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SUS Curitiba

Usuários de Caps e Residência Terapêutica levam arte e geração de renda à Feira do Largo da Ordem

Além da possibilidade de obtenção de renda, a participação na feira, no último domingo (26/7), representa inclusão social, fortalecimento da autonomia e a valorização das capacidades das pessoas em acompanhamento pelos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do município

Usuários dos CAPS e Residência Terapêutica levam arte à Feira do Largo. Foto: Divulgação

A criatividade, o talento e o espírito empreendedor de usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) da Prefeitura de Curitiba ganharam destaque, no domingo (26/7), na tradicional Feira do Largo da Ordem. Na barraca Economia Solidária, pessoas atendidas no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Portão e na Residência Terapêutica Jardim Gabineto, vinculados ao Distrito Sanitário Portão, comercializaram produtos artesanais confeccionados nas oficinas de geração de renda, acompanhados por servidores dos dois serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), gerenciados da Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas).

Além da possibilidade de obtenção de renda, através das oficinas Economia Solidária, a participação na feira representa uma importante estratégia de inclusão social, fortalecimento da autonomia e a valorização das capacidades das pessoas em acompanhamento pelos serviços do SUS Curitiba.

A coordenadora de Saúde Mental da SMS, Luciana Sydor, destacou que as oficinas de Economia Solidária são uma ferramenta importante para a reabilitação psicossocial.

"A participação dos usuários em espaços como a Feira do Largo da Ordem demonstra que o cuidado em saúde mental vai muito além do tratamento clínico. As oficinas de geração de renda estimulam a criatividade, fortalecem vínculos, promovem autonomia e ampliam as oportunidades de inclusão social. Cada produto comercializado representa também o reconhecimento das potencialidades dessas pessoas e contribui para reduzir o estigma relacionado ao sofrimento psíquico", disse Luciana.

Prevista nas políticas públicas de saúde mental da Prefeitura de Curitiba, as oficinas de Economia Solidária incentivam o trabalho coletivo, a cooperação e o desenvolvimento de habilidades, contribuindo para a construção de projetos de vida.

Arte que reconstrói histórias

Entre os participantes estava a artesã N.P., moradora da Residência Terapêutica Jardim Gabineto, no bairro Vila Izabel. Após passar muitos anos internada em instituições psiquiátricas, ela vive há mais de uma década na residência terapêutica e encontrou na pintura uma forma de reconstruir sua trajetória.

Autora de quadros que chamam a atenção pela sensibilidade e pelas cores, N.P. conta que cada obra representa uma conquista pessoal. Quando um de seus trabalhos é adquirido, o sentimento vai muito além da venda.

"Fico muito feliz quando compram um quadro meu. Isso mostra que eu consigo fazer coisas bonitas e que as pessoas reconhecem o meu trabalho", salientou ela.

No Caps Portão, os participantes das oficinas de Economia Solidária também se tornaram artesãos e integram o grupo Enlaçadamente. S.M.L.L conta que participar do grupo significa resgatar uma lembrança afetiva da mãe, que lhe ensinou tricô e crochê ainda na juventude.

"Retomar essa arte foi como reencontrar uma parte importante da minha história. Hoje, os encontros semanais são momentos de aprendizado, troca de experiências e acolhimento. Ver as pessoas valorizando e comprando os produtos que produzimos me faz acreditar ainda mais na minha capacidade. Isso fortaleceu minha autoestima e minha autonomia", relata ela.

A participação dos usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) na Feira do Largo da Ordem ocorre a cada dois meses. 

Rede

A Prefeitura de Curitiba conta com 13 Caps, vinculados à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que oferecem um serviço multiprofissional de cuidado aos usuários que apresentam transtorno mental severo ou persistente e/ou fazem uso de álcool e outras drogas. É um serviço de base comunitária, gerenciado pela Feas, que disponibiliza gratuitamente assistência humanizada, para que haja reabilitação e a pessoa volte a se reinserir na sociedade.

São 10 unidades para atendimento à população adulta, um em cada Distrito Sanitário, e outros 3 Caps para atendimento da população infanto-juvenil (Boa Vista, Portão e Pinheirinho).

Em 2025, o prefeito Eduardo Pimentel entregou as novas sedes do Caps Adulto Boqueirão e Pinheirinho, além da unidade infantil no Pinheirinho, com maior capacidade, mais amplos e confortáveis para os usuários, famílias e servidores. As três entregas cumprem um compromisso firmado em Plano de Governo, que é melhorar a estrutura dos serviços de saúde mental de Curitiba.

Nos caps, os usuários são acompanhados por assistentes sociais, psicólogos, terapeuta ocupacional, enfermeiros e técnicos de enfermagem, médico clínico e médico psiquiatra. O encaminhamento do usuário pode ser feito pela unidade de saúde, UPA ou pela  busca direta no próprio Caps (para casos graves de saúde mental que precisam de assistência).

A município oferece Residências Terapêuticas, gerenciadas pela Feas. As unidades são moradias inseridas na comunidade para acolher egressos de internações psiquiátricas prolongadas, que não têm vínculos familiares e que necessitam de cuidados permanentes. As Residências Terapêuticas também buscam garantir o convívio social, o resgate da cidadania e a reabilitação psicossocial de seus moradores.

Além disso, integram a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)  do município as 109 unidades de saúde, as 9 UPAs, o Consultório na Rua, o Ambulatório Encantar (TEA), a Unidade de Estabilização Psiquiátrica Irmã Dulce, leitos psiquiátricos do Hospital Municipal do Idoso e os ambulatórios de psicologia e psiquiatria credenciados e o hospital psiquiátrico contratualizado.