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Ação intersetorial

Já ouviu falar? Combate à dengue em Curitiba terá Método Wolbachia e ampliação do uso de drones e de mutirões

O prefeito Eduardo Pimentel em reunião estratégica para a definição do Plano de Ação de Combate à Dengue 2026, no gabinete da Secretaria Municipal da Saúde. Curitiba, 12/01/2026. Foto: Hully Paiva/SECOM

Texto: Quitéria Brevilheri
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)

Em reunião intersetorial realizada nesta segunda-feira (12/1), na Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o prefeito Eduardo Pimentel anunciou que pela segunda vez irá liderar a mobilização de enfrentamento à dengue em Curitiba. 

“Exatamente um ano atrás, no início da minha gestão como prefeito, fizemos uma reunião com todas as secretarias envolvidas, aqui na Saúde, e que deu um resultado muito importante. Reduzimos em mais de 90% os casos de dengue na cidade”, lembrou Eduardo Pimentel.

A novidade de 2026 é a construção de programa de cooperação estratégica em saúde pública com a Wolbito do Brasil para utilização do Método Wolbachia, um projeto-piloto na cidade a ser desenvolvido nos próximos meses. O método utiliza uma bactéria naturalmente presente em muitos insetos, chamada Wolbachia, que é introduzida no mosquito Aedes aegypti.

Eduardo Pimentel também anunciou que vai manter e ampliar as ações desenvolvidas por toda estrutura do governo municipal.

“Nós só vamos vencer essa batalha mais uma vez, manter os números muito baixos de contaminação da dengue, se atuarmos em conjunto, com a população se conscientizando de seu importante papel nessa batalha”, destacou.


Números

Curitiba registrou 1.575 casos de dengue em 2025, um número 11 vezes menor que o ano anterior, quando foram confirmados 17.761 casos na cidade. Os números da dengue, com série histórica de casos suspeitos e confirmados, e a distribuição das áreas com focos do mosquito transmissor pode ser conferidos no Painel da Dengue, no site da SMS.

Segundo o prefeito, o decreto que instituiu o Plano Municipal de Enfrentamento à Dengue em 2025 será revisado e ampliado, assim como as ações de fiscalização quanto aos terrenos e imóveis abandonados, a ampliação do uso de drones para fiscalização nos bairros e a venda do repelente nos Armazéns da Família a preços mais baixos.

Para fortalecer ainda mais o trabalho nos bairros, serão instituídos os comitês regionais de combate à dengue nas dez administrações regionais.


Mutirão

O primeiro mutirão de recolhimento de resíduos de 2026 será realizado na quinta-feira (15/1), no bairro Sítio Cercado. Os agentes de endemias da SMS vão percorrer as casas na região, orientando e população sobre o que pode ser descartado para que os agentes de limpeza da Secretaria do Meio Ambiente façam o recolhimento.

Em 2025, foram realizados 66 mutirões em parceria da SMS e Meio Ambiente, e recolhidas 415 toneladas de entulhos.

“Nós fizemos uma análise técnica de todo o trabalho realizado em 2025, procurando, inclusive, oportunidades de melhoria. Essa ação intersetorial, com todas as secretarias envolvidas, com a comunicação nos apoiando, foi muito importante, e a população veio junto”, analisou a secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak.

Segundo ela, a principal mensagem que as pessoas precisam entender é que o risco da dengue está dentro das casas. “A gente sabe da importância do terreno bem-cuidado para combater a dengue, porque o mosquito está no meu quintal. Então, a gente pede que a população nos apoie mais uma vez”.

Tecnologia

A parceria da Prefeitura de Curitiba com a Wolbito do Brasil será mais um investimento em tecnologia avançada para o combate à dengue. Está em construção um programa estratégico de cooperação e colaboração entre a SMS e o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), envolvendo a Wolbito do Brasil, para um programa técnico-científico para o controle do mosquito Aedes aegypti.

Curitiba, que já abriga uma biofábrica da Wolbito, passa a se posicionar também como um ambiente de inovação, avaliação e geração de evidências, contribuindo para o avanço de políticas públicas em saúde e para o desenvolvimento de novos modelos que possam orientar futuras ações no município e no país.

“Nós estamos muito felizes com essa parceria, porque é mais um esforço tecnológico para avançar no controle da dengue”, disse Tatiane Filipak.

Segundo a secretária, Curitiba não estava contemplada com a utilização dessa tecnologia da bactéria Wolbachia, porque não atende aos critérios do Ministério da Saúde quanto ao número de casos.

“Com o projeto-piloto que vamos desenvolver em um dos bairros de maior incidência da dengue, será possível contribuir para um grande estudo sobre a eficácia da tecnologia”.

Em 2025, a SMS iniciou o projeto das Estações Disseminadoras de Larvicida (EDL) com a instalação de 1.105 unidades no bairro Cajuru, também em parceria com o IBMP. Os resultados desse projeto-piloto ainda estão em análise e também vão subsidiar as ações para o controle da dengue em Curitiba.

Método Wolbachia

O Método Wolbachia utiliza uma bactéria naturalmente presente em muitos insetos, chamada Wolbachia, que é introduzida no mosquito Aedes aegypti.

Essa bactéria impede que o mosquito transmita vírus da dengue, zika e chikungunya às pessoas. Trata-se de uma abordagem natural, autossustentável e segura, baseada em evidências científicas, já utilizada há mais de uma década em diferentes países, como complemento às estratégias tradicionais de controle do mosquito.

Vacina da dengue

Eduardo Pimentel lembrou que a vacina contra a dengue, destinada pelo Ministério da Saúde ao público entre 10 e 14 anos, está disponível na rede municipal de saúde. Os locais de vacinação podem ser conferidos no site Imuniza Já Curitiba.

“Essa é mais uma forma importante de proteger nossa população. Se você tem filhos nessa faixa etária, não deixe de levá-los para receber as duas doses contra a dengue”, disse Eduardo Pimentel.

Presenças

Também participaram da reunião intersetorial de combate à dengue o secretário do Governo Municipal, Marcelo Fachinello; o secretário municipal da Comunicação Social, Marc Sousa; e o secretário municipal do Urbanismo, Almir Bonatto; o superintendente da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Ibson Gabriel Martins de Campos; o diretor técnico do Hipervisor Urbano do Ippuc, Oscar Schmeiske. 

Pela Secretaria Municipal da Saúde participaram a superintendente Executiva, Flávia Adachi; superintendente de gestão em Saúde, Jane Sescatto; a superintendente de Vigilância em Saúde, Flávia Quadros; o diretor do Centro de Epidemiologia, Alcides Oliveira; o coordenador de Vigilância Ambiental, André Luís Pasdiora; a coordenadora do Programa Municipal de Combate ao Aedes, Tatiana Bausewein; e o coordenador do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs), Diego Spinoza.