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Dia Internacional da Mulher

Trabalhadoras das associações de reciclagem de Curitiba sustentam famílias

Elas são metade dos trabalhadores das associações de catadores de lixo contratadas do programa Ecocidadão

Associação de Catadores de Materiais Recicláveis Unidos do Bairro (Acuba), na CIC. Na imagem: Iva Pierroti, presidente da Associação. Curitiba,07/03/2023. Foto: Ricardo Marajó/SMCS

A Associação de Catadores de Materiais Recicláveis Esperança do Parolin (Arepar) é uma entre as 40 associadas ao programa Eco Cidadão. Os integrantes da Arepar trabalham no barracão localizado no bairro Parolin (Rua Eugênio Parolin). Lá recebem o material da coleta feita pelos caminhões do Lixo Que Não É Lixo, além daquele entregue diretamente pela população ou por empresas e condomínios do entorno. Em seguida, é feita a separação, triagem e venda para reciclagem e reaproveitamento. 

São oito as mulheres, associadas à Arepar, que se envolvem em todas as etapas do processo. Todo dia elas separam cerca de 1,8 tonelada de resíduos recicláveis e orgânicos. “Tudo que os homens daqui fazem, nós também fazemos. Talvez até melhor”, brinca a presidente da associação, Vânia Aparecida Gonçalves, de 43 anos. 

Após anos trabalhando como diarista e cobradora de ônibus, o emprego na Associação trouxe estabilidade para Vânia e sua família, desde que começou há dez anos. É o mesmo para Zenaide Alves Pinagé, de 44 anos, que começou com Vânia. Zenaide é responsável por grande parte da renda familiar e pela gestão da casa onde mora com os dois filhos e o marido. Há quatro meses, também se tornou a guardiã da neta, filha do primogênito que faleceu. 

Em casa, Zenaide já tinha o hábito de reciclar, limpar e separar o lixo.Ter consciência da importância da separação de resíduos, e levar esse comprometimento ao seu local de trabalho é o diferencial do trabalho de uma mulher, segundo ela. 

“Aqui no Eco Cidadão, sem nós, eles não fazem nada. Trabalhamos coletivamente, sem patrão, mas nossa autoridade é uma mulher que é bem respeitada. E também somos nós que temos mais cuidado com a limpeza e a organização das mesas de triagem dos resíduos”, elogia. 

Iva Pierroti, presidente da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis Unidos do Bairro (Acuba), na CIC, é mãe de três filhos e também se orgulha de ter sustentado a família com o dinheiro da reciclagem. Há oito anos no barracão da Acuba, ela ocupa a presidência da associação há quatro.

"Nós somos mais 'sacudidas', o trabalho funciona melhor", diz, sobre a presença feminina na cadeia da reciclagem. Apenas por lá, dos 24 integrantes, 20 são mulheres. "E a maioria é como eu, mulher sozinha, trabalhando para sustentar a família sem reclamar", conta.

Iva começou a trabalhar no barracão para ajudar a cuidar de um dos netos, que tinha quatro anos na época e é portador do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O menino, hoje com 13 anos, é filho do seu filho mais velho e também trabalha com reciclagem. Ela tem outros oito netos e quatro bisnetos.

Ecocidadão

Lançado em 2007, o programa Ecocidadão visa melhorar a qualidade de vida dos catadores de material reciclável da cidade, além de fortalecer a rede de coleta e separação de materiais recicláveis e reutilizáveis. Hoje, são 40 associações que beneficiam cerca de mil catadores e pouco mais da metade são mulheres.

Os associados são remunerados conforme a quantidade de material recebido, valor que é utilizado para suprir as despesas. O lucro vem da venda dos materiais separados nos barracões.

Assim como outras ações da Prefeitura, como o Curitiba Mais Energia, os Ecopontos, Hortas e a Fazenda Urbana, e a campanha da Família Folhas, que inspira a população a separar corretamente os resíduos domésticos, o EcoCidadão é um exemplo de sustentabilidade. À frente desse comprometimento, estão as mulheres.

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