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SUS Curitiba

Hub Saúde Curitiba é destaque no Fórum Nacional das Fundações Estatais

Congresso ocorreu nesta sexta-feira (31/7), em Curitiba, e apresentou o primeiro centro de inovação municipal em saúde do país integrado à rede pública de uma cidade

A secretária da Saúde, Tatiane Filipak, com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Sérgio Bento, o secretário estadual da Saúde, Cesar Neves, e demais autoridades, participa do Fórum de Fundações Estatais de Saúde. Curitiba, 31/07/2026. Foto: Pedro Ribas/SECOM

Com o tema Inovação e transformação na saúde pública, Hub Saúde Curitiba foi destaque do Fórum Nacional das Fundações Estatais de Saúde 2026, que ocorreu nesta sexta-feira (31/7), na sede do Sebrae-PR, no Prado Velho. Lançado em março pelo prefeito Eduardo Pimentel, é o primeiro centro de inovação municipal em saúde do país integrado à rede pública de uma cidade. O Hub é vinculado à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e gerenciado pela Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas).

Na abertura do evento, a secretária municipal de saúde, Tatiane Filipak, destacou que a criação do Hub Saúde Curitiba é um bom exemplo de como as fundações estatais podem assumir um papel cada vez mais estratégico na modernização do Sistema Único de Saúde (SUS).

“O Hub Saúde Curitiba materializa os princípios que norteiam este importante fórum nacional. A iniciativa consolida Curitiba como uma referência nacional em inovação aplicada à saúde pública e exemplifica, na prática, como cooperação e parcerias entre poder público, empresas, instituições e o setor acadêmico podem acelerar a transformação dos serviços de saúde em benefício da população. Curitiba tem o melhor SUS do país e no Hub vamos desenvolver soluções que podem nos levar ainda mais longe”, explicou Tatiane, que ainda lembrou que o Hub foi lançado durante o Smart City Expo Curitiba 2026, um dos principais eventos de cidades inteligentes das Américas.


Já o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação (SMDEI), Sérgio Bento, anunciou que o Fundo de Inovação de Curitiba está passando por um processo de reestruturação para ampliar o apoio ao desenvolvimento de soluções inovadoras na cidade. “ Com a reformulação, as startups que integrarem o Hub Saúde Curitiba poderão, futuramente, concorrer aos instrumentos de apoio oferecidos pelo Fundo, ampliando as possibilidades de desenvolvimento, validação e escalonamento de tecnologias voltadas à saúde pública”, antecipou ele.

O Hub Saúde Curitiba já está sendo estruturado pela Feas com apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Paraná (Sebrae-PR). O centro de inovação tem como objetivo desenvolver, testar e validar produtos, serviços e soluções voltadas às necessidades reais da rede de saúde municipal.

“O Hub Saúde Curitiba é um verdadeiro ecossistema de inovação do segmento, criado para conectar pessoas, ideias e instituições em torno do desenvolvimento de soluções que respondam aos desafios da saúde pública. Estamos abrindo as portas da rede municipal de Curitiba para startups, empresas, universidades e centros de pesquisa, promovendo um ambiente de colaboração onde conhecimento, tecnologia e experiência se transformam em soluções inovadoras para o nosso município. E quem mais ganha com isso é a população”, contou o diretor-presidente da Feas, Sezifredo Paz.

Também participaram da abertura do fórum o secretário estadual de saúde, Cesar Neves; o secretário estadual de Inovação e IA, Marcos Stamm; e o presidente da Anfes, João Henrique Marques da Silva.

Referência nacional

A palestra técnica de abertura foi conduzida pelo diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Thiago Lopes Cardoso Campos, que explicou o ambiente regulatório brasileiro e reconheceu que as fundações estatais constituem um instrumento legítimo de fortalecimento do SUS, pois estão submetidas a órgãos de controle e orientadas pelo interesse público.

“A Feas, aqui de Curitiba, é um exemplo que sempre damos de como devem atuar as fundações estatais, pois tem uma das experiências mais consolidadas desse modelo, aliando eficiência na gestão, transparência, controle público e qualificação da assistência”, salientou Campos.

Gestão em saúde

Após a abertura e a palestra técnica do diretor da Anvisa, Tatiane Filipak abriu o primeiro painel do congresso – com o tema O Futuro da Gestão Pública da Saúde no Brasil. Ela mediou as apresentações da jurista Lenir Santos, consultora do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) e uma das maiores especialistas brasileiras em fundações estatais, e do advogado Eldo dos Santos Oliveira Junior, referência em advocacia pública.

A secretária municipal de saúde pediu que os especialistas avaliassem o papel e os desafios das fundações estatais na modernização do SUS. “As fundações já são um modelo de gestão da saúde que amplia a capacidade dos serviços de cuidado do cidadão sem romper com os princípios da universalidade, integralidade e equidade, mas como podemos avançar ainda mais na excelência dos serviços prestados, frente à demanda crescente dos novos usuários que entram diariamente no sistema único?”, ponderou Tatiane.

Tanto Lenir Santos como Eldo dos Santos Oliveira Júnior foram unânimes: primeiramente é preciso garantir maior segurança jurídica para as fundações estatais.  “A aprovação de um marco legal nacional específico para as fundações estatais de saúde contribuiria para uniformizar regras, reduzir interpretações divergentes entre os entes federativos e conferir maior estabilidade institucional a um modelo que, após quase duas décadas de implantação, já demonstrou sua capacidade de ampliar a eficiência da gestão pública sem abrir mão do caráter público, universal e gratuito do SUS”, disse Lenir.

Oliveira Júnior concordou com Lenir Santos e fez questão lembrar que as fundações estatais foram constituídas por lei específica e que integram a administração pública indireta dos municípios e estados, não podendo ser confundidas com processos de privatização ou terceirização dos serviços de saúde. “Diferentemente de organizações privadas contratadas para prestar serviços, as fundações estatais possuem natureza pública, patrimônio público, finalidade exclusivamente pública, fiscalização pelos órgãos de controle e atuação subordinada às diretrizes definidas pelo poder público”, acrescentou ele.

Programação e livro

A programação do Fórum Nacional das Fundações Estatais de Saúde 2026  foi construída para apresentar soluções concretas aos desafios enfrentados diariamente pelas fundações estatais e pelos gestores do SUS. Ao longo do dia, foram debatidos temas como governança, inovação, compras públicas, inteligência artificial, financiamento, pesquisa, saúde mental dos trabalhadores e uso estratégico de dados na tomada de decisão. Também foram realizados workshops com formato dinâmico, estimulando o diálogo entre especialistas, gestores de fundações etatais e startups da área de saúde de diferentes regiões do país.

Durante o fórum também foi lançado o livro comemorativo pelos 10 anos da Anfes, organizado por Thiago Lopes Cardoso Campos e com prefácio de Lenir Santos. A obra reúne 15 artigos selecionados via edital público, trazendo reflexões essenciais sobre gestão, governabilidade e o futuro das fundações estatais no Brasil.

Feas é referência

As fundações estatais de saúde foram criadas para conferir maior eficiência, flexibilidade administrativa e capacidade de inovação à gestão pública, mantendo integralmente os princípios do Sistema Único de Saúde. Entre as fundações associadas à Anfes, a Feas ocupa posição de destaque nacional. É uma das maiores fundações estatais de saúde do segmento e também a maior empregadora de profissionais da saúde da Região Sul do Brasil, sendo responsável pela gestão de importantes serviços assistenciais da rede pública de Curitiba e referência na implantação de modelos inovadores de gestão, ensino, pesquisa e desenvolvimento institucional voltados ao fortalecimento do SUS.

Além de gestores e equipes da SMS e Feas, o Fórum Nacional das Fundações Estatais de Saúde 2026 contou com a participação de representantes de fundações estatais, vinculadas à Anfes, da Bahia, do Amapá, de Niterói (RJ), do Rio de Janeiro, da Paraíba e do Espírito Santo.