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Em busca de trabalho

Aos 64 anos, morador de Curitiba tem nova perspectiva de vida com apoio da Prefeitura

Há mais de um ano livre da dependência química, Benedito Djalma voltou a estudar, frequenta o Caps, a Unidade de Acolhimento da FAS e busca um trabalho formal como cuidador de idosos

Ex-morador de rua por 20 anos e ex-dependente químico que aos 64 anos recomeça a vida com apoio da prefeitura. Na foto, Benedito Djalma Oliveira de Souza no CAPS Boqueirão. Curitiba, 23/04/2026. Foto: Valquir Kiu Aureliano/SECOM

Texto: Quitéria Brevilheri 
Prefeitura de Curitiba

É possível recomeçar aos 64 anos? Para Benedito Djalma Oliveira de Souza, morador de Curitiba, é. 

Com apoio da Prefeitura, Benedito deixou a dependência química de mais de 20 anos, retomou os estudos e aguarda ansioso a conquista de um trabalho que possa garantir sua subsistência por conta própria.

Há cerca de um ano livre das drogas que o mantinham em situação de rua, Benedito se reconhece feliz, frequenta o Caps Boqueirão e mora temporariamente em uma Unidade de Acolhimento da Fundação de Ação Social (FAS).

“O que me impulsionou a mudar foi a percepção de que aquela vida era exaustiva e prejudicial à minha saúde. Graças a Deus, consegui, e continuo conseguindo. Cada dia que amanhece é uma vitória”, conta Benedito.

Nascido em Cananeia, estado de São Paulo, viveu no litoral até os 22 anos quando se mudou para a capital paulista. Trabalhou como segurança, casou e teve três filhos. Benedito conta que chegou a construir a moradia da família e um comércio, responsável pela subsistência de todos.

Tocava banjo e criou um grupo musical com amigos, chamado Simples Sonho. Uma decepção amorosa o fez deixar São Paulo e abandonar a vida familiar. Mudou-se para Curitiba e mergulhou na dependência química, subsistindo com o recolhimento e venda de materiais recicláveis e morando em seu carrinho de coleta.

Recomeço

A virada de chave para a mudança e reinserção social aconteceu com o apoio de uma profissional da FAS, que olhando em seus olhos perguntou: você quer sair dessa vida? Benedito estava muito fragilizado e doente, sem forças, e aceitou o apoio oferecido.

A FAS o levou ao Centro de Atenção Psicossocial Boqueirão (Caps), onde o psicólogo Gilberto José Golvêa Filho foi responsável pelo seu acolhimento e permanece sendo sua referência profissional no local.

Segundo Golvêa, na psicoterapia, é comum testemunhar a evolução do paciente, mas no Caps essa experiência é ainda mais impactante.

“A complexidade e a gravidade dos casos nos permitem acompanhar de perto pessoas que se encontram em condições vulneráveis, muitas vezes isoladas. Participar do processo de conquista de novos objetivos, da retomada de sonhos, da construção de relacionamentos e da vivência plena da vida, é algo extremamente significativo”, conta o psicólogo.

Benedito encontrou nos profissionais da Saúde e da FAS o suporte para mudar de vida. Semanalmente, frequenta as atividades do Caps, acompanha palestras e terapias, tem consulta com psiquiatra e com equipe multidisciplinar e mantém o controle de sua saúde com seu Plano Terapêutico Individual.

Capacitação profissional

Atualmente, está terminando o 2º grau em aulas noturnas e conclui cursos de Panificação e de Cuidador da Pessoa Idosa pelo Sebrae.

“Gosto de cuidar, de auxiliar, de dar banho em idosos, pois considero essa uma profissão muito bonita. Ela se encaixa em mim e gosto de fazer o que me traz satisfação. Sinto-me feliz ao exercer essa função”, declara Benedito.

Segundo ele, enquanto busca uma colocação formal no mercado de trabalho, sempre que necessário ajuda a equipe da atual moradia temporária no cuidado com outros moradores e com pessoas idosas.

Segundo a equipe que o acompanha, o foco agora é o processo desafiador de reabilitação. “Ele tem estudado, se qualificado, e busca a inserção no mercado de trabalho formal. Por isso, ele ainda permanece no Caps, e desejo que ele consiga, em breve, alcançar esse objetivo”, diz Golvêa.

Perguntado se ele se considera feliz atualmente, Benedito foi enfático: “Sim, sou feliz”. E o que o faria ainda mais feliz? “Ter minha casa própria e poder reconstruir minha vida, reintegrando-me à sociedade”, finalizou.