Texto: Roberto da Silva Couto
Secretaria Municipal da Comunicação Social (Secom)
Após derrubar casos de dengue, resultado de um amplo trabalho de mobilização da comunidade e intensificação das ações de controle liderado pelo prefeito Eduardo Pimentel desde 2025, Curitiba dá mais um passo para ampliar a proteção da população contra o vírus causador da doença. Nesta quarta-feira (29/7), o prefeito iniciou a liberação, no bairro Sítio Cercado, dos primeiros mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, tecnologia inovadora que reduz a capacidade de transmissão das arboviroses, que também incluem zika e chikungunya. A iniciativa passa a integrar o conjunto de estratégias permanentes e de sucesso da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para prevenção e controle dessas doenças.
“Curitiba mostrou que é possível reduzir a dengue com planejamento, trabalho integrado e a participação da população. Agora damos mais um passo, incorporando uma das tecnologias mais inovadoras do mundo para proteger nossos moradores. O Método Wolbachia não substitui o cuidado de cada cidadão, mas fortalece nossa estratégia para que tenhamos uma cidade cada vez mais preparada para enfrentar a dengue e outras doenças", destacou Eduardo Pimentel.
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Eduardo Pimentel, prefeito de Curitiba
A implantação do método na capital é resultado de uma cooperação técnica entre a Prefeitura de Curitiba, por meio da SMS, e a empresa curitibana Wolbito do Brasil – IBMP/Fiocruz Paraná.
A soltura dos chamados Wolbitos - mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia - vai ocorrer ao longo de 26 semanas. Inofensivos às pessoas e ao meio ambiente, os wolbitos liberados acasalam com os Aedes aegypti locais, repassando a bactéria para os descendentes e estabelecendo, aos poucos, uma nova população sem os vírus.
El Niño
A secretária municipal de saúde, Tatiane Filipak, explicou que a implantação do Método Wolbachia representa um avanço na estratégia da Prefeitura para proteger a população contra a dengue. Ela salientou que é uma tecnologia segura, baseada em evidências científicas e que fortalece as ações de enfrentamento ao mosquito adotadas pelo município desde o ano passado.
"Conseguimos reduzir em 92% os casos de dengue em 2025 e, neste ano, já registramos uma redução de 94% em relação ao período anterior. Mas, diante da previsão de influência do fenômeno El Niño, que pode provocar muitas chuvas e favorecer o aumento da circulação da doença, estamos preparando Curitiba para enfrentar o cenário com mais inovação, tecnologia e prevenção", reforçou Tatiane.
Aplicado em cidades brasileiras e em outros 14 países, o Método Wolbachia já apresentou resultados expressivos. Em Niterói (RJ), contribuiu para a redução de até 89% dos casos de dengue, consolidando-se como uma importante ferramenta complementar às ações tradicionais de combate ao mosquito.
Observadores internacionais
Durante a soltura dos Wolbitos no Sítio Cercado, observadores internacionais de países como Arábia Saudita, Sri Lanka, Bangladesh, Laos, Peru, Senegal, Omã, Filipinas e Tailândia acompanharam a ação em Curitiba. Eles estavam acompanhados de Scott O’Neill, CEO da World Mosquito Program (WMP), organização australiana responsável pelo desenvolvimento da Metodologia Wolbachia, aplicada hoje na fábrica da Wolbito do Brasil na CIC.
“São representantes de órgãos públicos, universidades e instituições de cooperação de nove países que estão interessados em adotar a metodologia inovadora que começa a ser usada em Curitiba e que já se mostrou um sucesso em várias partes do mundo”, observou O’Neill.
Estratégias de liberação
O diretor da Wolbito do Brasil, Sandro Luz, conta que a liberação dos mosquitos com Wolbachia no Sítio Cercado utiliza duas estratégias: uma por meio de ovos, acondicionados em DLOs (dispositivos de liberação de ovos) e, outra, com a soltura de mosquitos adultos mantidos em garrafinhas. "Essa metodologia permite comparar, em condições reais e dentro de um mesmo território, no caso o bairro Sítio Cercado, o desempenho das duas formas de implantação, produzindo evidências que poderão orientar futuras expansões do programa", complementa ele.
A implantação do Método Wolbachia no Sítio Cercado é possível graças ao termo de cooperação técnica firmado entre a Prefeitura de Curitiba e a Wolbito do Brasil , assinado em março durante a Smart City Expo Curitiba. Normalmente, a empresa curitibana atua, via Ministério da Saúde, em cidades que atendam ao critério do governo federal, que priorizou os municípios com maior índice de infestação no país. Embora Curitiba não atenda a esse critério, o termo de cooperação para o programa técnico-científico permitirá que o município também receba a tecnologia.
Preparação
Mesmo antes do início da soltura dos wolbitos, a Prefeitura de Curitiba deu início, este mês, a um movimento conjunto com a comunidade do Sítio Cercado para implantar a inovadora tecnologia. Equipes da SMS começaram um amplo trabalho de orientação e diálogo com moradores, comerciantes e escolas do bairro, convidando a população a participar da chegada do Método Wolbachia.
A mobilização comunitária foi uma etapa essencial para o sucesso da estratégia, com agentes comunitários de saúde e de combate às endemias vinculados ao Distrito Sanitário Bairro Novo realizando um trabalho de orientação casa a casa, que também envolveu nas últimas semanas escolas, unidades de saúde, equipamentos públicos e o comércio local.
Presenças
O evento também teve as presenças do chefe de gabinete do prefeito, Ricardo Andreazza; da superintendente executiva da SMS, Flávia Adachi; da superintendente de Gestão da SMS, Jane Sescatto; da diretora de Atenção Primária em Saúde, Juliana Marcon Hencke; da diretora de Atenção à Saúde, Viviane Gubert; da diretora de Saúde Ambiental, Francielle Narloch; do chefe de gabinete da SMS, Duarte de Paula Franco; do supervisor do Distrito Sanitário Bairro Novo, John Fitzgerald Kenedy Novak; do coordenador do Programa Municipal de Controle do Aedes, Juliano Ribeiro; do special advisor do WMP (World Mosquito Program) no Brasil, Luciano Moreira; da administradora regional do Bairro Novo; Veridiana Maranho; do presidente do Conselho Municipal de Saúde, João Santana; e vereadores.
Ações de combate à dengue em Curitiba desde 2025
- Plano Municipal de Enfrentamento da Dengue e outras Arboviroses para os anos de 2025 e 2026: instituído pelo Decreto 853/2025 e lançado pelo prefeito Eduardo Pimentel em março do ano passado, prevê o papel e as responsabilidades de cada secretaria e órgão da Prefeitura de Curitiba no controle e combate ao mosquito Aedes aegypti e prevenção da doença.
- Mutirões: em 2025, as secretarias municipais do Meio Ambiente e da Saúde realizaram 66 mutirões, com o recolhimento de 412 toneladas de resíduos. Em 2026, até maio, foram 20 mutirões realizados e 175 toneladas de entulhos recolhidos.
- Armadilhas: para o monitoramento da presença do Aedes aegypti, a SMS instalou quase 2 mil armadilhas (638 ovitrampas e 1322 mosquitraps) por toda a cidade, que são vistoriadas semanalmente. Em 2025, a estratégia passou a incluir também 1,2 mil EDLs (estações disseminadoras de larvicida) e outros 1.073 equipamentos em 2026.
- Drones: utilizados para inspecionar terrenos de difícil acesso, empresas de grande extensão, área externa de imóveis fechados, entre outras situações. A foto do drone pode servir de prova no processo de apuração da responsabilidade do cidadão, que poderá ser autuado e multado e, caso não atenda a notificação pra limpeza do terreno, o município poderá realizar a limpeza do terreno e depois cobrar os custos do cidadão por meio de inscrição em dívida ativa.
- Robô Notificador: Para dar agilidade às equipes de saúde no processo de notificação de casos de dengue, a SMS passou a utilizar o apoio de robô notificador, que coleta as notificações realizadas no sistema e-saúde e faz a digitação dos dados no sistema oficial do Ministério da Saúde.
- Bloqueio de transmissão de casos com a vistoria nos imóveis num raio de 150 metros a partir do endereço do caso confirmado ou suspeito.
- Aplicação de adulticida (veneno para matar o mosquito adulto) em locais com alta transmissão de casos.
- Varreduras casa a casa nas áreas de maior índice de infestação do Aedes aegypti para remoção e tratamento químico de depósitos e criadouros, bem como orientação aos moradores e responsáveis pelos imóveis.
- Atuação permanente de 93 Agentes de Combate às Endemias (ACE), responsáveis pelo trabalho de campo da dengue, com o apoio dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e técnicos da Vigilância Sanitária.
- Parceria com sociedade civil e envolvimento intersetorial.
- Atividades educativas para a população.
- Campanha publicitária, veiculada em todos os equipamentos urbanos e formatos de mídias.
- Vacinação: desde 2025, o município passou a disponibilizar pelo SUS a vacinação contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, seguindo a orientação do Ministério da Saúde. E em 2026, a vacinação foi ampliada para agentes de combate às endemias e agentes comunitários de saúde, além dos profissionais que atuam nas Unidades de Atenção Primária das regiões de maior risco para a doença: Tatuquara, Bairro Novo, CIC e Cajuru.
Resultados confirmam o sucesso das estratégias adotadas
- Entre 1º de janeiro e 20 de julho de 2026, foram registrados 172 casos de dengue. Em 2025, foram registrados 1.602 casos e em 2024 haviam sido 17.714 casos.
- Além da redução da taxa de incidência e do número de casos, não houve registro de mortes pela doença em Curitiba, em 2026, até o momento. Em 2025, também não havia sido registrada nenhuma morte. Em 2024, ocorreram oito óbitos durante o ano, sendo quatro até 20 de julho daquele ano – período de maior sazonalidade da doença, com concentração de casos.