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43ª Oficina de Música de Curitiba

Pequenos grandes músicos renovam a cultura popular com viola caipira e acordeom

Jovens instrumentistas garantem o futuro da música de raiz. Foto: Cido Marques/FCC

A 43ª Oficina de Música de Curitiba mostra que, no mundo cada vez mais digital, os ritmos tradicionais têm futuro e encontram nos jovens a esperança de se renovarem na cultura popular brasileira. Entre os participantes da Oficina, uma menina de 10 anos chama atenção ao dedicar parte da rotina ao aprendizado de viola caipira, enquanto outro jovem aluno faz do acordeom o companheiro de todas as horas.

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Aos 10 anos, Sofia Barros Moreira revela destreza ao dedilhar as cordas do seu instrumento durante as aulas de pagode de viola, com o professor Bruno Takashy. Foi em Sapopema, no interior do Paraná, em ambiente rural, que a menina despertou seu talento, indicando um gosto musical peculiar para crianças da mesma idade.

O pagode de viola, um dos ritmos marcantes da música caipira, é o preferido de Sofia. Sua grande inspiração é o cantor Tião Carreiro (1934-1998), que ela ouvia desde cedo. Tião Carreiro é o precursor dessa variante da canção sertaneja, cujas letras contemplam a rotina no campo e o trabalho na roça, temas que atraem a pequena violeira.

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Os pais de Sofia, a professora Alessandra e o servidor público Marcos, vêm de uma família de agricultores, e contam que o interesse dela pela música e, em especial pela viola, surgiu de forma muito espontânea, já que não há na família alguém com a mesma habilidade.

Música caipira em aulas on-line

Sofia divide a rotina entre as atividades escolares e o estudo de viola caipira. O computador e telefone celular foram importantes para conectar a aluna ao mundo musical. Autodidata, ela aprendeu as primeiras notas assistindo a vídeos no Youtube. Depois, começou a fazer aulas on-line com o professor Bruno Takashy, que foi contatado por Marcos pelas redes sociais.

“Comecei com umas aulinhas no Youtube só para brincar e acabei me apaixonando pela viola. Era difícil, mas com as aulas do Bruno tudo ficou mais fácil”, conta Sofia.

Durante dois anos, a internet possibilitou o aprendizado de Sofia, em Sapopema, com o professor, em Uberlândia (MG), até que no ano passado os dois se encontraram presencialmente pela primeira vez na 42ª Oficina de Música, em Curitiba. “A partir daí, o carinho e a conexão musical entre eles só aumentaram”, diz a mãe Alessandra.

Este é o segundo ano de Sofia na Oficina, que veio para o reencontro e para desfrutar de outras experiências, como as práticas em conjunto e para a participação especial que nesta segunda-feira (12/1), no espetáculo Sertanejo Sinfônico, no Teatro Guaíra.

Para Bruno, acompanhar a trajetória de Sofia é gratificante. “Cada vez mais, vemos crianças e mulheres se interessando pela viola caipira, o que é fundamental para que essa cultura sertaneja raiz não acabe”, afirma o professor.  

Tradição do acordeom

Em meio a inúmeros estímulos proporcionados pelas telas, o menino Jaime Guzzo Neto, de 10 anos, opta por passar parte do seu tempo ao acordeom, que começou a tocar aos 5. Ele é o caçula da numerosa turma do professor André Ribas na Oficina de Música, formada por acordeonistas de todas as idades, dos 10 aos 75 anos.

Jaime nasceu em Roraima e há poucos anos sua família se estabeleceu em Pinhais. 

“Comecei tocando piano. Depois meu pai me deu uma gaita de 8 baixos. Eu não entendi, mas quando peguei o instrumento já comecei a tocar de ouvido. A primeira música que toquei foi Moreninha Linda (canção de Tonico e Tinoco)”, lembra o garoto, que diz ter um gosto eclético, apreciando outros estilos musicais além do sertanejo.

O menino confessa que gosta das telinhas, mas reconhece que o acordeom soa mais forte e ganha a sua preferência. Há dois anos, ele faz aulas com o professor Guilherme Seifert, que por sua vez também é aluno de André Ribas na Oficina. Foi Guilherme quem sugeriu ao menino a inscrição no curso, sabendo do talento a ser lapidado.

“Jaime é o caso de uma criança que tem facilidade de internalizar o que é ensinado, com boa memória e coordenação motora. Ele aprende rápido e tem o ouvido muito bom”, avalia o professor. O jovem músico cativou os participantes da turma pelas improvisações na gaita ponto de 120 baixos, normalmente usada por quem domina acordes e estilos mais complexos.