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Fim de ciclo

Urbanismo dá adeus aos últimos exemplares do acervo histórico, que vão para o Arquivo Público

Os últimos livros históricos da SMU agora, integrarão o acervo do Arquivo Público. A servidora Sandra Cardoso, foi responsável pela organização das publicações para digitalização. Curitiba, 05/03/2026 Foto: Levy Ferreira/SECOM

Texto: Cláudia Gabardo
Secretaria Municipal da Comunicaçao Social (Secom)

A transferência dos últimos cerca de 250 livros com registros antigos da Secretaria Municipal do Urbanismo (SMU) para o Arquivo Público da Prefeitura, nesta quinta-feira (5/3), marcam o fim de um ciclo sobre a documentação da forma de ocupação do solo na cidade. 

É o que explica a diretora do Cadastro Técnico do órgão, Aline Placha Tambosi, que acompanhou a saída do material. “Nesse conjunto estão desde informações registradas à caneta tinteiro a microfilmes e listagens de lotes tiradas de main frame, testemunhas de uma época em que o sistema de controle de lotes era feito manualmente ou no processo primitivo de informatização. Era bem diferente do que temos agora, quando os servidores podem atender às demandas do público acessando o banco de dados, sem necessidade de recorrer aos originais, e de modo muito mais rápido e sem custo”, compara.

Entre os volumes transferidos estão exemplares a partir de 1900, virada do século 19 para o 20. Também fazem parte do acervo Cadernos de Transferência de Aforamento datados de 1925 a 1931, de Títulos de Propriedade (de 1927 a 1966) e de Transferência de Domínio Pleno (de 1931 a 1978).

Ciclos

Entre os registros que deixam as prateleiras da SMU estão anotações feitas à mão até mesmo pela agente administrativa Sandra Cardoso, que entrou para a Prefeitura em 1991, aos 21 anos e grávida do primeiro filho. Com letra de caderno de caligrafia, Sandra usou caneta esferográfica para atualizar o Livro de Anotação no não tão distante dia 25 de maio de 2009.

Aos 57 anos, ela se aposentará em abril, depois de 35 anos de trabalho. “Dediquei a minha carreira a manter os registros atualizados e, mais recentemente, ajudei a preparar o acervo para a digitalização. Considero esses livros como meus bebês, mas é importante que as coisas aconteçam dessa forma. É importante para a história da cidade e para atender ao que nos pedem com mais agilidade”, contou a servidora, que acompanhou a saída dos últimos exemplares.

Acervo histórico

Os volumes remanescentes da SMU fazem parte dos cerca de 40 mil projetos, 2,4 mil plantas de loteamento, 1,2 mil plantas de loteamento primitivas, 600 livros foreiros e 600 pastas de quadrantes foreiros que contêm documentos desde o século 19 até hoje, além de mais de 50 mil projetos construtivos cadastrados até meados do século 20. Há 20 anos essa atribuição migrou da Diretoria de Patrimônio da Secretaria Municipal da Administração – que agora recebe novamente os exemplares – para o Urbanismo.

Todo esse material, que ajuda a contar a história da ocupação do solo em Curitiba, começou a ser enviado para o Arquivo Municipal a partir de meados do ano passado. O objetivo é tratar os exemplares antigos, digitalizá-los e armazená-los em condições mais favoráveis à preservação dos originais.

Todo o material transferido já foi digitalizado e está sendo acessado pelos servidores para atender às demandas do público, sem a antiga necessidade diária de manusear folhas e mais folhas dos originais. A intenção da Prefeitura é que, no futuro, os próprios cidadãos possam fazer a busca e conhecer a história da ocupação da cidade.