Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
A participação em trabalhos voluntários pode ser um fator de motivação para pessoas aposentadas. Algumas encontram, nesse tipo de atividade, a oportunidade de trocar experiências, a partir do conhecimento acumulado ao longo da vida.
É o que faz a professora aposentada da Prefeitura de Curitiba Lilian Vieira de Miranda, de 63 anos, que transformou aquilo que havia construído ao longo da sua história como servidora em possibilidades de trabalhar coletivamente com outras pessoas.
“O trabalho voluntário sempre foi um propósito para mim. Todo mundo sabe fazer algo e tem algo a dividir”, resume.
Lilian, que é formada em artes visuais e pedagogia e é também pesquisadora, diz que encontrou, na confecção de bonecas, uma forma de trabalhar questões complexas e, ao mesmo tempo, ensinar uma atividade que pode gerar renda para mulheres.
Desde a aposentadoria, há cerca de dez anos, Lilian integrou diversos grupos de mulheres voluntárias. O mais recente é o Coletivo Nise da Silveira, que homenageia a psiquiatra brasileira que desenvolvia o trabalho de terapia por meio da arte.
Em parceria com o Coletivo Marianas, ela apresentou à Fundação de Ação Social (FAS) a proposta de uma oficina de bonecas para mulheres em situação de vulnerabilidade.
“A oficina que fizemos na Pousada de Maria foi linda. Trabalhamos com o conto A Moça tecelã, da escritora Marina Colasanti. Elas também aprenderam a fazer as bonecas. Além de fortalecer as mulheres participantes na sua identidade, elas também veem que podem produzir coisas que podem ser fonte de renda”, avalia.
Lilian e suas amigas pretendem voltar para fazer uma atividade de biodança, em breve, associando também literatura e trabalhos manuais.
Atividades complementares
Servidora há 18 anos, a psicóloga da Fundação de Ação Social (FAS) Roberta Hofius, responsável pelo programa Fas o Bem, destaca que a proposta de Lilian convergiu com algo que a FAS busca entre os voluntários: oferecer atividades complementares ao público atendido pela Fundação, que vai desde crianças até pessoas idosas.
“Temos voluntários de todas as idades, sempre a partir de 18 anos – muitos são jovens e temos também várias pessoas aposentadas. Eles procuram a FAS dizendo que têm vontade de ajudar e que querem participar. Muitos manifestam forte desejo de mudança social”, analisa a psicóloga.
O programa foi criado em abril de 2025. De acordo com a portaria que organiza o programa, o voluntário não substitui o servidor municipal ou empregado público municipal.
Voluntários para o Disque Solidariedade
Uma das atividades que costumam demandar a participação de voluntários em parte do ano consiste na triagem das doações recebidas, o que é intensificado durante a Campanha do Agasalho, diante do alto volume de doações.
“Nesse período, o Disque Solidariedade precisa de ajuda para a separação e organização das doações. Para serem encaminhadas a quem precisa, elas precisam estar adequadas. Só assim são encaminhadas às famílias em vulnerabilidade, vítimas de enchentes, incêndios e outras situações de dificuldade”, explica Roberta.
As famílias atendidas ou acompanhadas nesses casos são de Curitiba, cadastradas por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) e Centros de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP).
Cadastre-se ou atualize seus dados
Hofius acrescenta que, ao fazer o seu cadastro, o voluntário pode propor a atividade, informar o horário disponível, a frequência. Uma vez cadastrado, o voluntário é mantido no sistema até que surja uma oportunidade que possa conectar essa pessoa à rede de assistência social gerenciada pela FAS.
Todas as propostas de atividades ou ações para o serviço voluntário devem estar alinhadas às diretrizes da Política de Assistência Social.
Há cerca de quatro meses, o sistema de cadastro do programa passou por mudanças e a recomendação aos interessados que tenham feito o seu cadastro há algum tempo, é para que o façam novamente.
Após a inscrição, o candidato participa de um encontro de acolhida, assina o termo de adesão, apresenta o plano de atuação e os documentos necessários.
Por razões de segurança, para praticar o voluntariado nas unidades de acolhimento institucional que atendem crianças, adolescentes e/ou mulheres em situação de medida protetiva ou violência, são necessários documentos complementares. Todos os detalhes sobre a documentação podem ser consultados na portaria.
Para mais informações, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail voluntariado@curitiba.pr.gov.br .
Onde Lilian começou
Ela trabalhou por 35 anos nas redes estadual e municipal e foi na educação especial que Lilian encontrou uma nova forma de enxergar o trabalho e o próprio papel na comunidade. “Na educação especial, a gente aprende a trabalhar a equidade e temos um olhar inclusivo”, argumenta.
A convivência com as famílias dos estudantes fez com que ela ultrapassasse os limites da sala de aula. Lilian passou a organizar um clube de mães na escola. Nos intervalos em que esperavam os filhos, as mulheres costuravam, bordavam e, principalmente, conversavam sobre suas angústias e medos. Foi nesse espaço de troca que surgiram as primeiras bonecas confeccionadas por Lilian e pelas mães.
Para ela, as bonecas carregam significados que vão além do brinquedo. A experiência levou à criação do grupo Bonequeiras Maluquinhas, que levava projetos a escolas. Com o Coletivo Marianas, chegou a desenvolver um projeto em uma penitenciária de Joinville voltado ao empoderamento feminino e ao aprendizado da confecção das bonecas.
Lilian conta que o trabalho voluntário se tornou uma maneira de transformar aquilo que sabia fazer em uma ferramenta de aproximação e acolhimento.
“As coisas vão se movimentando. A gente muda a visão, é sempre um novo e estamos sempre nos renovando. Para fazer trabalho voluntário, é preciso estar aberta”, analisa.
É servidor e está perto de se aposentar?
A psicóloga Roberta Hofius falou sobre voluntariado na primeira edição do programa Preparando o Futuro, realizado pelo IPMC (Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Curitiba), em abril, para cerca de 100 servidores, que estão perto do momento da aposentadoria. O assunto foi apresentado, segundo o IPMC, devido ao interesse de parte dos aposentados.
No segundo semestre, haverá novo encontro para servidores da Prefeitura de Curitiba. Os interessados podem enviar e-mail para atendimentoipmc@curitiba.pr.gov.br, para que recebam as informações detalhadas e se inscrevam.