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Certificado Internacional

Curitiba recebe reconhecimento do PNUMA por protagonismo em restauração ambiental urbana

Curitiba recebe reconhecimento do PNUMA por protagonismo em restauração ambiental urbana. - Na imagem, Fazenda Urbana do Tatuquara. Foto: Pedro Ribas/SECOM

Curitiba foi reconhecida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) como uma das cidades participantes do projeto internacional Generation Restoration (Geração Restauração), iniciativa vinculada à Década das Nações Unidas sobre Restauração de Ecossistemas (2021–2030). Ao concluir o ciclo iniciado em 2023, a capital paranaense recebeu o Certificado de Reconhecimento da Divisão de Mudança Climática do PNUMA, que destacou o “notável progresso alcançado” e o compromisso do município com a promoção de espaços urbanos mais verdes, resilientes e sustentáveis.

O documento, datado de 14 de janeiro de 2026, foi assinado por Gulnara Roll, chefe da Unidade de Cidades do PNUMA, em nome do organismo internacional e do ICLEI, rede global de governos locais para a sustentabilidade. No texto, o PNUMA parabeniza Curitiba pelo “significativo progresso alcançado” e pela participação ativa na agenda global de restauração ecológica urbana.

O prefeito Eduardo Pimentel destacou que o reconhecimento reforça o compromisso histórico da cidade com a sustentabilidade.

 “Curitiba tem a sustentabilidade no seu DNA. Esse reconhecimento do PNUMA confirma que estamos no caminho certo ao integrar restauração ambiental, segurança alimentar e inovação climática às nossas políticas públicas”, afirmou.

Projeto piloto inovador

O reconhecimento internacional também leva em consideração o projeto piloto desenvolvido com apoio do PNUMA, voltado ao mapeamento, mensuração e comercialização de créditos de carbono gerados por iniciativas ambientais do município. A proposta busca ampliar o alcance de projetos de captura de carbono, inserindo-os no mercado e fortalecendo a economia sustentável local.

Entre as ações apresentadas estão a ampliação da arborização urbana, a recuperação de ecossistemas naturais, o fortalecimento das hortas comunitárias e das Fazendas Urbanas, reconhecidas internacionalmente por promoverem inclusão social e segurança alimentar, e o aprimoramento do Sistema de Gestão de Risco Climático, com monitoramento avançado para prevenção de desastres.

O encerramento do projeto-piloto foi marcado por uma oficina sobre Agricultura Urbana e créditos de carbono na Fazenda Urbana da CIC. O encontro reuniu servidores municipais, representantes da Copel e integrantes da sociedade civil, com apresentação de diagnósticos de áreas com potencial de restauração produtiva e discussão de alternativas de financiamento, como a criação de um Mercado Municipal de créditos de carbono.

Estudos técnicos indicam que a ampliação da agricultura urbana e periurbana pode gerar impactos expressivos para Curitiba, como maior infiltração da água da chuva, reduzindo riscos de enchentes, regulação térmica em áreas densamente ocupadas e potencial de sequestro de carbono estimado em 6,7% das emissões anuais da cidade. Esse volume equivale à retirada de aproximadamente 55 mil veículos movidos a gasolina de circulação durante um ano.

Para o consultor do PNUMA Jay Van Amstel, as cidades exercem papel estratégico no enfrentamento das mudanças climáticas. Segundo ele, áreas de agricultura urbana funcionam como “esponjas”, absorvendo a água da chuva e contribuindo para a redução da temperatura nas regiões urbanizadas.

Trajetória e legado

Desde a adesão à Geração Restauração, Curitiba estruturou ações voltadas à recuperação de áreas degradadas, à ampliação e qualificação de espaços verdes, ao fortalecimento das Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e à integração da restauração ecológica ao planejamento urbano. O processo incluiu diagnóstico ambiental, planejamento estratégico, articulação com organismos internacionais e execução de intervenções com foco na resiliência climática, além de intercâmbios técnicos com outras cidades participantes.

Com a conclusão desta etapa, o município consolida avanços na restauração de ecossistemas urbanos, reforça a integração da agenda climática às políticas públicas e amplia seu reconhecimento internacional como referência em sustentabilidade.