Ir para o conteúdo
Prefeitura Municipal de Curitiba Acessibilidade Curitiba-Ouve 156 Acesso à informação
Abastecimento

Venda direta garante trabalho para cooperativas associadas ao Nossa Feira

Se o projeto Nossa Feira tem na ponta final consumidores satisfeitos, na outra ponta, na origem, há produtores familiares com novo ânimo. “Se não tivesse essa feira (Nossa Feira), estava abandonando a lavoura”, enfatiza Rogério Nego Seki. Ele fornece verduras hidropônicas pela Cooperativa de Processos Alimentar da Agricultura Solidária (Coopasol), de São José dos Pinhais. A Coopasol atua em parceria e presta serviço à Cooperativa dos Agricultores Familiares da Colônia Castelhanos (Coocastel), que é a permissionária.

“Estava parando de plantar quando saiu esse projeto, resolvi esperar e aproveitar”, lembra Nego Seki. Esse ramos de feiras beneficia, especialmente, o escoamento da safra de agricultores familiares da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O programa de feiras atinge até uma associação paulista, que reúne 115 agricultores familiares do Vale do Ribeira, região que já esteve entre os últimos lugares no ranking de IDH-M (Índice Médio de Desenvolvimento Humano).

A Associação dos Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo (SP) e Adrianópolis (PR) congrega os produtores desses municípios localizados na divisa de São Paulo e Paraná, distantes cerca de 140 quilômetros de Curitiba. Das sete modalidades de feiras existentes, quatro (Nossa Feira/Orgânicas/Emater e Direto da Roça) comercializam e escoam as safras da agricultura familiar. A cooperativa paulista fornece produtos para as Feiras Orgânicas, realizadas semanalmente em 12 pontos da cidade.

Venda direta

A comercialização direta, como permissionários, de agricultores familiares ou reunidos em associações e cooperativas, é o que permite a realização de preço único no programa Nossa Feira. Duas cooperativas e três associações, que juntas integram cerca de 430 produtores, e mais 53 produtores familiares individuais abastecem as feiras com produção familiar. Estima-se que a atividade das feiras no município gera em torno de 1,5 mil empregos diretos e indiretos. 

Com a abertura dessa nova linha regular de escoamento da safra familiar, muitos produtores deixaram de entregar a produção aos atravessadores e aumentaram seus rendimentos possibilitando melhor planejamento do orçamento doméstico. “Estava tendo muito estrago na roça. Vendia um e perdia dois (pés de alface)”, recorda Joana Scolaro, da Coopasol. Trabalhando apenas com o marido, ela disse estar cansada e diminuiu a produção.

Joana passou a entregar só para a cooperativa com a implantação do Nossa Feira.  “Em uma caixa que eu vendia a R$ 6,00, o atravessador vendia a R$ 10,00 até R$ 12,00. Ele só vem transporta e ganha. Quem vende também ganha e quando a verdura chega no mercado tá caríssima”, explica a produtora. Joana conta que esperava 60 até 90 dias para receber dos atravessadores e pela cooperativa recebe mensalmente. 

O rendimento mensal regular permitiu que Joana organizasse as dívidas e pudesse consumir. “As feiras ajudaram bastante. Estamos pagando o trator e consegui comprar a máquina de lavar roupa, estava precisando.” O produtor de hidropônicos, Nego Seki, seguiu caminho semelhante e arrumou trabalho extra como prestador de serviço da Coopasol, no transporte de mercadorias. “Não conseguia sobreviver, nem só da cooperativa, nem só do Ceasa. Com as feiras melhorou nosso rendimento.”

Se comparado à comercialização de grande escala, o volume de produtos de origem familiar comercializado nas quatro modalidades de feiras destacadas ainda é pequeno, cerca de 1,5 mil toneladas de janeiro a outubro deste ano; mas representa a esperança para muitos agricultores familiares. “É um projeto muito bom. Veio de encontro aos pequenos cooperados que precisam desse incentivo para se estruturar melhor”, concluiu Nego Seki.