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É preciso saber viver

Sobre duas rodas, servidoras fortalecem amizade e trilham novos caminhos na aposentadoria

A bicicleta virou ponto de encontro para cuidar da saúde, conhecer lugares, estreitar vínculos e ter alegria de viver

Servidoras Celia Hosoume e Lucélia Auriquio aproveitam aposentadoria com muita alegria de viver. Curitiba, 27/04/2026. Foto: Isabella Mayer/SECOM

Texto: Fabiana Fernandes
Prefeitura de Curitiba

Depois de décadas trabalhando juntas como relações públicas da Prefeitura de Curitiba, Celia Hosoume, 67, e Lucélia Auriquio, 63, seguem lado a lado na aposentadoria. Hoje, vivendo uma nova fase, aproveitam o tempo pedalando, descobrindo novos lugares e fortalecendo o laço construído ao longo da vida.

A amizade tornou-se ainda mais especial quando descobriram em comum o gosto pelos passeios de bicicleta. Para Celia, antes adepta da corrida, pedalar sobre duas rodas passou a ser sua atividade física predileta. “Sempre pratiquei esporte, desde a adolescência. A corrida é mais prática, mas a bicicleta é um exercício maravilhoso, além de te permitir conhecer outros lugares”, declara a servidora.

Depois foi a vez de Lucélia seguir o mesmo caminho e se encantar pela atividade, que também amplia as opções de turismo.

Levaram o hobby tão a sério que decidiram explorar as belezas da Região Metropolitana de Curitiba de bicicleta, durante a pandemia. “Basta ter curiosidade. Existem lugares lindos aqui perto”, afirmam elas que desfrutam, com frequência, da rede de ciclovias de Curitiba e dos municípios vizinhos.

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As aposentadas Celia Hosoume e Lucélia Auriquio na Estrada Ecológica, em Pinhais. Foto: Arquivo Pessoal

Com ou sem bicicleta, viajar é uma paixão das duas servidoras. Em 2025, embarcaram em uma longa jornada, dirigindo 14 mil quilômetros até João Pessoa, na Paraíba. Foram quatro meses fora de casa, muitas paradas, descobertas e lugares inesquecíveis.

Juntas, elas acumulam dezenas de experiências pelo Brasil e mundo afora. “Não é apenas sobre conhecer lugares, mas também as pessoas que vivem ali. Ter curiosidade e interesse pela vida delas em cada lugar por onde vamos, experimentar o jeito de viver, muitas vezes de forma simples, além da culinária”, define Lucélia.

 Antes da aposentadoria, viajar em dupla era mais raro. “A gente trabalhava juntas, quando uma estava em férias, a outra tinha que ficar. De vez em quando, fazíamos pequenas viagens apenas em feriados”, relembram.

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Celia Hosoume e Lucélia Auriquio, em 1995, quando trabalharam juntas como relações públicas da Prefeitura de Curitiba. Curitiba, 1995. Foto: Arquivo Pessoal

A aposentadoria começa antes de se aposentar

Celia Hosoume lembra bem que estava pronta para dar a pausa, aos 55 anos. “Eu não tinha dívidas, eu tinha minha casa, meu carro e algum dinheiro para viajar um pouco. Me preparei fisicamente porque eu queria conhecer o mundo praticando a corrida e carregar a minha mala sozinha, e decidi que era hora da aposentadoria. Eu queria me aposentar com saúde”, declara determinada.

Lucélia também se preparou. Três anos antes da aposentadoria, procurou uma nutricionista. “Mudei de vida. Eliminei 25 quilos antes de me aposentar”, conta. “Eu sabia que ou eu cuidava da saúde, ou iria ficar de médico em médico. Quando chegou a hora, eu estava pronta para ter outra vida, sem a responsabilidade dos horários”, relata com alívio.

As duas amigas concordam: conhecer a si mesmo é fundamental. “É preciso autoconhecimento para aproveitar esta fase. A gente precisa entender do que a gente gosta e do que não gostamos. Eu, por exemplo, sofro com o frio. Por isso, no frio, eu gosto de ir para lugares mais quentes”, conta Lucélia. “Saber o que te faz bem é muito bom”, destaca.

Celia gosta de dormir até mais tarde. “Depois da aposentadoria, esse é meu prêmio”, brinca. “À noite, costumo ter mais concentração.” Ela conta que tem preocupação com a alimentação saudável. “Eu mesma preparo minhas refeições. Cuidar de si toma tempo”, declara. “A gente quer se manter saudável e procuramos cuidar dessa parte também”, completa.

Relacionamentos

Celia defende ainda a convivência com outras pessoas. “Na turma de bicicleta, tem sempre gente nova de todas as idades. E essa convivência é muito interessante”, argumenta.

“Acredito que a convivência intergeracional é importante pra gente não perder a visão e poder ver o mundo de outras maneiras. A gente também aprende com os jovens e isso ajuda a cabeça”, avalia.

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Celia Hosoume e Lucélia Auriquio em Alter do Chão, no Pará. Foto: Arquivo Pessoal

“Noto que algumas pessoas que já se aposentaram esperam que as outras liguem e chamem para fazer alguma coisa. Mas nós podemos ser essa pessoa que chama as outras para fazer algo interessante juntos. Relacionamento é isso, é ser persistente”, diz ela.

As duas explicam que não se veem todos os dias. “Às vezes ficamos semanas sem nos encontrar”, contam. “Cada uma de nós tem outros grupos de amigos, turmas diferentes. E a gente se relaciona com esses grupos também”, explica Hosoume.

Olhos e coração abertos

Participar de cursos em áreas de interesse é uma das sugestões de Lucélia para a fase da aposentadoria. “O último que eu fiz foi de bordado na fotografia, que é uma coisa que eu amo. O ponto de bordado, estou aprendendo”, diz ela. “Estar atenta, aberta e disponível para o novo é algo interessante para quem quer sair da zona de conforto. Nós temos que nos provocar, desafiar o nosso cérebro a aprender algo novo”, afirma. 

As duas amigas se propõem a aprender uma coisa nova por ano. 

Lucélia voltou a fazer aulas de francês, desta vez junto com os sobrinhos, e uniu o aprendizado à convivência familiar. Ela diz que procura estar disponível e observa que, pelas redes sociais, são divulgadas muitas possibilidades de aprendizado o tempo todo. “Tem tanta coisa. Por isso também a gente precisa se conhecer”, enfatiza.

 “O medo da mudança, do desconhecido, paralisa a gente. Mas o novo pode ter coisas incríveis”, garante.

Plano A, B e C

Na opinião de Lucélia que, em 2027 completa dez anos como servidora aposentada, planejar é fundamental. “A aposentadoria traz a tranquilidade para organizar o que queremos fazer. E isso faz toda a diferença, ainda que os planos mudem no meio do caminho”, diz.

Mesmo com tantas preferências em comum atualmente, elas asseguram que sempre foram muito diferentes. “A Celia sempre foi do esporte”, explica Lucélia. “A Lucélia era do boteco”, declara Celia. “A gente sempre foi complementar”, resume Lucélia.

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Celia Hosoume e Lucélia Auriquio. Foto: Isabella Mayer/SECOM

Amor por Curitiba

Em comum, elas sempre tiveram muito amor por Curitiba. Por isso, explorar as ciclovias da cidade é um programa recorrente. Elas observam a extensão das ciclovias da Grande Curitiba e até onde cada uma delas dá acesso.

“Podemos sair do Cajuru (bairro na região leste de Curitiba) de bicicleta e chegar a Piraquara (município da RMC), com segurança e tranquilidade pela ciclovia. Temos uma rede enorme e de qualidade, apesar de alguns trechos na Região Metropolitana que ainda merecem atenção dos prefeitos”, avaliam.

E viver em Curitiba é motivo de muito orgulho. “Eu uso tudo o que nós inauguramos quando éramos servidoras da Prefeitura”, resume Hosoume. “Jardim Botânico, Ópera de Arame, Pedreira Paulo Leminski, o Passaúna, todos os terminais de ônibus e muito mais”, cita Celia.

Ao lado de Lucélia, ela relembra a cidade que ajudaram a apresentar a jornalistas e autoridades do Brasil e do exterior, no tempo em que integravam o setor de Relações Públicas. 

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Agradecimento de 1998 da TV japonesa pelo atendimento na visita do Imperador, realizado pelas aposentadas Celia Hosoume e Lucélia Auriquio quando trabalharam juntas como relações públicas da Prefeitura de Curitiba. Foto: Arquivo Pessoal

“No trabalho, a gente mostrou Curitiba ao mundo. E isso foi gratificante. Por outro lado, o que planejamos para a aposentadoria também está dando muito certo”, diz Celia Hosoume.

Lucélia Auriquio entende que fazer parte da vida da cidade é algo que não acaba na aposentadoria. “A Prefeitura tem coisas legais o tempo todo. Outro dia fui a uma reunião aberta à população para o debate sobre o Plano Diretor. Nós, como servidoras que fomos, podemos continuar participando da vida da cidade”, celebra.