Texto: Quiteria Otilia Neves Brevilheri
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Como ocupar o tempo livre das crianças em período de recesso escolar? Quando possível, as famílias têm opção de levar os filhos para passeios em parques e para atividades em bibliotecas e faróis de praça, que oferecem uma extensa programação lúdica. CLIQUE AQUI e conheça a programação da Secretaria Municipal da Educação.
Mas em dias chuvosos e frios, típicos do inverno curitibano, ou quando sair de casa não é uma opção, entra em cena a criatividade.
“O ambiente familiar oferece oportunidades essenciais para desenvolver conhecimentos e habilidades através do brincar, do conversar, do explorar e do criar junto. Durante o recesso escolar, uma das alternativas é fazer desafios criativos com as crianças, utilizando elementos disponíveis em casa, como os materiais recicláveis e a própria cozinha”, propõe a coordenadora de Formação e Inovação da Secretaria Municipal da Educação (SME) de Curitiba, Hellen Joay.
Preparar uma receita em família, por exemplo, trabalha a leitura, a interpretação, noções de quantidade, medidas, organização, além de incentivar a autonomia e a responsabilidade das crianças.
Segundo a professora Francine Vasconcellos, do Programa Comunidade Escola, da Coordenadoria de Projetos Educacionais da SME, os pais ou cuidadores podem ser protagonistas no processo de propor atividades que vão ocupar o tempo das crianças e criar memórias afetivas poderosas.
“Para além das programações culturais da cidade, este período de férias é uma oportunidade valiosa para que os pais dediquem um tempo de qualidade aos filhos, transformando o ambiente doméstico em um espaço de aprendizagem, descoberta e conexão afetiva”, orienta a professora.
Construindo diversão e vínculo
Francine destaca que itens simples, como tampinhas, caixas de papelão, gravetos ou elementos da natureza, possuem um potencial infinito. Uma garrafa PET, por exemplo, pode ser transformada em inúmeros objetos.
Para exemplificar, ela cita a construção de um 'binóculo do explorador', feito com rolos de papel higiênico e barbante, permitindo que a criança exercite a imaginação sobre o que está observando. Outra proposta é o jogo da memória personalizado: utilizando pedaços de papelão como base e tampinhas como peças, a criança pode desenhar, pintar com guache ou decorar com fitas adesivas coloridas, tornando o processo de criação tão divertido quanto o jogo em si.
O jogo da velha é mais uma opção lúdica e educativa. O tabuleiro pode ser estruturado no papelão, utilizando fita adesiva para demarcar as linhas e fazendo as peças com pedrinhas pintadas ou tampinhas de cores distintas. Além de ser uma atividade prática, estimula o raciocínio estratégico e a coordenação motora.
“Essas propostas vão muito além da ocupação do tempo. Elas fortalecem o vínculo familiar e desenvolvem competências essenciais, como o pensamento criativo e a linguagem. A partir da confecção de um objeto, como o binóculo, podemos incentivar a criança a narrar o que ela enxerga, transformando essa exploração em um registro, como um pequeno livro ou uma história escrita”, propõe Francine, acrescentando a proposta de registro em livro, escrito ou ilustrado, como mais uma alternativa de atividade lúdica.
Além das telas
“A tecnologia faz parte do nosso dia a dia e as telas não precisam ser encaradas como vilãs, mas é importante que não ocupem todo o tempo livre. As crianças precisam brincar, criar, explorar materiais, conversar, imaginar, viver experiências concretas. Esse equilíbrio favorece o desenvolvimento cognitivo, emocional e social também”, destaca a coordenadora de inovação.
Os brinquedos têm papel fundamental na rotina das crianças, especialmente como uma alternativa valiosa para reduzir o tempo excessivo diante das telas. Mais do que o objeto final, o aspecto mais significativo está no processo de construção e no tempo compartilhado durante essa vivência.
“O que realmente importa não é a perfeição do brinquedo concluído, mas sim a jornada percorrida até a sua criação. O brincar constitui um espaço privilegiado para o desenvolvimento da linguagem, do raciocínio, da imaginação, das habilidades sociais e da aprendizagem, sendo, acima de tudo, uma ferramenta essencial para o fortalecimento dos vínculos afetivos entre pais e filhos”, conclui Francine Vasconcellos.
Brincadeiras para confeccionar em família
Binóculo do explorador
Materiais: 2 rolos de papel higiênico ou um rolo de papel toalha cortado ao meio; cola ou fita adesiva; barbante ou fita, canetinhas, tinta, papel colorido, adesivos ou retalhos; furador ou tesoura (utilizados pelo adulto)
Como fazer:
- Junte os dois rolos e cole
- Decore
- Faça um furo de cada lado
- Passe o barbante e dê um nó
- Pronto para explorar o ambiente
Jogo da Memória
Materiais: 20 ou 30 tampinhas (quantidade par); papel ou etiquetas, canetinhas ou figuras impressas e cola
Como fazer:
- Lave as tampinhas
- Faça pares de desenhos
- Cole os desenhos
- Misture as peças
- Agora é só jogar com a família e amigos. Com as peças viradas para baixo, cada jogador escolhe duas peças – se formar um par, continua; caso contrário, devolve. Ganha quem fizer mais pares.
Jogo da velha
Materiais: papelão ou EVA; 10 tampinhas, pedras ou botões (5 de cada tipo); canetinhas ou tinta
Como fazer:
- Prepare as peças em dois conjuntos
- Decore o tabuleiro
- Cada jogador escolhe um conjunto; alternam as jogadas e vence quem alinhar três peças
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