Texto: Vanessa de Paula Brollo
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
A paixão pela gastronomia surgiu cedo na vida da empresária Gabriela Vilar de Carvalho. Ainda adolescente, aos 15 anos, ela percebeu que cozinhar e servir pessoas poderia ser mais que uma profissão. Poderia ser uma forma de se conectar com o mundo.
Formada em hotelaria, passou cerca de dez anos fora do Brasil. Durante esse período viveu e trabalhou em diferentes países, como China, Suíça, Estados Unidos e outros destinos da Europa. A experiência internacional ajudou a moldar sua visão de mundo e a aprofundar o interesse pela gastronomia.
Quando voltou ao Brasil, decidiu compartilhar esse conhecimento de outra forma. Passou a atuar como consultora para pequenos restaurantes em diferentes regiões do país. O trabalho, que inicialmente parecia apenas uma nova etapa profissional, acabou se transformando em um processo de redescoberta do próprio Brasil.
Antes de abrir o Quintana Gastronomia, Gabriela frequentava feiras orgânicas da cidade e percebeu uma oportunidade. Muitos agricultores vendiam diretamente ao consumidor, mas quase não tinham restaurantes como clientes.
“Eu decidi abrir o restaurante muito influenciada pelos produtores orgânicos das feiras da cidade. Muitos deles trabalham há décadas ali, especialmente produtores da região de Campo Largo e Campo Magro, e eu percebi que eles quase não forneciam para restaurantes”, explica.
O valor do orgânico
Fundado em 2008, no bairro Batel, o restaurante nasceu com a proposta de valorizar alimentos orgânicos e estabelecer uma relação direta com produtores da região. A empresária explica que sustentabilidade não é apenas conceito. O espaço conta com compostagem de resíduos orgânicos, captação de água da chuva para jardinagem e uso nos sanitários, além de um jardim que abriga colmeias de abelhas nativas sem ferrão.
O restaurante reúne cerca de 25 colaboradores. Em um setor conhecido pela alta rotatividade de funcionários, o Quintana tem um cenário diferente. A média de permanência dos colaboradores é de aproximadamente 15 anos, resultado de uma cultura de valorização da equipe e de investimento em formação profissional.
“O momento agora é investir ainda mais no desenvolvimento das pessoas. Estamos trabalhando muito com treinamento de liderança. A equipe tem muita potência e queremos preparar cada vez mais essas pessoas para crescer com o negócio”, explica Gabriela.
História reconhecida
O reconhecimento a essa trajetória veio com o segundo lugar na categoria Empresa de Pequeno Porte do Prêmio Empreendedora 2025. Para ela, mais do que um título, o prêmio representa uma confirmação de que o caminho escolhido faz sentido.
“Eu aprendi muito com a cultura indígena sobre reconhecer, honrar e celebrar. Para mim, esse prêmio é exatamente isso, uma celebração. Uma forma de entender que estamos no caminho certo e que ainda existe muito espaço para evoluir e continuar contribuindo com as pessoas e com a sociedade”, afirma a empresária.
Inspiração
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Paulo Martins, histórias como a de Gabriela mostram a força do empreendedorismo curitibano.
“Curitiba tem um ambiente muito favorável para quem empreende com propósito. O caso da Gabriela mostra como é possível transformar conhecimento, criatividade e responsabilidade social em um negócio de sucesso que também gera impacto positivo para a cidade”, afirma.
O presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, Dario Paixão, destaca que iniciativas como o Quintana ajudam a fortalecer uma economia mais sustentável e conectada ao território.
“Empreendimentos como o Quintana Gastronomia destacam-se ao demonstrar que a inovação transcende os limites tecnológicos e se manifesta em modelos de negócios que promovem a sustentabilidade, valorizam produtores locais e colocam as relações humanas no centro de suas operações”, afirma o presidente.