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Protegendo o cidadão

Vidas que ajudaram a construir quatro décadas da história da Guarda Municipal de Curitiba

Criada no dia 17 de julho de 1986, a GMC conta com um efetivo de 1.320 servidores, que contribuíram com sua trajetória para construir os 40 anos da corporação

Vidas que ajudaram a construir os 40 anos da Guarda Municipal de Curitiba. Na foto, o Guarda Municipal Claudemir Teixeira. Curitiba, 07/07/2026. Foto: Valquir Kiu Aureliano/SECOM

A vida do Guarda Municipal Claudemir Teixeira, de 60 anos, está entrelaçada a história da Guarda Municipal de Curitiba (GMC), criada há 40 anos, no dia 17 de julho de 1986.

Aos 21 anos, ele deixou a fábrica de embalagens onde trabalhava para ingressar na primeira turma de 110 Guardas Municipais de Curitiba, que se formou no dia 04 de agosto de 1988, numa solenidade realizada no Edifício Presidente Castelo Branco, no Centro Cívico.

Numa conversa de pouco mais de uma hora, na sede da GM na Rua da Cidadania da CIC, onde Claudemir trabalha atualmente, ele contou um pouco da sua jornada de quase 38 anos na corporação.  

“Quando você se propõe a fazer algo, faça bem feito, você não vê o tempo passar. Visto a minha farda com orgulho mesmo tendo passado tanto tempo” , afirmou Claudemir Teixeira.

Ele conta que os primeiros locais de trabalho foram o Terminal Guadalupe e  a Praça Tiradentes, no Centro. “Naquela época o trabalho era mais educativo e preventivo, nós cuidávamos das praças, terminais, escolas municipais, creches, postos de saúde. No primeiro ano de trabalho, em 1989, a ronda era feita de ônibus, não tínhamos viaturas para fazer as rondas na cidade. Depois vieram as viaturas, o antigo Gurgel, a Brasília, aquele Gol quadradinho”, recorda Teixeira.

Claudemir foi comandante da extinta Guarda Verde, antiga patrulha de proteção ambiental criada em 1991 para cuidar da segurança dos parques, bosques e áreas florestais. Era utilizada farda verde para diferenciar do restante da corporação, que usava o uniforme azul-marinho.  


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Ele atuou em vários setores da corporação ao longo dos anos, mas foi na Patrulha Escolar, onde está lotado atualmente, que ficou por um longo período. Durante 16 anos trabalhou na Escola Municipal Maria do Carmo Martins, na Vila Sandra, Cidade Industrial. O primeiro Pelotão Escolar da corporação  foi criado em  agosto de 1991 para trazer mais segurança e cuidado para professores e alunos da rede municipal de ensino.


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Claudemir conta que é comum reencontrar ex-alunos das escolas onde ele atua, crianças que tinham sete, oito anos de idade, e agora tem mais de 30 anos. Ele relembra um reencontro marcante: aconteceu há quatro meses, quando foi comprar um refrigerante na loja de um posto de combustíveis perto da base onde trabalha. “Pedi o refrigerante e um doce e, de repente, a moça que trabalha no caixa disse que eu não precisaria pagar. 

"O senhor foi a inspiração para o que eu sou hoje, você me inspirou muito bem para eu seguir o meu caminho”, disse a moça. 

"Fiquei muito emocionado com esse carinho. É muito gratificante ouvir isso, porque as crianças são sinceras, o carinho que elas têm é impressionante”, recorda ele, com um sorriso no rosto.  

A trajetória de Claudemir na Guarda Municipal de Curitiba deve terminar em breve, em novembro ele pretende pedir a aposentadoria e encerrar o trabalho na corporação, mas garante que a Guarda e os amigos continuarão a fazer parte da sua vida. 


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Tudo o que eu tenho na minha vida eu conquistei aqui. A minha contribuição com a segurança, com os projetos de educação, posso dizer que sou realizado profissionalmente, tudo o que eu me propus a fazer, eu fiz. Não tenho nada daquilo que eu não fiz por merecer, o que eu tenho lutei muito para ter”, disse Claudemir Teixeira. 

Mudança de carreira


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A jornada de 38 anos do GM Claudemir Teixeira está prestes a terminar, enquanto a da GM Taísa Martins Mezacasa Mattos, 34 anos, está sendo construída na corporação. Aprovada no concurso de  2015, ela faz parte da 29ª turma, a última que ingressou na Guarda Municipal de Curitiba. Natural de Concórdia, Santa Catarina, a GM Mattos é uma das 103 mulheres que compõem a GMC. O efetivo é de 1320 servidores, sendo 1217 homens.

“ O GM Claudemir tem mais tempo de serviço do que eu tenho de vida. A Guarda é a construção de várias vidas que estão aqui dentro. A vida de cada guarda, por mais que tenha ficado pouco ou por muito tempo, mas cada um imprimiu sua digital aqui dentro nesses quarenta anos. Quem faz a Guarda ser o que ela é somos nós, os próprios guardas”, resumiu Taísa de Mattos. 

Formada em Comunicação e Teologia, ela deixou a carreira numa agência de publicidade em Santa Catarina para ingressar na GMC em 2020. 

“O trabalho na Guarda Municipal foi uma grande oportunidade que tive de fazer algo que eu gostava, e que de fato pudesse fazer a diferença na vida das pessoas ”, afirmou. 


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Entre os primeiros desafios, logo no início da carreira, a escola de formação da 29ª Turma foi interrompida por vários meses por conta da pandemia da COVID-19, com a suspensão das aulas práticas e presenciais no centro de formação. Nesse período, Taísa colaborou com o trabalho da Defesa Civil estadual, onde representou a corporação como voluntária durante a pandemia. “Guardo com carinho a medalha que recebi. Era um trabalho interno, onde a gente separava os alimentos e as roupas, essa foi a primeira oportunidade de exercer um trabalho representando a Guarda Municipal de Curitiba”, revelou. 

No Grupo de Pronto Emprego Operacional (GPEO), da GMC atuou por quase dois anos no centro de Curitiba, onde teve a oportunidade de ganhar  experiência no patrulhamento preventivo e ostensivo, e no policiamento de proximidade, junto aos cidadãos e turistas que frequentam a área central. 

“No centro você tem uma experiência bem ampla, de tudo que a guarda pode fazer, desde orientação ao cidadão, ocorrências, foto com turistas, é de fato uma das melhores experiências para quem acabou de ingressar na guarda. Hoje posso colaborar com a população graças a essa experiência que eu tive na rua”, ressaltou.

Há mais de três anos, Taísa atua como radioperadora no Centro de Operações da GMC, na Muralha Digital, onde recebe as demandas da população pelo telefone 153, e dá o suporte de atendimento para as equipes operacionais. Ela explica que o  Centro de Operações faz a ligação dos guardas que estão nas ruas com a população.


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"Atendi um pedido para ajudar  um bebê engasgado. Orientei um familiar, que explicava aos pais em casa como executar a manobra para desengasgar a criança, e ela voltou a respirar. Os casos de violência doméstica são frequentes, como a mulher gritando e pedindo socorro por medo de um agressor que desrespeitou uma medida protetiva e está no portão da casa fazendo ameaças”, relatou Taísa, lembrando que o controle emocional é muito importante para realizar esse trabalho. 

Ela ressalta a importância que a Guarda Municipal tem na sua vida profissional e pessoal, já que é casada há quatro anos com o também Guarda Municipal Rodrigo Oliveira, que conheceu quando trabalhava na região central e fazia o encaminhamento dos detidos no centro para a delegacia onde Rodrigo trabalhava na época.   


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“A gente tem uma sintonia bem legal, muitas vezes eu avalio a situação por um ângulo, ele avalia por outro, então a gente se complementa e troca os conhecimentos. Assim crescemos juntos no pessoal e na Guarda. Sou muito feliz por poder participar de tudo isso, a Guarda contribuiu muito para a pessoa que eu me tornei hoje, para os amigos que eu conheci aqui e para o futuro que eu quero", concluiu ela.