As secretarias municipais de Saúde (SMS) e de Trânsito (Setran) apresentam nesta quinta-feira (21), às 8 horas, no auditório do Mercado Municipal, dados e relatórios do projeto Vida no Trânsito, uma ação interministerial do governo federal desenvolvida em parceira com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas)/Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Bloomberg Philanthropies, fundação internacional de promoção de atividades na área social.
Participam do evento os secretários municipais da Saúde, Adriano Massuda, do Trânsito, Joel Krüeger, e da Comunicação Social, Gladimir Nascimento, e também representantes da comissão interministerial do projeto no Brasil e de órgãos públicos e instituições parceiras.
Após a apresentação, um grupo formado por representantes do Ministério da Saúde, Opas/OMS, SMS e Setran conversa sobre o projeto Vida no Trânsito com o prefeito Gustavo Fruet, no gabinete dele.
O principal objetivo do projeto, lançado em 2010 e coordenado pelo Ministério da Saúde, é reduzir lesões e óbitos no trânsito em municípios selecionados pela comissão formada por representantes da Presidência da República (Casa Civil, Secretaria de Direitos Humanos/SDH, Secretaria Geral) e dos ministérios da Saúde, da Justiça (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas/Senad e Departamento de Polícia Rodoviária Federal/DPRF), dos Transportes (Secretaria de Política Nacional de Transporte) e das Cidades (Departamento Nacional de Trânsito e Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana).
Ainda integram o grupo representantes da Opas/OMS, Bloomberg Philanthopies, Universidade John Hopkins (JHU) e Global Road Safety Partnership (GRSP). Também há parcerias com a Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
A comissão selecionou para o projeto as capitais Curitiba (PR), Teresina (PI), Palmas (TO), Campo Grande (MS) e Belo Horizonte (MG). Para atuação nas cidades, foram eleitos dois fatores de risco prioritários, que devem nortear as medidas de prevenção: associação entre direção e bebida alcoólica e excesso de velocidade.
Em Curitiba, considerando o perfil de mortalidade no trânsito do município, foram agregados dois grupos de risco: o pedestre e o motociclista. Números de 2011 apontam 321 óbitos em 308 acidentes de trânsito na capital paranaense, com 1.514 vítimas graves (hospitalizadas). O projeto prevê ações nas áreas de engenharia, fiscalização e educação.
Segundo Vera Lídia Alves de Oliveira, coordenadora de diagnóstico em saúde da SMS, os acidentes de trânsito são as principais causas de morte e internação em Curitiba, gerando um custo muito alto para o setor da saúde. “O trânsito é o segundo fator responsável por mortes violentas na capital paranaense, perdendo apenas para as agressões. Atualmente, pela alta mortalidade, o trânsito é considerado um problema de saúde pública”, confirma.
Para a coordenadora, a prevenção aos acidentes é importante porque boa parte deles ocorrem por erros previsíveis, que poderiam ser evitados com mais atenção dos motoristas e pedestres. “Estamos trabalhando para reverter esse quadro e buscarmos uma qualidade de vida melhor para o município. Precisamos reduzir os acidentes para termos uma mobilidade segura na cidade”, completa.
Cassiano Novo, diretor de educação no trânsito da Setran, diz que o projeto tem um método específico de análise das ocorrências de trânsito, bem como o objetivo de reduzir em 50% as fatalidades no trânsito no prazo de dez anos. “É um programa que visa integrar a sociedade como um todo, unindo órgãos públicos, instituições, ONGs e a própria população, para que se construa um pacto de redução dos acidentes no trânsito. É preciso que todos se comprometam com a prevenção dos acidentes, gerando um espaço mais seguro para o trânsito em Curitiba”, explica.
Ação global
O Projeto Vida no Trânsito teve origem com a escolha do Brasil para integrar uma ação global chamada Road Safety in 10 Countries (RS 10), coordenada pela Opas/OMS e financiada pela Bloomberg Philanthropies. Os objetivos são estimular, nos países financiados, ações de prevenção a lesões e mortes no trânsito e aumentar a capacidade de avaliar os projetos.
Além do Brasil, a Opas/OMS e a Bloomberg Philanthropies selecionaram outros nove países para implantar projetos de segurança no trânsito: Rússia, Turquia, China, Egito, Índia, Camboja, Quênia, México e Vietnã, escolhidos em função da alta taxa de mortalidade causada pelo trânsito – juntos, eles respondem pela metade das mortes no trânsito em todo o mundo.