Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Os servidores da Prefeitura de Curitiba participarão de uma ampla pesquisa relacionada aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. O instrumento é uma das ferramentas para auxiliar na identificação dos locais cuja organização do trabalho ou gestão pode ter impacto na saúde mental, física e social dos trabalhadores.
A partir desta terça-feira (26/5), entra em vigor a nova redação da NR-1, norma regulamentadora que trata do gerenciamento de riscos ocupacionais e que tornou obrigatória a inclusão dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho. Eles passam a fazer parte do Programa de Gerenciamento de Riscos.
A nova redação da NR-1 estabelece que o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) “deve abranger os riscos decorrentes de agentes físicos, químicos e biológicos, acidentes e os riscos relacionados aos fatores ergonômicos, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho”.
Com a mudança, empresas, órgãos públicos e outras organizações que empregam pessoas de todo o País devem observar, identificar, avaliar e controlar os fatores existentes no ambiente de trabalho que possam afetar a saúde mental, como assédio, sobrecarga de trabalho e jornadas extensas.
“O cumprimento da norma é responsabilidade de cada um dos gestores da Prefeitura de Curitiba e de todas as secretarias e órgãos. E os trabalhadores também participarão desse processo”, declara a secretária de Gestão de Pessoal, Daniele Regina dos Santos, ao destacar que os servidores que trabalham em cada unidade da Prefeitura são os que podem informar a existência ou não de determinado risco psicossocial.
Questionário anônimo
Uma das estratégias que será utilizada pela Prefeitura de Curitiba será o levantamento preliminar de perigos e riscos, por meio de uma pesquisa elaborada pelo Departamento de Saúde Ocupacional da SMGP.
O questionário tem como referência o Copenhagen Psychosocial Questionnaire (COPSOQ II). São 48 questões que abordam temas como assédio, conflitos, a sobrecarga no trabalho, a falta de autonomia, de reconhecimento, entre outros aspectos próprios dos riscos psicossociais.
Os servidores respondem ao questionário de forma anônima.
Os primeiros a responder a pesquisa são os servidores da Secretaria Municipal da Saúde. O levantamento começou há algumas semanas em parte das unidades de pronto atendimento (UPA) do Município.
“Esse tipo de pesquisa fará parte da rotina dos servidores periodicamente. Por isso, convidamos os servidores que já receberam as informações para a sua participação para que respondam o questionário. Todos podem ficar tranquilos, pois as informações são sigilosas”, avisa a psicóloga Erliete Bernardi Melinski, uma das integrantes do Grupo de Trabalho de Riscos Psicossociais da Prefeitura.
A pesquisa anônima de riscos psicossociais é diferente da Pesquisa de Saúde Mental realizada entre novembro de 2025 e março de 2026 com servidores municipais e que tinha o objetivo de verificar como estava a saúde mental de cada trabalhador.
“Desta vez, o foco é verificar as condições em que as atividades de trabalho são realizadas, se existem fatores que podem adoecer o servidor”, completa Erliete.
Grupo de trabalho
Para cumprir a NR-1, a Prefeitura de Curitiba conta com o Grupo de Trabalho de Riscos Psicossociais, formado por psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, técnicos de segurança do trabalho, médicos do trabalho e engenheiros.
O grupo multidisciplinar conta com integrantes de todas as gerências do Departamento de Saúde Ocupacional da SMGP e será responsável pela identificação de riscos psicossociais no ambiente de trabalho que possam afetar a saúde e o bem-estar dos servidores.
Além de identificar os locais, os integrantes devem avaliar e propor medidas preventivas e corretivas, que devem ser executadas conforme cronograma definido por cada secretaria.
O Grupo de Trabalho também planeja a realização de palestras e orientações aos servidores sobre os riscos psicossociais.
A primeira delas teve a participação dos agentes de segurança local da Prefeitura de Curitiba (Agesel), servidores designados para observar, orientar e avaliar aspectos da rotina do servidor no trabalho para que haja um ambiente saudável.