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Marco regulatório

Substitutivo aprimora projeto de segurança alimentar

Texto substitui projeto de lei que trata da melhoria na distribuição de alimentos preparados para consumo na cidade

Moradores em situação de rua fazem sua refeição noturna na Praça Plinio Tourinho que faz parte do Programa mesa Solidária - Curitiba, 05/04/2021 - Foto: Daniel Castellano / SMCS

A prefeitura de Curitiba envia à Câmara Municipal, nesta terça-feira (06/04), um substitutivo ao projeto de lei ordinária (proposição 005.00103.2021), que aborda a melhoria da segurança alimentar na distribuição de alimentos preparados para consumo para população mais vulnerável.

Trata-se de um aprimoramento do primeiro texto enviado no final de março.

O substitutivo reforça aquele que é o ponto central do projeto: melhorar a eficiência e garantir a adequação sanitária da distribuição de tais alimentos à população economia e socialmente mais necessitada, principalmente aquelas que estão em situação de rua.

Além disso, o projeto permite melhores condições de inserção desses grupos na estrutura de apoio social do município, de forma a oferecer a todos oportunidades de desenvolvimento e recuperação pessoal, por meio de programas de assistência e resgate social realizados pelo município.

O novo texto retira alguns itens que geraram arestas de compreensão, dando margem a interpretações que se sobrepuseram, no debate sobre o tema, às principais medidas do projeto, explica o secretário municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, Luiz Gusi.

A previsão de multa pelo descumprimento das regras previstas no projeto de lei, por exemplo, não faz mais parte do texto. O objetivo original era ter um mecanismo que reforçasse o conteúdo das demais medidas.

Organização e segurança na distribuição

Gusi reforça que o projeto contribui para organizar o trabalho de distribuição dos alimentos preparados para consumo, baseando-se em princípios de ação e responsabilidade social responsável de todos em atender os princípios corretos de boas práticas na manipulação de alimentos.

“Estamos propondo um marco regulatório que estabelece bases para garantir eficiência e adequação para atendimento aos princípios corretos de boas práticas de manipulação, transporte e servimento dos alimentos”, diz Gusi.  

“Estamos trabalhando há 14 meses nos três espaços do Mesa Solidária. O objetivo é ampliar a ação conjunta e integrada de um grande ecossistema social, por meio da ampliação de parcerias com instituições e pessoas que estejam dispostas a contribuir com o enfrentamento de um problema que aflige pessoas em vulnerabilidade social, que foi agravada pelo pandemia”, completa.

A proposta é fruto da identificação nos últimos meses de situações que pedem atenção por parte do gestor público. Tais como: ausência atual de parâmetros organizacionais nas atividades exercidas por entidades particulares; divergências frequentes de distribuição atual, ora exagerada em certos pontos, ora com carência de oferta em outros, o que gera desperdício ou escassez de alimentos; nos casos de oferta exacerbada resultam em acúmulo de resíduos orgânicos e rejeitos na vias públicas, contribuindo para proliferação de pragas e vetores urbanos – ou seja, aumentando os riscos à saúde da população em situação de rua; da necessidade de protocolos, informação e capacitação em boas práticas de manipulação de alimentos, cuja ausência pode acarretar riscos a um grupo populacional já exposto a agravos de saúde.

Objetivos da proposta

  • Promover regularidade no acesso à alimentação com qualidade e em quantidade suficiente;
  • Reduzir o desperdício de alimentos e da fome;
  • Construir práticas alimentares promotoras de saúde, ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis;
  • Atender à população em situação de vulnerabilidade e risco social, contemplando a população em situação de rua, de forma organizada, por meio da da conjugação de esforços para o fornecimento de alimentação e, consequentemente, o resgate e a emancipação do indivíduo;
  • Disponibilizar novos espaços sanitariamente adequados para a alimentação;
  • Incrementar e promover acesso a políticas públicas existentes.

O programa estabelece que será incentivada a atuação intersetorial, conjunta, integrada e articulada entre órgãos e entidades da Prefeitura, pessoas físicas e jurídicas públicas ou privadas, Organizações da Sociedade Civil (OSC´s), entidades religiosas, educacionais e sociais do Programa Mesa Solidária.

Isso será feito por meio de um cadastro simplificado, cujo objetivo é melhor conhecer e integrar o ecossistema social existente.

O projeto não se aplica a ações de doação executadas individualmente, que não visem o atendimento coletivo. Gusi esclarece que a proposta, portanto, não afeta o ato de doações pontuais, feitas por exemplo, por pessoas durante seus deslocamentos habituais pela cidade.

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