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Crianças aprovaram

Com liberdade para escolher, CMEI de Curitiba transforma brincadeiras em aprendizado

Processo democrático de escolha dos materiais pedagógicos envolveu professoras, diretoras e famílias

CMEI adquire materiais e brinquedos com o fundo rotativo. Curitiba, 11/09/2026. Foto: Valquir Kiu Aureliano/SECOM

Onde termina a brincadeira e começa o aprendizado? Na educação infantil, brincar e aprender estão totalmente conectados e a busca por materiais pedagógicos lúdicos e que estimulem a criatividade de professoras e crianças faz parte do dia a dia da sala de aulas.

No CMEI Mário Covas, no bairro Augusta (CIC), chegaram na semana passada os materiais adquiridos com os R$ 30 mil da emenda parlamentar do vereador Zezinho do Sabará, uma novidade que ajudou a equipe a montar uma lista diferente de brinquedos, papelaria e outros objetos usados nas atividades pedagógicas.

As 74 crianças matriculadas, entre 3 e 6 anos, estão encantadas com as novidades: jogos de montar, caixa de ferramentas, jogo de cozinha, bancada de cabelereiro, quebra-cabeças, jogos em madeira, imãs e até uma barraca agora fazem parte das atividades propostas para as quatro turmas, do Maternal 1 e 2, Pré-1 e Pré-2.

APPF

Mãe de Eduardo, de 3 anos, a presidente da Associação de Pais, Professores e Funcionários (APPF) do CMEI Mário Covas, Thaís Gonçalves de Deus, gostou da iniciativa.

“Pudemos selecionar uma ampla gama de recursos que atendem diretamente a criatividade dos professores. Eles trazem várias ideias, várias formas de ensinar para o plano de aulas e esses materiais estão empolgando as crianças”, disse Thaís, relatando a alegria do filho em vir para a escola. “Ele vê essas coisas novas chegando e fica muito animado e aplica tudo que aprende em casa também”.

Autonomia

Segundo a diretora, Eliane Rodrigues Maria dos Santos Nascimento, há 30 anos na Rede Municipal de Ensino, a gestão democrática foi fundamental para selecionar os materiais pedagógicos. “Antigamente, éramos limitados a uma lista de compras preestabelecidas e hoje temos autonomia para identificar as necessidades reais de cada turma”.

A partir de um banco de itens, as professoras puderam selecionar os materiais pedagógicos e brinquedos necessários, respeitando o teto orçamentário. Dos R$ 30 mil recebidos, foram priorizadas as salas de aula, destinando cerca de R$ 4 mil para cada uma, além de suprir demandas essenciais de higiene e limpeza. Além disso, foram investidos recursos na ambientação da entrada do CMEI.

“Criamos um espaço de acolhimento com brinquedos de madeira, onde as famílias podem interagir com as crianças no momento de chegada ou saída. É um espaço vivo, de uso real, que reforçamos constantemente em comunicados às famílias, pois acreditamos que esse momento de convivência é fundamental para o acolhimento escolar", conta Eliane, que submeteu todo o plano de compras e orçamentos à APPF e ao Conselho Escolar.

“Quando ofereci a oportunidade de escolha, percebi uma surpresa positiva: elas perguntaram se realmente poderiam participar da decisão. Reforcei que, como o recurso pertence ao coletivo, a escolha deveria ser delas, e não apenas minha. Nesse momento, notei que se sentiram valorizadas e incluídas no processo”, defende a diretora.

Alegria em sala de aula

“Na educação infantil, o brincar e o aprender são indissociáveis. Utilizamos esses recursos como ferramentas pedagógicas estruturadas, que permitem o aprendizado por meio de jogos. Ao incluí-los no planejamento, estimulamos a criatividade e o desenvolvimento integral das crianças, aproveitando o potencial transformador que a novidade traz para o cotidiano escolar”, ressalta a professora do Pré-2, Edicarla Roza.

Na turma do maternal 2, da professora Letícia Milena Gonçalves, a barraca montada em um canto da sala fazia sucesso. As crianças já haviam construído um foguete de papelão, motivo de orgulho e de muitas brincadeiras. Agora, a barraca é mais um item de criatividade, que estimula o aprendizado.

“A barraca tornou-se o centro das atividades por possibilitar o jogo simbólico. Seja como uma casa, um foguete ou um espaço de leitura, ela permite que as crianças criem narrativas e interajam entre si. O fato de as crianças também terem auxiliado na escolha dos brinquedos fez com que se engajassem ainda mais, aproveitando cada recurso disponível com muito mais significado”.

Fundo rotativo

O Programa Fundo Rotativo repassa recursos financeiros às unidades da Rede de Ensino para a manutenção do dia a dia e outras despesas relacionadas com as atividades educacionais. Criado pela Lei Municipal nº 14755 de 25 de novembro de 2015 e regulamentado pelo Decreto nº 281, de abril de 2016, o fundo recebeu, a partir deste ano a possibilidade de cota extra com emendas parlamentares, uma importante inovação administrativa que permite, neste ano, a execução descentralizada de R$ 6,3 milhões em recursos destinados pelos vereadores às unidades educacionais da rede pública.

Em 2026, são 256 emendas parlamentares destinadas a 208 unidades, oriundas de 27 vereadores, com valor total de R$ 6.365.000,00. Os valores por emenda variam de R$ 10 mil a R$ 200 mil.


“A forma como a diretora definiu a aplicação do orçamento recebido impactou diretamente nas salas de aula. A equipe do CMEI pôde vincular a decisão sobre os recursos da Educação à ação do educar e isso é muito significativo”, declara o secretário municipal da Educação, Paulo Schmidt.