Texto: Millena do Prado Lechtchechen
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Texto: Millena Lechtchechen (sob supervisão de Quitéria Brevilheri)
Prefeitura de Curitiba
A cirurgiã-dentista Alexandra Moutinho de Souza Benites é apaixonada por cavalos desde a infância, quando frequentava a fazenda ao lado do pai. Com o passar do tempo, o amor só aumentou. Hoje, ela se divide entre suas duas paixões: a carreira como servidora da Saúde de Curitiba, pela manhã, e a de atleta de alto rendimento, à tarde.
Diagnosticada com uma deficiência denominada Displasia Osteogênica Distrófica, um tipo de nanismo raro, Alexandra passou a vida superando obstáculos em nome do esporte. Por volta dos 13 anos, passou por 35 cirurgias e ficou cinco anos sem andar, mas nem isso conseguiu diminuir seu amor pelos animais. “Quando eu tinha feito as cirurgias da minha perna e não podia andar, eu ia para a fazenda e o meu cavalo ficava encostadinho perto da cerca. Ficava me olhando pedindo carinho, eu deitava e ficava agradando ele”, relembra.
Apesar de ter cultivado esse afeto toda a vida, Alexandra só começou a competir formalmente depois dos 30 anos. Em 2023, durante um treinamento, viu novamente sua vida mudar totalmente após um grave acidente. “Eu estava treinando lá na pista principal e, de repente, o cavalo se assustou, freou em cima do obstáculo e me jogou entre as varas. O meu joelho ficou preso, a minha perna dobrou para cima e quebrou, fez uma fratura quase exposta”, lembra ela.
Após 3 cirurgias reconstrutivas e inúmeras sessões de fisioterapia esportiva, ela reiniciou seus treinos, retornando à Sociedade Hípica Paranaense. “Eu nunca pensei em desistir das pistas porque desde criança o meu sonho sempre foi saltar e nada ia me impedir de continuar. Esse é o meu objetivo, porque cavalo é a minha paixão.”
Servidora
Sua trajetória no serviço público iniciou em 2009 com a aprovação no concurso para uma vaga em odontologia na Secretaria Municipal da Saúde. Começou a trabalhar na Unidade de Saúde (US) Bairro Alto e, em 2014, foi transferida para a US Campina do Siqueira, onde permanece até hoje. Na época da pandemia de covid-19, Alexandra se fantasiava de Chucky para estimular a vacinação entre os jovens e chegou a virar notícia. “Foi bem divertido, eu não esperava essa reação dos jovens, né? De repente começou a ter uma fila prioritária, uma fila normal e depois tinha fila do Chucky”.
Com o tempo, ela descobriu na saúde uma nova paixão e hoje equilibra a vida entre a profissão e o esporte.
“É uma transição bem tranquila, porque são duas coisas que eu gosto de fazer na vida. Adoro a minha profissão e adoro os treinos de cavalo. Eu acho que uma complementa a outra”, afirma.
Como filosofia de vida, Alexandra cita a perseverança e a importância de se entregar a seus objetivos. “A equitação me mostrou que a superação não é apenas sobre alcançar a vitória, mas sim, sobre cada tentativa, cada erro, cada aprendizado no caminho. Esse é um desafio constante em minha vida e espero que possa servir de exemplo a outras pessoas com deficiência que almejam superar limites tanto na vida quanto no esporte.”