Texto: Quiteria Otilia Neves Brevilheri
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Como estimular os estudantes a pensar em seu futuro financeiro e previdenciário antes mesmo de terem a responsabilidade pela própria subsistência? O desafio tem sido pauta do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Curitiba (IPMC), que tem levado a educação previdenciária a diversos públicos.
Nesta terça-feira (15/9), professores de matemática do Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) da Rede Municipal de Ensino de Curitiba participaram da capacitação do Projeto Construindo o Futuro. O objetivo foi fornecer ferramentas práticas para que o assunto seja levado à sala de aula de maneira lúdica e que estimule a ação.
“Este projeto é fruto de um convênio firmado entre o IPMC e a Secretaria da Educação, sendo este o nosso primeiro encontro presencial com os professores. Nosso objetivo é oferecer recursos práticos que facilitem o ensino desses temas”, informou a assessora técnica do IPMC, Fernanda Ferro.
Além de apresentar o projeto e a contextualização do cenário do futuro financeiro e previdenciário das novas gerações, a equipe trouxe um jogo criado para instrumentalizar professores e estudantes nessa tarefa. Durante a capacitação, cada professor pôde conhecer e testar o jogo.
“Eu a achei excelente, pois o jogo permite que os alunos compreendam que a gestão financeira familiar também depende de sua colaboração. Ao observarem as despesas cotidianas dos pais, como aluguel, transporte e alimentação, e aplicarem essa vivência ao jogo, eles passam a refletir sobre sua participação direta na economia doméstica”, disse a professora Nádia Strobel de Luca, da Escola Municipal Julia Amaral de Lenna, no bairro Barreirinha.
Antes de conhecer a ferramenta, Nádia destacava os desafios de transformar o ensino de matemática em educação financeira.
“Minha formação profissional foi voltada estritamente para o cálculo, abordando aspectos técnicos como juros e porcentagens, mas sem a perspectiva da educação financeira aplicada. Acredito que essa abordagem prática é o que realmente faz falta para todos nós”, completou Nádia.
O professor Julio Cesar Cruz Machado Junior, da Escola Municipal João XXIII, concordou com a colega e destacou a necessidade de incluir atividades práticas voltadas à educação financeira.
“Embora tenhamos aprendido a pesquisar, adaptar ou criar atividades lúdicas e digitais para o ensino da matemática, não houve preparo para tratar temas como o controle de impulsos, a influência da mídia e a pressão pelo consumo ou pela ostentação. É fundamental que o aluno compreenda que tais influências não proporcionam o valor real de que ele necessita para construir um futuro financeiramente equilibrado e estável”, declarou Julio Cesar.
Prática nas salas de aula
Os kits físicos do jogo desenvolvido pelo IPMC serão encaminhados às escolas e também serão disponibilizados em formato digital para que as instituições possam imprimir e disseminar o material.
“Sobre a concepção do jogo, o desafio surgiu porque precisávamos abordar o tema com alunos do Ensino Fundamental II e, após avaliarmos formatos como palestras e peças teatrais, optamos pela gamificação. O principal estímulo foi a busca por uma metodologia dinâmica, que permitisse aos estudantes vivenciar, na prática, os conceitos de planejamento, tomada de decisão e visão de futuro”, conta a assistente social Danieli Kiefer, principal responsável pela criação do jogo.
A parceria entre IPMC e Educação será fortalecida com novas turmas de capacitação, ainda em planejamento entre as duas pastas.