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Elas empreendem

Restaurante orgânico de Curitiba une gastronomia, sustentabilidade e muito sabor

Dona do Quintana Gastronomia, Gabriela Vilar de Carvalho foi uma das vencedoras do Prêmio Empreendedora em 2025

Gabriela Aksamitas Vilar de Carvalho, do Quintana Gastronomia, que ficou em 2º lugar como empresa de pequeno porte no Prêmio Empreendedora. Curitiba, 09/03/2026. Foto: Isabella Mayer/SECOM

A paixão pela gastronomia surgiu cedo na vida da empresária Gabriela Vilar de Carvalho. Ainda adolescente, aos 15 anos, ela percebeu que cozinhar e servir pessoas poderia ser mais que uma profissão. Poderia ser uma forma de se conectar com o mundo.

Formada em hotelaria, passou cerca de dez anos fora do Brasil. Durante esse período viveu e trabalhou em diferentes países, como China, Suíça, Estados Unidos e outros destinos da Europa. A experiência internacional ajudou a moldar sua visão de mundo e a aprofundar o interesse pela gastronomia.

Quando voltou ao Brasil, decidiu compartilhar esse conhecimento de outra forma. Passou a atuar como consultora para pequenos restaurantes em diferentes regiões do país. O trabalho, que inicialmente parecia apenas uma nova etapa profissional, acabou se transformando em um processo de redescoberta do próprio Brasil.

Antes de abrir o Quintana Gastronomia, Gabriela frequentava feiras orgânicas da cidade e percebeu uma oportunidade. Muitos agricultores vendiam diretamente ao consumidor, mas quase não tinham restaurantes como clientes.

“Eu decidi abrir o restaurante muito influenciada pelos produtores orgânicos das feiras da cidade. Muitos deles trabalham há décadas ali, especialmente produtores da região de Campo Largo e Campo Magro, e eu percebi que eles quase não forneciam para restaurantes”, explica.

O valor do orgânico

Fundado em 2008, no bairro Batel, o restaurante nasceu com a proposta de valorizar alimentos orgânicos e estabelecer uma relação direta com produtores da região. A empresária explica que sustentabilidade não é apenas conceito. O espaço conta com compostagem de resíduos orgânicos, captação de água da chuva para jardinagem e uso nos sanitários, além de um jardim que abriga colmeias de abelhas nativas sem ferrão.

O restaurante reúne cerca de 25 colaboradores. Em um setor conhecido pela alta rotatividade de funcionários, o Quintana tem um cenário diferente. A média de permanência dos colaboradores é de aproximadamente 15 anos, resultado de uma cultura de valorização da equipe e de investimento em formação profissional.

“O momento agora é investir ainda mais no desenvolvimento das pessoas. Estamos trabalhando muito com treinamento de liderança. A equipe tem muita potência e queremos preparar cada vez mais essas pessoas para crescer com o negócio”, explica Gabriela.


História reconhecida

O reconhecimento a essa trajetória veio com o segundo lugar na categoria Empresa de Pequeno Porte do Prêmio Empreendedora 2025. Para ela, mais do que um título, o prêmio representa uma confirmação de que o caminho escolhido faz sentido.

“Eu aprendi muito com a cultura indígena sobre reconhecer, honrar e celebrar. Para mim, esse prêmio é exatamente isso, uma celebração. Uma forma de entender que estamos no caminho certo e que ainda existe muito espaço para evoluir e continuar contribuindo com as pessoas e com a sociedade”, afirma a empresária.

Inspiração

Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Paulo Martins, histórias como a de Gabriela mostram a força do empreendedorismo curitibano.

“Curitiba tem um ambiente muito favorável para quem empreende com propósito. O caso da Gabriela mostra como é possível transformar conhecimento, criatividade e responsabilidade social em um negócio de sucesso que também gera impacto positivo para a cidade”, afirma.

O presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, Dario Paixão, destaca que iniciativas como o Quintana ajudam a fortalecer uma economia mais sustentável e conectada ao território.

“Empreendimentos como o Quintana Gastronomia destacam-se ao demonstrar que a inovação transcende os limites tecnológicos e se manifesta em modelos de negócios que promovem a sustentabilidade, valorizam produtores locais e colocam as relações humanas no centro de suas operações”, afirma o presidente.