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Cidade mais humana

Prefeitura cria Área Calma no Centro, com velocidade reduzida, mais árvores e melhorias na acessibilidade

Em mais um passo para humanizar o espaço público da cidade, a Prefeitura de Curitiba anunciou nesta sexta-feira (18) a implantação na região central da Área Calma. - Na imagem, Prefeito Gustavo Fruet e a secretária municipal de Trânsito, Luiza Simonelli. Curitiba, 18/09/2015 - Foto: Maurilio Cheli/SMCS

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Em mais um passo para humanizar o espaço público da cidade, a Prefeitura de Curitiba anunciou nesta sexta-feira (18) a implantação na região central da Área Calma – perímetro dentro do qual os veículos deverão circular a uma velocidade máxima de 40 quilômetros por hora (veja o mapa Aqui). A redução de velocidade, já adotada com bons resultados em outras grandes cidades, será fiscalizada a partir de novembro e virá associada a outras medidas, como a criação de vagas vivas, plantio de árvores, sinalização turística para pedestres e obras de melhoria da acessibilidade.

O objetivo é criar um ambiente de melhor convivência no trânsito, estimular o compartilhamento do espaço por diferentes modais de transporte e aumentar a segurança para pedestres, ciclistas e motoristas, reduzindo o número de acidentes.

A Área Calma será delimitada pela Rua Inácio Lustosa, Rua Visconde de Nacar, Rua André de Barros, Rua Mariano Torres, Rua Luiz Leão e Avenida João Gualberto. A região abriga vários polos geradores de tráfego, como colégios, shopping centers, terminais de ônibus, hospital e o Centro Histórico.

Nos próximos 40 dias a Secretaria Municipal de Trânsito vai implantar a nova sinalização na região. Nesse período também serão desenvolvidas ações educativas, com distribuição de materiais para pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas explicando o funcionamento da Área Calma. A fiscalização do respeito aos limites de velocidade nas ruas do perímetro deverá ser iniciada no dia 16 de novembro.

A região tem 133 cruzamentos semaforizados, dos quais 12 serão monitorados por fiscalização eletrônica (radares) para garantir o respeito à velocidade máxima de 40km/h e o respeito à sinalização. Radares estáticos (colocados sobre tripés) também serão utilizados na fiscalização do trânsito na Área Calma.

Além da nova sinalização, o projeto prevê a revitalização da sinalização já existente na região e também a construção ou adaptação de rampas de acessibilidade para melhorar as condições de deslocamento para pessoas com mobilidade reduzida. Haverá ainda a instalação de vagas vivas (parklets) em alguns pontos, substituindo vagas de estacionamento existentes.

A Prefeitura também realizará um plano especial de manejo e plantio de árvores na região da Área Calma, para aumentar a absorção de poluentes e melhorar a qualidade do ar – no perímetro delimitado, estão localizados diversos espaços verdes da cidade, como o Passeio Público e as praças Santos Andrade, Tiradentes, Carlos Gomes, Osório e Rui Barbosa.
 
“Não se trata apenas de um projeto de redução de velocidade. A promoção da segurança no trânsito é um objetivo importante, e Curitiba tem obtido sucesso, com redução de mais de 30% nas mortes por acidente em cinco anos. Mas a Área Calma é mais que isso – é parte do esforço que a Prefeitura vem fazendo para promover a convivência harmoniosa e tornar o espaço público mais humano”, diz o prefeito Gustavo Fruet.

O prefeito relatou que o projeto partiu de um questionamento: “Queremos o espaço público para transportar mais carros ou para transportar mais pessoas?”. Ele lembrou que Curitiba caminha para ter um automóvel por habitante. “É justo que as pessoas desejem ter um carro, assim como querem ter uma casa. Sabemos que haverá alguma resistência à medida e não queremos fazer disso um embate. Mas é preciso compreender que o espaço público tem que ser compartilhado por todos”, afirmou Fruet.

De acordo com o prefeito, a redução da velocidade tende a dar fluidez ao tráfego e poupar vidas.

Velocidade x acidentes
 
A Prefeitura de Curitiba participa desde 2010 do projeto Vida No Trânsito, uma ação mundial que tem como meta diminuir os números de mortes no trânsito das cidades participantes em 50% em 10 anos (até 2020). Organizado pelas secretarias municipais da Saúde e de Trânsito e realizado em parceria com órgãos municipais, estaduais e federais e com entidades da sociedade civil, o projeto faz análises dos acidentes com vítimas fatais ocorridos em Curitiba, identificando os principais fatores e condutas de risco.
 
Nas análises realizadas desde o início do projeto, os principais fatores e condutas de risco que levam a acidentes fatais são ligados à alta velocidade dos veículos, ao desrespeito à sinalização existente e também a problemas na infraestrutura.
 
A região central de Curitiba concentra um grande volume de pedestres. Por ali circulam diariamente em torno de 700 mil pessoas, na maioria usuários das 200 linhas de ônibus que passam na área, com 21 locais de paradas (entre terminais, pontos e estações), e que se destinam a locais de grande concentração, como praças, hospitais, shoppings e o setor histórico.
 
Entre 2012 e 2014, foram registrados 1.173 acidentes na região central, que inclui a Área Calma, dos quais 106 resultaram em mortes – e, destes, a maioria foram atropelamentos (46) e colisões (41). Apenas na região da Área Calma, 24 pessoas morreram em acidentes de trânsito nesse período – 12 delas por atropelamento.

“Além do aspecto humano, que é o mais importante, esses acidentes têm um custo alto para a Saúde no tratamento de traumas”, afirma o prefeito.
 
“Estudos realizados no mundo inteiro mostram que a partir de uma velocidade de 40km/h do veículo, o risco de um pedestre morrer ao ser atropelado aumenta exponencialmente”,  diz o diretor de engenharia da Secretaria Municipal de Trânsito, Mauricio Razera. Com o veículo a 40km/h, há 20% de risco de lesão fatal; a 50km/h, o risco sobe para 50%; a 60km/h, chega a 80%; e, a partir de 70km/h, 100% de risco. “Quanto maior a velocidade, menor o tempo para o condutor frear e evitar um acidente, pois o veículo numa velocidade maior percorre uma distância também muito maior antes de frear completamente”, explica.

A Área Calma envolve todos os que participam do trânsito na cidade, com enfoque na segurança dos mais vulneráveis – pedestres e ciclistas. “A diminuição da velocidade e a convivência pacífica são fatores para a redução de acidentes e atropelamentos. Com os veículos circulando em velocidade mais baixa na região central, a convivência entre pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas deverá se tornar mais segura e harmoniosa, permitindo um maior compartilhamento das vias e sem a perda da mobilidade nessa área da cidade”, diz a secretária municipal de Trânsito, Luiza Simonelli.

Além da Setran, o projeto da Área Calma envolve o Ippuc e as secretarias municipais de Obras Públicas e de Meio Ambiente.
 

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