Em meio à alta dos preços dos alimentos em todo o país, o Armazém da Família, programa da Prefeitura de Curitiba, registrou crescimento de cerca de 35% nas vendas e no número de famílias atendidas em abril deste ano, em comparação com janeiro. No primeiro mês de 2026, os Armazéns da Família registraram faturamento de R$ 8,7 milhões e 96,9 mil atendimentos. Já em abril, o faturamento ultrapassou R$ 11,8 milhões, com mais de 132 mil tickets registrados, o maior volume do ano até agora.
O aumento também aparece no número de famílias que utilizaram o programa ao menos uma vez no mês. Foram 47.998 famílias em janeiro e 59.627 em abril, crescimento de cerca de 24% no período.
O secretário municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, Leverci Silveira Filho, destaca que o fortalecimento do programa acontece justamente em um momento em que o custo da alimentação pesa mais no orçamento das famílias.
“Curitiba tem uma política pública consolidada de abastecimento, que ajuda a proteger o orçamento das famílias diante da alta dos preços dos alimentos. Os Armazéns da Família garantem acesso a produtos essenciais com preços mais acessíveis e permitem que milhares de pessoas mantenham uma alimentação equilibrada sem comprometer as finanças domésticas”, afirma o secretário.
Para Leverci, a retomada das grandes marcas nas prateleiras, aliada aos preços mais baixos do que os encontrados no varejo convencional, ajudou a impulsionar o retorno dos consumidores às lojas da rede municipal.
Armazéns como melhor opção
Neste ano, o programa completa 37 anos. Criado em 1989, o Armazém da Família é uma das políticas públicas mais antigas do Brasil voltadas à segurança alimentar, garantindo há décadas o acesso da população a produtos de qualidade com preços reduzidos.
Além da economia, os consumidores também passaram a encontrar novamente marcas tradicionais e populares nas unidades. A modernização dos processos de compra da Prefeitura agilizou as licitações e permitiu o retorno de produtos conhecidos pelos clientes, como arroz Buriti, farinha Anaconda, Café Coamo, macarrão Renata e achocolatado Nescau.
Rotina da casa
Moradores do bairro Butiatuvinha, o enfermeiro Felipe Silva Mathias, 29 anos, e a esposa, Joyce Silva, 29, contam que o Armazém da Família voltou a fazer parte da rotina da casa nos últimos anos. “Já frequentamos há uns quatro anos. A gente sempre compara os preços com os mercados e, na maioria das vezes, o Armazém é mais barato. Só em promoções pontuais o mercado consegue competir”, diz Felipe.
O casal também aprovou a nova localização da unidade Santa Felicidade, próxima ao terminal. “Ficou muito melhor. Tem sacolão perto, o Armazém aqui do lado, facilita bastante”, completa Joyce.
A doméstica Mônica Rodrigues Ratier, 32 anos, moradora da região, também passou a frequentar mais o programa por causa da economia. “Faz cerca de um ano que venho fazer compras aqui por causa do preço. Como moro perto, ajuda ainda mais. Sempre fico atenta às promoções da semana, com preços em conta e marcas boas”, conta.
Mais barato
Hoje, o programa atende 353 mil famílias cadastradas em Curitiba, beneficiando cerca de um milhão de pessoas. Famílias com renda de até cinco salários mínimos podem participar. Além disso, 163 entidades sociais e filantrópicas também são atendidas pela rede.
A força do programa aparece também no valor da cesta básica. Levantamento recente da Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional mostrou que uma cesta equivalente à calculada pelo Dieese pode ser comprada nos Armazéns e Sacolões da Família por cerca de R$ 496,93 — valor inferior até mesmo à cesta básica mais barata do Brasil, em Aracaju (SE), com valor médio de R$ 562,88, registrada pelo levantamento nacional. Em Curitiba o custo médio é de R$ 745,56.