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Saúde Mental

Além do consultório: visita à exposição sobre Nise da Silveira leva arte, história e reinserção social a pacientes do Caps Cajuru

Passeio rompe os muros da unidade de saúde e reafirma o compromisso do SUS de Curitiba de promover a reinserção social com dignidade

Em atividade cultural, usuários do CAPS Cajuru conhecem de perto a história e o legado da psiquiatra Nise da Silveira. Foto: Divulgação.

Guiados pelo compromisso de cuidar, acolher e transformar, a equipe do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Cajuru proporcionou uma tarde de imersão cultural a 20 pacientes na última quinta-feira (30). O grupo participou de uma visita guiada à exposição "Nise da Silveira: A Revolução do Afeto", em cartaz na Caixa Cultural Curitiba, onde pôde conhecer de perto a história da médica que usou a arte para transformar a psiquiatria no Brasil.

Durante a visita, os usuários puderam associar as atividades desenvolvidas no tratamento diário com o legado da médica e participaram ainda de uma oficina expressando o que sentiram na exposição. “Hoje pude conhecer esse trabalho incrível da luta dela, tudo que ela fez naquela época e que continua inspirando os nossos processos de tratamento, porque é algo que vemos no nosso dia a dia ”, disse a usuária A.B., 46 anos. 

O passeio faz parte de uma agenda mensal organizada pela psicóloga da unidade, Gabriela Veiga de Araújo, que realiza as tratativas, articulação intersetorial com a Caixa Cultural, além de agendar o transporte com a Urbs, que leva gratuitamente os usuários até os passeios. A visita foi acompanhada por parte da equipe multiprofissional do centro e pelo coordenador do Caps Cajuru, Jackson Michel Teixeira da Silva. 

A Coordenadora de Saúde Mental da SMS, Luciana Sydor, reforça que a valorização de práticas expressivas faz parte da identidade do modelo de assistência da rede pública municipal.

"Integrar a arte às nossas estratégias de cuidado é uma diretriz que alinha Curitiba às melhores práticas de saúde mental. O programa municipal aposta na sensibilidade e na criação como métodos efetivos de tratamento, expandindo esse cuidado para além dos muros dos CAPS ao incluir os usuários no circuito cultural, artístico e em exposições da cidade. Instituir esse olhar na saúde pública fortalece a nossa rede comunitária e consolida o compromisso do município com uma atenção integral e verdadeiramente humanizada", destaca a coordenadora.

Arte como instrumento de cura

Médica psiquiatra brasileira, Nise da Silveira revolucionou a saúde mental no país ao romper com métodos agressivos e colocar a arte, o afeto e a terapia ocupacional no centro do tratamento. O cotidiano dos pacientes de Curitiba segue o legado de Nise, com a utilização das atividades expressivas como forma de terapia. O Caps Cajuru conta com uma equipe multiprofissional composta por psicólogos, assistentes sociais, musicoterapeuta, educadora física, enfermeiros e psiquiatras, que desenvolvem grupos com variadas abordagens artísticas. 

“Temos vários grupos que trabalham a arte como expressão de cuidado. A Nise nos inspira bastante, principalmente quando ela traz essa questão do ateliê vivo. Na exposição os usuários viram muito disso”, afirma o coordenador.

Nos grupos, os profissionais estimulam, através da arte, o desenvolvimento de expressões e a reabilitação psicossocial. Nas atividades propostas, os pacientes têm a oportunidade de trabalhar na produção de pinturas, confecção de vasos em gesso, plantio de suculentas, musicoterapia, expressão corporal, crochê e tricô. “O ateliê de artes é um espaço bastante vivo no Caps, é onde a gente possibilita manifestações artísticas diversas”, reitera. 

A Coordenadora de Saúde Mental da SMS, Luciana Sydor, reforça que a valorização de práticas expressivas faz parte da identidade do modelo de assistência da rede pública municipal.  "Integrar a arte às nossas estratégias de cuidado é uma diretriz que alinha Curitiba às melhores práticas de saúde mental. O programa municipal aposta na sensibilidade e na criação como métodos efetivos de tratamento, transformando a rotina de atendimento em um processo contínuo de escuta e valorização do sujeito. Instituir esse olhar na saúde pública fortalece a nossa rede comunitária e consolida o compromisso do município com uma atenção integral e verdadeiramente humanizada", destaca a coordenadora.

A ação é uma estratégia de cuidado psicossocial e está alinhada à Política Nacional de Saúde Mental, que prioriza o tratamento em liberdade, a reinserção social e o uso da arte e da cultura como ferramentas terapêuticas. “É uma forma de resgatar a autonomia, fortalecer vínculos e combater o estigma. A Nise nos ensina que o que cura é o afeto, e é isso que buscamos levar para o cuidado diário”, finaliza o coordenador. 

A Coordenadora Geral de Saúde Mental da FEAS, Flávia Fachini Teilor, ressalta que o incentivo às manifestações artísticas potencializam o Projeto Terapêutico Singular (PTS). "A arte possibilita que cada pessoa expresse sua subjetividade e encontre novas formas de elaborar suas vivências. Aliada a uma ambiência acolhedora, ela fortalece o vínculo com o serviço, amplia a participação dos usuários no próprio cuidado e transforma o CAPS em um espaço de escuta, criação, promoção de autonomia e reconstrução de projetos de vida", afirma.

Rede

A Prefeitura de Curitiba conta com 13 Caps, vinculados à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que oferecem um serviço multiprofissional de cuidado aos usuários que apresentam transtorno mental severo ou persistente e/ou fazem uso de álcool e outras drogas. É um serviço de base comunitária, gerenciado pela Feas, que disponibiliza gratuitamente assistência humanizada, para que haja reabilitação e a pessoa volte a se reinserir na sociedade.

São 10 unidades para atendimento à população adulta, um em cada Distrito Sanitário, e outros 3 Caps para atendimento da população infanto-juvenil (Boa Vista, Portão e Pinheirinho).

Em 2025, o prefeito Eduardo Pimentel entregou as novas sedes do Caps Adulto Boqueirão e Pinheirinho, além da unidade infantil no Pinheirinho, com maior capacidade, mais amplos e confortáveis para os usuários, famílias e servidores. As três entregas cumprem um compromisso firmado no Plano de Governo, que é melhorar a estrutura dos serviços de saúde mental de Curitiba.

Nos caps, os usuários são acompanhados por assistentes sociais, psicólogos, terapeuta ocupacional, enfermeiros e técnicos de enfermagem, médico clínico e médico psiquiatra. O encaminhamento do usuário pode ser feito pela unidade de saúde, UPA ou pela  busca direta no próprio Caps (para casos graves de saúde mental que precisam de assistência).

O município oferece Residências Terapêuticas, gerenciadas pela Feas. As unidades são moradias inseridas na comunidade para acolher egressos de internações psiquiátricas prolongadas, que não têm vínculos familiares e que necessitam de cuidados permanentes. As Residências Terapêuticas também buscam garantir o convívio social, o resgate da cidadania e a reabilitação psicossocial de seus moradores.

Além disso, integram a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)  do município as 109 unidades de saúde, às 9 UPAs, o Consultório na Rua, o Ambulatório Encantar (TEA), a Unidade de Estabilização Psiquiátrica Irmã Dulce, leitos psiquiátricos do Hospital Municipal do Idoso e os ambulatórios de psicologia e psiquiatria credenciados e o hospital psiquiátrico contratualizado.