Texto: Claudia Maria Teixeira de Almeida
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Os servidores da Casa da Mulher Brasileira de Curitiba concluíram, nesta quinta-feira (16/7), a segunda etapa de uma pesquisa que irá mapear os riscos psicossociais relacionados ao trabalho desenvolvido na unidade. A iniciativa busca identificar fatores que podem afetar a saúde mental e o bem-estar dos profissionais, especialmente daqueles que convivem diariamente com relatos de violência, sofrimento e vulnerabilidade de mulheres atendidas pelo serviço.
A pesquisa foi realizada em duas etapas, envolvendo grupos diferentes de servidores. A divisão foi planejada para garantir que o funcionamento da Casa da Mulher Brasileira não fosse comprometido, já que a unidade presta atendimento ininterrupto, 24 horas por dia, sete dias por semana.
Além de levantar informações sobre aspectos da organização do trabalho, o estudo também avalia o chamado sofrimento vicário, condição caracterizada pelo desgaste emocional e psicológico decorrente da exposição frequente às experiências traumáticas vividas por outras pessoas.
A ação foi desenvolvida pelo Departamento de Saúde Ocupacional da Secretaria Municipal de Gestão de Pessoal (SMGP), por meio da Gerência de Psicologia e Serviço Social, a pedido da equipe gestora da Casa da Mulher Brasileira.
Realidade exige atenção permanente
A Casa da Mulher Brasileira reúne, em um único espaço, serviços especializados de acolhimento, proteção e encaminhamento às mulheres em situação de violência. A atuação integrada exige que os profissionais mantenham contato constante com histórias marcadas por agressões físicas, psicológicas, patrimoniais, sexuais e outras formas de violência.
Embora preparados tecnicamente para esse atendimento, esses servidores também estão sujeitos aos impactos emocionais provocados pela rotina de trabalho.
"Quem atua na Casa da Mulher Brasileira lida diariamente com situações extremamente delicadas. São histórias de violência, perdas e sofrimento que exigem sensibilidade e preparo técnico, mas que também podem gerar desgaste emocional ao longo do tempo. Por isso, é fundamental acompanhar continuamente a saúde mental da equipe e identificar precocemente fatores de risco", afirma a coordenadora-geral da Casa da Mulher Brasileira, Ana Paula Machado.
Diagnóstico para orientar ações
O instrumento reúne perguntas relacionadas aos riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho e uma avaliação voltada ao sofrimento vicário, permitindo compreender como a rotina profissional pode impactar o equilíbrio emocional das equipes.
"Esta pesquisa vai nos permitir compreender como a organização do trabalho pode impactar a saúde mental dos servidores. A partir desse diagnóstico, será possível propor planos de ação e medidas preventivas voltadas à promoção de ambientes de trabalho mais saudáveis", afirmou Erliete Alves Bernardi Melinski, da Gerência de Psicologia e Serviço Social da SMGP.
Após a conclusão da coleta de dados, as informações serão analisadas por especialistas do Departamento de Saúde Ocupacional. O diagnóstico servirá de base para a elaboração de um plano de ação com medidas práticas voltadas à redução dos riscos identificados e à promoção da saúde mental dos servidores da unidade.
Levantamento integra estratégia da Prefeitura
A pesquisa realizada na Casa da Mulher Brasileira faz parte das ações desenvolvidas pela Prefeitura de Curitiba para atender às exigências da nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que ampliou o Programa de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais ao incluir os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho.
Além desse estudo específico, voltado às características da atuação na Casa da Mulher Brasileira, a Prefeitura também irá realizar um levantamento sobre riscos psicossociais com servidores de todos os órgãos e secretarias municipais.
Elaborado pelo Departamento de Saúde Ocupacional da SMGP com base no Copenhagen Psychosocial Questionnaire (COPSOQ II), o questionário aborda temas como assédio, conflitos, sobrecarga de trabalho, autonomia, reconhecimento profissional e relações no ambiente de trabalho. As respostas são anônimas e servirão para identificar situações que possam comprometer a saúde mental dos trabalhadores, permitindo que cada órgão estruture medidas preventivas e corretivas voltadas à melhoria das condições de trabalho.
A identificação dos riscos psicossociais passou a ser obrigatória com a atualização da NR-1 e integra as ações permanentes da Prefeitura para fortalecer a saúde ocupacional, prevenir o adoecimento e promover ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis para todos os servidores municipais.