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Assistência social

Para migrante de Macapá, Curitiba é uma cidade de oportunidades

Há três anos em Curitiba, Geovani Abileni Moraes foi atendido pela FAS, que lhe ofereceu acolhimento e cursos de qualificação profissional.

Para migrante, Curitiba é uma cidade de oportunidades. - Na imagem, Geovani Abileni Moraes. Curitiba, 09/04/2019. Foto: Ricardo Marajó/FAS

Para o macapaense Geovani Abileni Moraes, 47 anos, Curitiba é uma cidade de oportunidades. “Aqui só fica na rua quem não quer trabalhar”, diz ele, que chegou à capital há três anos em busca de um futuro melhor. Abileni ouviu falar bem de Curitiba e decidiu enfrentar os quase 3 mil quilômetros que separam as duas cidades, deixando para trás a mãe e os três filhos. “Vim com um pouco de dinheiro, a cara e coragem.”

Em Curitiba, alugou um quarto. O dinheiro acabou em dois meses, antes de conseguir um novo emprego. Sem ter onde dormir, ele logo procurou a Casa da Acolhida e do Regresso (CAR), unidade da Fundação de Ação Social (FAS) que atende migrantes e funciona na Rodoferroviária. Como não quis receber a passagem para voltar para a terra natal, Abileni foi encaminhado para uma unidade de acolhimento também do município.

De lá para cá, foi atendido várias vezes pela FAS, sempre que fica sem emprego e dinheiro para se manter na cidade. Ele conta que nos últimos três anos, trabalhou na construção civil; na antiga ALL, fazendo a manutenção de linhas de trem; e na Andrade Gutierrez, de onde foi demitido com outros 479 trabalhadores.

Desde agosto de 2018, ele é atendido durante o dia no Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP) Rebouças, onde recebe atendimento técnico, alimentação e espaço para higiene. Dali foi encaminhado para o projeto Morada Nova Vida Nova, da Secretaria Municipal da Defesa Social, onde é acolhido à noite.   

Qualificação

Inquieto, Abileni aproveita as oportunidades de cursos de qualificação profissional ofertados gratuitamente pelo município, principalmente pelo programa Liceu de Ofícios. “Já fiz curso de zelador, de porteiro e de pizzaiolo”, conta ele.

E foi durante o curso de preparo de pizzas, ofertado em fevereiro em parceria com o Senac, que Abileni conseguiu a tão sonhada vaga de emprego. “Eu vinha nas aulas, mas fui lá falar com a moça da administração para ver se não precisam de alguém para trabalhar. Na hora não tinha, mas no último dia de aula vieram me chamar na sala porque apareceu uma vaga”, conta.

Abileni foi chamado para trabalhar em uma empresa terceirizada que presta serviço de limpeza no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), na Rua André de Barros, no Centro. Outras duas pessoas disputavam a vaga, mas o interesse que demonstrou em querer trabalhar fez com que fosse selecionado.

Se depender da encarregada de serviços gerais Bernardete Benanci, Abileni ficará na empresa depois de passados os três meses de experiência. “Ele está se saindo bem. Atende prontamente aos pedidos, é caprichoso, anda bem asseado. Além disso, é pontual, não falta e nem atrasa. Está perfeito e que continue assim”, diz a chefe.

Com o emprego e dinheiro no bolso, Abileni negociou uma dívida que tinha com o banco e já faz planos de alugar um lugar para morar e, com isso, liberar a vaga que usa no hotel social. “Eu agradeço a moradia, o atendimento e os cursos grátis que fiz. Agora quero uma vida nova, recuperar minha dignidade”, diz.