encontra acolhimento, oportunidades e perspectivas de futuro. Falar sobre reinserção social é falar sobre dignidade, autonomia e pertencimento. Nosso compromisso é construir caminhos para que cada cidadão tenha condições reais de reconstruir sua trajetória e retomar seu projeto de vida”, afirma Pijak Júnior.


Portas de entrada 

O secretário municipal de Desenvolvimento Humano lembra que a Prefeitura de Curitiba oferece uma grande rede voltada à prevenção, ao cuidado e à reinserção social, promovendo uma abordagem ampla e humanizada para o enfrentamento dos problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas.

“O acesso aos serviços acontece diretamente nos equipamentos das secretarias municipais de Saúde e Desenvolvimento Humano e FAS (Fundação de Ação Social). Assim como há quem precise da residência transitória em comunidades terapêuticas, há os que necessitam de estabilização psicológica ou acompanhamento clínico nos serviços de saúde. Mas também há os que conseguem começar a jornada se hospedando no programa de acolhimento temporário e assistido da SMDH, o Nova Morada, Vida Nova”, explica Pijak Júnior, que reforça que a secretaria é responsável pela articulação intersetorial das políticas públicas para essa população.

Confira a rede da Prefeitura de Curitiba voltada a pessoas dependentes do uso de álcool e outras drogas

  • Centro Intersetorial de Atendimento à População em Situação de Rua – Situado próximo à Rodoferroviária, o Centro Intersetorial funciona 24 horas por dia e é um complexo com postos de atendimento da Fundação de Ação Social (FAS), Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e SMDH. É lá, com a ajuda da equipe técnica da SMDH, que as pessoas interessadas em romper com o consumo de substâncias químicas acessam vagas de residência transitória (Comunidades Terapêuticas ou no Nova Morada, Vida Nova). O serviço da SMDH no local funciona às terças-feiras, das 8h às 12h, e às quintas-feiras, das 13h às 17h.  
  • Comunidades Terapêuticas Acolhedoras (CTAs) – O acesso a essas entidades se dá pelo encaminhamento técnico da SMDH e, comprovada aptidão clínica, sempre de forma voluntária e informada. A permanência pode durar de seis a nove meses. Durante esse período, usufruem de acomodações compartilhadas, roupas de cama, banho e itens de higiene individuais, acompanhamento psicossocial e atividades físicas, lúdicas e culturais coletivas. As vagas são viabilizadas em editais dos governos estadual e federal e agora passam a contar com edital próprio lançado pelo município em março.
  • Acolhimento assistido - Programa de reinserção social e econômica da SMDH, em que a pessoa aceita ficar em um local salvo da exposição à dependência química e acompanhado por equipe técnica. Os participantes podem ficar no equipamento contratado até seis meses, em pernoites nos dias úteis e em período integral nos fins de semana e feriados. A pessoa recebe apoio para se apresentar bem em entrevistas de empregos e começa a fazer cursos para se recolocar profissionalmente. O programa conta com apoio do Sine Móvel, da SMDEI, e vários parceiros como Instituto Gerar, Escola Excelência e as Faculdades Inspirar e Pequeno Príncipe.
  • Abordagem e Consultório de Rua - O serviço de abordagem dos educadores sociais da Fundação de Ação Social (FAS) e as unidades móveis do Consultório de Rua Secretaria Municipal de Saúde são voltados a pessoas em situação de rua, muitos deles sofrendo dependência química. Ambos também são caminho mais curto da calçada para o Centro Pop e os demais serviços de assistência social, vinculados à FAS.  
  • Base – Inaugurado em abril de 2026, o Base (Bem-estar, Apoio, Solidariedade e Emprego) marca um novo momento da política de acolhimento às pessoas em vulnerabilidade no Centro. Desenvolvido de forma integrada pelas secreta­rias de Desenvolvimento Econômico e Inovação (SMDEI), de Segurança Alimentar e Nutricional (SMSAN), de Saúde; pela Guarda Municipal e pela Fundação de Ação Social (FAS), o equipamento utiliza o alimento como porta de entrada para o resgate efetivo da população em situação de rua, com encaminhamento para os serviços sociais da Prefeitura, oferta de capacitação e encaminhamento ao trabalho.
  • Creas e postos de saúde - Familiares ou as próprias pessoas em situação de dependência química podem recorrer, por busca espontânea, aos Creas, que são os centros regionais de atendimento especializado da FAS, ou à rede de postos de saúde  espalhadas pela cidade. Lá, são prestadas orientações e feito o encaminhamento mais adequado.
  • CAPS e Unidades de estabilização - Dependendo do estado mental gerado pela dependência severa das substâncias químicas, o recurso pode ser excepcional e realizado pela Secretaria Municipal de Saúde: encaminhamento para unidades médicas especializadas em estabilização ou nos Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS). Já nos casos mais críticos, onde todos os recursos extra-hospitalares se esgotaram, pode ocorrer a internação involuntária (por emergência médica) ou compulsória (por determinação judicial). A internação involuntária ocorre quando a pessoa se torna um risco para a própria vida ou de terceiros. Ela depende de ordem médica emergencial fundamentada e é feita por equipes multisetoriais da Prefeitura. Esse tipo de internação pode durar até 90 dias em unidade médica, com o conhecimento do Ministério Público e Defensoria Pública. Já a internação compulsória resulta de determinação judicial, em resposta a ações comumente movidas por familiares, responsáveis legais, advogados, Ministério Público, Defensoria Pública ou profissionais de saúde. A motivação é praticamente a mesma da internação involuntária.

Serviço

Seminário Oportunidades de Recomeço – Junho Branco
Dia e horário: sexta-feira (26/6), das 13h às 17h
Local: Salão de Atos do Centro de Eventos Imap Barigui, no Santo Inácio
Inscrições gratuitas pelo link