Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
As ações do poder público e o uso de novas tecnologias para a busca de soluções para habitação de interesse social foram discutidas no painel "Moradia para o mundo: cidades e comunidades seguras e resilientes.” O evento faz parte da sessão “Rumo à Baku: O Caminho Local” do III Fórum Internacional ODS: Dá Pesquisa à Ação, realizado pela Secretaria Geral de Desenvolvimento Econômico Social, do Governo do Estado. A iniciativa faz parte da preparação dos pesquisadores e participantes para o 13º Fórum Mundial de Urbanismo, que ocorre de 17 a 22 de maio, em Baku, no Azerbaijão.
O painel reuniu especialistas em diferentes áreas do conhecimento para análise de ações públicas e privadas em andamento que atendam a demanda por moradia no estado e no município e que respondam aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os dados de Curitiba foram apresentados pela arquiteta e urbanista Ana Zornig Jayme, presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Urbano de Curitiba (Ippuc).
Ana dividiu a discussão com Álvaro Scheffer, CEO da Águia Florestal; Fábio Ortigara, superintendente de obras da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar); Ivan Fernandes, coordenador executivo da Defesa Civil do estado, mediados por Patrick Reymands, consultor da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
Responsável por um terço das emissões de CO2 em todo o planeta, o setor da construção civil tem grande impacto no atendimento das ODS. Além das questões ambientais e de mudança climática, promoção da saúde, bem-estar social e acesso a empregos dignos são algumas das áreas em que as ações impactam no desenvolvimento sustentável.
Para Ana, o fundamental é que gestores públicos tenham clareza dos problemas, para que as soluções e políticas públicas sejam assertivas. “Essas evidências ajudam a definir as melhores estratégias para reduzir desigualdades. Aprofundar o olhar vai atingir diferentes camadas do problema, melhorando a clareza de como resolvê-los”, avalia.
Foi nesse sentido que o Ippuc, com as equipes da Diretoria de Informações e do Hipervisor Urbano, realizou o estudo de qualificação do déficit habitacional na cidade. A partir da metodologia da Fundação João Pinheiro, de Minas Gerais, os técnicos demonstraram como o dado se manifesta no território, identificando as principais formas de falta de acesso à moradia em cada região da cidade.
Com isso, foi possível mapear, a partir dos dados do CadÚnico, a distribuição das quase 35 mil famílias impactadas pela falta de moradia adequada em Curitiba. A principal razão do déficit em Curitiba é o alto custo do aluguel, que corresponde a 88% do total de famílias impactadas. A habitação precária – seja por improvisação ou inadequação das construções – responde por 10%.
“A moradia tem sido debatida em todo o planeta e identificar os problemas nos territórios ajuda a customizar as soluções. Incentivos ao mercado imobiliário, novas soluções construtivas e formas de financiamento são alguns dos caminhos para reunir as iniciativas em torno da questão”, avalia.
Soluções
Em Curitiba, programas como o Bairro Novo do Caximba e as subvenções para retrofit de imóveis no Centro da cidade trazem soluções distintas de moradia. Na intervenção no Caximba, o reassentamento de famílias em situação de vulnerabilidade socioambiental atende também aos desafios de mudanças climáticas e resiliência da comunidade. Nos incentivos à reforma de edificações no Centro, a recuperação da área promove melhor aproveitamento da infraestrutura urbana e a ocupação do Centro.