Texto: Eliana Carmem Fachim
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
No ateliê da artista visual Sandra Hiromoto, o Natal de Curitiba ganha delicadeza e exclusividade. Ela está pintando artesanalmente cada uma das 25 saias e das 12 calças criadas para o espetáculo O Sonho do Papai Noel, que será apresentado ao ar livre, no Jardim Botânico, durante a temporada natalina de 2025.
Cada peça tem desenhos únicos e são pintadas à mão. Elas vestirão parte do elenco de 56 artistas, bailarinas e cantores em um dos espetáculos mais grandiosos do programa natalino da cidade.
Com mais de cem moldes de estêncil desenvolvidos especialmente para o projeto, Sandra imprime com tintas e sprays sobre os tecidos uma combinação de formas, cores e símbolos que destacam o espírito natalino com um toque de identidade curitibana.
Vermelho, verde, dourado e branco compõem a paleta escolhida pelo figurinista Eduardo Giacomini, responsável pela concepção visual do espetáculo e quem convidou Sandra para a parceria.
“Cada peça é única, não existe um padrão fixo”, explica a artista. “Eu desenhei, recortei e apliquei cada estêncil manualmente, criando variações em cada aplicação”, disse Sandra.
Além das estampas exclusivas, a construção das saias foi pensada para valorizar o movimento das bailarinas. O corte, inspirado na técnica clássica do balé, permite que o tecido se abra completamente no ar durante os giros, criando um círculo perfeito. “É um corte tradicional da dança, pensado para o movimento e a leveza do figurino”, explica Giacomini.
Tradição japonesa e pop art
Nascida em uma colônia japonesa no interior do Paraná, em Assis Chateaubriand, Sandra cresceu cercada pelo rigor da tradição da cultura oriental. As raízes estão presentes na estética da artista, se misturando à pop art e à arte urbana, outra marca do seu trabalho. “Minha formação japonesa me trouxe o respeito pelo processo, pela repetição e pela delicadeza”, conta.
Formada em Desenho Industrial pela PUCPR, Sandra iniciou a carreira no design, mas a arte acabou se impondo como vocação. Ao longo de mais de três décadas, já exibiu suas obras em países como Japão, França, Bélgica, Portugal, Espanha, Estados Unidos, Peru, Colômbia e México e teve trabalhos apresentados em instituições de prestígio, como o Museu Oscar Niemeyer e o Palácio Imperial de Tóquio.
Entre seus projetos marcantes estão as exposições Heart (Aichi Triennale, Japão), Inner Landscape (SoHo, Nova Iorque), Heart Circuit (com Ana Lesnovski, MON) e Interafetividade (com Fernanda Takai, Galeria Interart Pátio Batel). Ela também assinou o projeto gráfico do livro “A Mulher que Não Queria Acreditar”, de Fernanda Takai, e a identidade visual do Festival Internacional de Cinema Olhar de Cinema.
Premiada na França com o Prix Spécial 2011 do Salon du Carrousel du Louvre, Sandra hoje volta seu olhar para a cidade que moldou sua trajetória. “A arte tem que chegar em todos, não é só pra museus”, destaca.