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Patrimônio histórico

Símbolo do art nouveau em Curitiba, Belvedere é reinaugurado

Evento de reinauguração do Belvedere no Alto São Francisco. Na imagem Vice Governador Darci Piana e esposa, Prefeito Rafael Greca e Primeira-Dama Margarita Sansone, Ernani Buchmann e Tania Buchmann - Curitiba, 19/12/2019 - Foto: Daniel Castellano / SMCS

 

Símbolo do art nouveau em Curitiba, o Palácio Belvedere, no São Francisco, foi reinaugurado na noite desta quinta-feira (19/12) com o espetáculo Celebração Belle Époque Brasileira, atração da programação Natal de Curitiba – Luz dos Pinhais 2019.

Após o restauro da edificação histórica, que custou cerca de R$ 1,29 milhão à Prefeitura de Curitiba, o Belvedere, localizado na Praça João Cândido, perto das Ruínas de São Francisco, foi transformado em um espaço cultural da cidade.

Agora, na cor amarela, o local abriga a nova sede da Academia Paranaense de Letras e um café-escola do Sesc-PR. O prédio, construído pelo prefeito Cândido de Abreu, em 1915, teve sua estrutura destruída após um incêndio de grandes proporções, na noite de 6 de dezembro de 2017.

Segundo o prefeito Rafael Greca, o vandalismo e a má utilização do Palácio Belvedere culminaram no estado lamentável em que se encontrava quando aconteceu o incêndio.

“Aqui está a afirmação da nossa memória e do nosso respeito por essa terra e pela nossa gente. Revoga-se o abandono e revoga-se o esquecimento”, disse Greca na reinauguração do espaço histórico.

Segundo o prefeito, as ruínas, o antigo cemitério, os canteiros cobertos por flores e a paisagem do Alto de São Francisco somam-se à vida singular que a Academia Paranaense de Letras dará ao local.

“Acrópole na cidade clássica é o lugar mais bonito. Todas as grandes cidades da antiguidade escolheram o lugar mais alto para guardar a sua alma, a sua memória e a sua identidade. A nossa acrópole ganha um observatório cultural”, afirmou o prefeito.

Mônica Machado Lima, presidente do Conselho Superior da Bienal de Curitiba e bisneta do prefeito Cândido de Abreu, falou em nome da instituição e da família ao homenagear o prefeito Rafael Greca.

“Nós não somos nada sem raízes e o prefeito trouxe pra nós as raízes da nossa história e da nossa cidade”, disse Mônica.

Já o presidente da Academia Paranaense de Letras, Ernani Buchmann, fez questão de lembrar a alegria de ter o Belvedere como sede da academia, pois o local é um patrimônio histórico e cultural da cidade.

Arquitetura e arte

O Palácio Belvedere é reconhecido pelos elementos arquitetônicos típicos do art nouveau, como os desenhos de suas portas e janelas, a composição das varandas, os elementos que adornam o telhado e emolduram os vãos de janelas e portas.

Um prédio que guarda a história curitibana e mantém a principal característica: a vista privilegiada da cidade. Assim como os belvederes franceses, cuja principal função era servir de mirante, o Belvedere curitibano, ainda hoje, permite a deslumbrante vista do Centro Histórico da cidade.

“Estas são as janelas mais lindas do mundo. Até porque é o único exemplar de art nouveau que revela a paisagem da nossa amada Curitiba”, disse Rafael Greca.

Noite de celebração

Uma festa de cores, luzes, ritmo e beleza marcou a reinauguração do Palácio Belvedere. A comemoração reuniu centenas de acadêmicos, autoridades e pessoas que foram assistir a Celebração Belle Époque Brasileira.

A encenação, que levou para o nostálgico prédio da Praça João Cândido músicas brasileiras do fim do século 19, teve como solista a atriz e cantora Rosana Stavis.

A artista interpreta canções de Chiquinha Gonzaga (1847-1935) e Brasílio Itiberê (1846-1913). Caracterizada de Chiquinha Gonzaga, apresentou as obras Abre Alas, Lua Branca e Tico-tico no Fubá, de Chiquinha Gonzaga, e Valsa Acadêmica, de Brasílio Itiberê.

O musical foi acompanhado por um grupo de choro do Conservatório de MPB e regido pelo maestro Lucas Melo.

Presenças

Acompanharam a reinauguração a primeira-dama de Curitiba, Margarita Sansone; o vice-prefeito, Eduardo Pimentel; os senadores Flávio Arns e Oriovisto Guimarães; o vice-governador do Paraná, Darci Piana, o deputado federal, Ricardo Barros; o presidente da Associação Comercial do Paraná, Glaucio Geara; a presidente da Sociedade Garibaldi, Cida Borghetti; a presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Ana Cristina Castro; a presidente do Instituto Municipal de Turismo, Tatiana Turra; os secretários municipais de Obras Públicas, Rodrigo Rodrigues; Esporte, Lazer e Juventude, Emilio Trautwein; e Meio Ambiente, Marilza Dias. Também prestigiaram o evento, os vereadores Maria Manfron e Sergio Balaguer.

Restauro minucioso

Meses antes do incêndio de dezembro de 2017, o prefeito Rafael Greca já havia anunciado que liberaria recursos para readequar o Belvedere e transformá-lo em um espaço cultural.

Em junho de 2017, o prefeito chegou a assinar um decreto que transferiu R$ 1,073 milhão, oriundos da venda de potencial construtivo, para este fim, mas o incêndio ocorreu antes que as obras de revitalização tivessem sido iniciadas.

A obra de restauro do Belvedere, que faz parte do Programa Rosto da Cidade, teve início em dezembro de 2018, com projeto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), e foi concluído em um ano. O investimento da Prefeitura de Curitiba foi de R$ 1,29 milhão, e a execução da obra feita pela equipe da Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

Na primeira etapa, foi feita a remoção do entulho, a limpeza da fuligem e a instalação do canteiro de obras. Também foram demolidas as partes de alvenaria.

Depois, começaram os restauros da alvenaria e da carpintaria interna, envolvendo o piso, vigas e esquadrias. Finalizado o telhado, foi feito o piso do pavimento superior e os demais serviços para a recomposição da estrutura do prédio, como a reconstrução e restauro das esquadrias.

De acordo com Reinaldo Pilotto, superintendente de Obras e Serviços da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, a reconstrução e restauro das esquadrias foi uma das partes mais demoradas e complexas do restauro.

“Esta parte foi bastante demorada porque as esquadrias têm molduras e aplicações entalhadas em madeira que demandam um trabalho técnico especializado, e todas as que estavam no piso superior foram perdidas”, lembra Pilotto.  

Também foram feitas as instalações elétricas, instalado o forro e lixadas e pintadas as paredes. O prédio ganhou, ainda, um elevador externo, construído em estrutura metálica com fechamento em vidro, favorecendo a acessibilidade do local. Um deck de madeira, o jardim florido, a nova iluminação no entorno e a iluminação cênica das Ruínas de São Francisco realçam a beleza da praça.

Belvedere guarda achado arqueológico

Durante as obras de restauração, um achado arqueológico chamou a atenção de pesquisadores. Em setembro de 2019, a equipe encarregada da obra encontrou uma ossada humana enterrada no local.

“É possível que seja do capitão Manoel de Paula Guimarães, que em 1808 construiu o antigo cemitério da igrejinha de São Francisco de Paula e há muito dorme o sono da eternidade nesse Alto de São Francisco. Louvo, com respeito, os que foram grandes e foram nossos”, observou Rafael Greca, durante uma das vistorias que realizou a obra.

A equipe técnica do Museu Paranaense acompanhou a retirada da ossada, que agora faz parte do acervo arqueológico do museu.

Patrimônio

O Palácio Belvedere é uma Unidade de Interesse de Preservação desde 2016. Construído pelo prefeito Cândido de Abreu, entre 1912 e 1915, para facilitar a observação da Serra do Mar, já abrigou diversas atividades ao longo do século.

Em 1922, a primeira emissora de rádio do Estado, a PRB-2. Em 1931, foi transformado em observatório astronômico e meteorológico e, em 1962, serviu de sede para a União Cívica Feminina.