Texto: Cris Guancino
Prefeitura de Curitiba
A Prefeitura de Curitiba está fazendo correções nas obras das ruas Engenheiro Costa Barros e Filipinas, no Cajuru, em trechos que já haviam passado por requalificação para a expansão do BRT Leste/Oeste (Lotes 4.1 e 4.2). A movimentação pode chamar a atenção de quem circula pela região: mesmo após a conclusão aparente dos serviços, equipes retornaram aos locais para correções determinadas por equipes de fiscalização de obras, para garantir que tudo seja entregue definitivamente à cidade dentro do padrão de qualidade exigido pela Prefeitura.
São correções de problemas identificados, muitas vezes, após a conclusão do escopo da obra e que são realizados sem custo ao município. Alguns estão relacionados a deformidades que surgiram na própria infraestrutura - as chamadas de patologias da obra -, como trincas e fissuras nas placas de concreto usadas na pavimentação. Outros foram provocados por vandalismo, uso inadequado ou imprudência de alguns cidadãos antes de tudo ficar pronto.
No caso das ruas do Cajuru, apesar da fiscalização constante da Setran, um dos problemas é o uso das novas calçadas, que são largas, planas e acessíveis, como estacionamento de veículos, em desacordo com a legislação de trânsito. O peso e as manobras dos carros danificaram a calçada, exigindo a reconstrução de trechos que haviam acabado de ser executados. Pegadas, marcas de pneus e até assinaturas são encontradas no concreto.
Condicionante da obra
O engenheiro e fiscal da Secretaria Municipal de Obras Públicas, Alexandre Beê Amaral, explica que mesmo após a realização da obra, a empresa executora precisa concluir todas as correções que são apontadas antes do recebimento definitivo, que é uma condicionante.
“Quando esse serviço não está de acordo com os padrões técnicos exigidos em projeto, a empresa contratada é notificada pela fiscalização e obrigada a corrigir essas falhas sem nenhum custo adicional para o município. É uma condicionante para a entrega definitiva do objeto do contrato ”, diz Beê.
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Alexandre Beê, engenheiro e fiscal da Smop
Trechos concluídos dos lotes 4.1 e 4.2 foram entregues em março pelo prefeito Eduardo Pimentel e os trabalhos tiveram continuidade em outras frentes do projeto. Agora, as equipes atuam na correção de situações identificadas durante o acompanhamento técnico das obras que tiveram sequência mesmo após as ruas serem liberadas para o uso da população.
Para a população usufruir com qualidade
As grandes obras de mobilidade urbana em andamento na cidade, como as do BRT Leste/Oeste e Novo Inter 2, são executadas por lotes que reúnem um conjunto de intervenções. A estratégia permite que trechos concluídos sejam liberados gradualmente, ao mesmo tempo em que as demais frentes avançam.
“Quando trechos são concluídos, vão sendo entregues para que a população já possa usufruir com segurança e qualidade e os ajustes pontuais vão acontecendo pelas semanas subsequentes, e dentro dos prazos previstos nos contratos”, explica Manuela Marqueño, diretora do Departamento de Pavimentação da Secretaria Municipal de Obras Públicas, que coordena as obras.
Sem custo para a Prefeitura
O acompanhamento técnico é parte fundamental do processo de execução e entrega das obras. Fiscais da Smop e das supervisões, que permanecem constantemente nos locais das obras, fazem um “pente fino” em todas as etapas de execução.
“Muita gente vê a equipe refazendo o trecho de obra e acaba pensando que foi um erro de execução, mas em muitos casos acontece porque o serviço foi danificado antes de a gente entregar a obra, o que vai exigir a correção”, diz Wesley Ponte Maciel, engenheiro da Supervisão dos Lotes 4.1 e 4.2.
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Wesley Ponte Maciel, engenheiro da Supervisão
Wesley aponta como uma das principais causas de manutenção o uso inadequado das calçadas que são um elemento importante dentro do projeto de mobilidade urbana, planejadas para estimular os deslocamentos a pé. O desrespeito de motoristas que usam a calçadas como estacionamento, embarque e desembarque tem provocado afundamentos e quebras das placas de concreto e das rampas e pisos táteis.
“A calçada é projetada para o trânsito de pedestres, não para suportar um peso de veículo. Isso acaba ocasionando trincas e afundamento da calçada e é necessário refazer todo aquele trecho, o que acaba em transtorno para os pedestres”, diz Maciel.
Além de comprometer a infraestrutura, o uso das calçadas como estacionamento compromete a acessibilidade e coloca em risco pedestres, especialmente pessoas com mobilidade reduzida, para quem o espaço é destinado.
De acordo com Manuela Marqueño, assim como o pavimento das pistas, as calçadas são dimensionadas na etapa de elaboração do projeto. Nesse dimensionamento é considerado um reforço adicional nos acessos de veículos, mas o restante da calçada, onde há somente circulação de pedestres, não é projetado para carros e caminhões.
Outra situação constantemente observada é a retirada da sinalização usada para isolar áreas em obra, especialmente em situações onde o concreto usado, tanto na calçada quanto na rua, estão aguardando o tempo de cura do material, para que atinja a resistência necessária. Com isso, pessoas avançam em áreas onde o concreto ainda está molhando, deixando marcas que causam problema futuros.
“Acontece bastante de as pessoas retiraram a fita de isolamento do local da obra e passarem por cima do concreto antes da cura. O concreto precisa de um tempo para ganhar resistência e quando alguém pisa antes desse período, além de estragar todo o acabamento, pode comprometer a qualidade da calçada. Sempre que isso acontece a equipe precisa refazer tudo”, destaca Maciel.
Atitudes simples e boa infraestrutura
A colaboração da população, respeitando a sinalização e os materiais usados para a proteção das obras, além de não subirem nas calçadas com veículos, são fundamentais para garantir uma boa infraestrutura para todos na cidade. “São atitudes simples e que fazem total diferença, permite que a obra seja entregue e concluída mais rápido e com a qualidade que todo mundo espera”, finaliza Maciel.
Para a população usufruir com qualidade
As mudanças a partir da requalificação das ruas do bairro são percebidas por quem vive e trabalha no Cajuru. Moradores e comerciantes destacam a melhoria da infraestrutura, da acessibilidade e da circulação de pedestres, mas reconhecem que a nova configuração das ruas exige adaptação de motoristas e pedestres.
Moradora e comerciante da região há quase duas décadas, Cintia Nara de Souza, tem uma ótica na região e acredita que as novas calçadas, mais largas e acessíveis, e as faixas elevadas nos cruzamentos tornaram o espaço mais agradável para quem circula a pé e também valorizaram o comércio.
“Trouxe uma revitalização. Antes era barro, era cadeirante passando entre ônibus, carro, moto, bicicleta. Agora está bem específico. Tem o ônibus de um lado e os carros do outro e áreas para os pedestres”, diz a comerciante.
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Cintia Nara de Souza, moradora e comerciante do Cajuru.
Cintia também considera que o período atual é de adaptação à nova configuração viária. Para ela, a população precisa se acostumar a deixar o carro de lado e entender que as calçadas devem ser preservadas para os pedestres e que a reorganização das vagas de estacionamento na rua precisa ser entendida dentro da proposta de mobilidade da região.
“A Rua XV não tem lugar para estacionar, no shopping não tem lugar para estacionar na frente da loja, tem que caminhar. Por que aqui no bairro Cajuru tem que ter lugar para a pessoa parar na frente da loja? A gente não vende para carro, a gente vende para pessoas”, diz a comerciante.
Segundo ela, a nova configuração das ruas pode estimular uma mudança de hábito entre moradores e clientes. “A pessoa tem que aprender que tem deixar o carro em casa, se movimentar e caminhar. Estamos passando por um tempo de adequação, aprendendo como estacionar e que a calçada é do pedestre. Tem que reeducar o povo, assim como foi reeducado para a separação do lixo. Agora, vão reeducar com o trânsito”, completou Cintia.
Mudanças positivas
A comerciante Lilian Grasiele Teixeira, proprietária de uma papelaria e loja de artigos para presentes, também percebeu mudanças positivas. Ela destaca principalmente a nova iluminação, a acessibilidade e a melhoria das condições para os pedestres.
“Melhorou muito, principalmente à noite. Para nós é muito bom, porque era muito escuro. A guia alta para o pedestre e para o cadeirante ficou muito boa, ficou muito mais fácil”, conta Lilian.
Segundo Lilian, a reestruturação das vagas de estacionamento também acabou estimulando parte dos clientes a fazer o percurso a pé, o que considera positivo para o comércio. “Quanto mais pedestre circulando melhor para as lojas”, afirma.
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Lilian Grasiele Teixeira,moradora e comerciante do Cajuru
Para as comerciantes, as mudanças a partir das obras contribuiu para valorizar o Cajuru e melhorar a relação das pessoas com o espaço público. “Essa obra deixou o bairro mais bonito, mais valorizado, mostrando que nós temos valor. Hoje o Cajuru é um bairro que tem respeito, que tem que ter dignidade. Então a obra ajudou bastante”, completa Cintia.
O que foi feito no Cajuru
Uma das principais intervenções dos lotes 4.1 e 4.2 foi a implantação de nova pavimentação de concreto na canaleta exclusiva dos ônibus em trechos das ruas Desembargador Mercer Junior, Engenheiro Costa Barros, Filipinas e Ceilão. A solução integra a estratégia de modernização da infraestrutura do transporte coletivo de Curitiba e a requalificação do espaço urbano.
Ao longo de 5,4 quilômetros, as obras requalificaram dez ruas do Cajuru com melhorias na pavimentação, drenagem, sinalização e iluminação pública, além da implantação de calçadas acessíveis, reforma e ampliação de estações-tubo e instalação de mobiliário urbano. As intervenções também incluíram a criação de um novo calçadão na Rua Nagib da Silva e a pavimentação dos acessos ao Terminal Vila Oficinas, ampliando a qualidade, a segurança e a acessibilidade da infraestrutura urbana e do transporte coletivo na região.
PRO Curitiba
O trabalho foi coordenado e fiscalizado pela Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop), com acompanhamento técnico da Unidade Técnico-Administrativa de Gerenciamento (Utag), a partir de projeto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).
As obras fazem parte do Programa de Requalificação e Obras de Curitiba (PRO Curitiba) com financiamento internacional do New Development Bank (NDB), o banco dos Brics, e contrapartida do município.