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Odgar Nunes Cardoso escreveu grande parte da história da Guarda

Odgar Nunes Cardoso, comandante da Guarda Municipal. Curitiba, 29/08/2019. Foto: Pedro Ribas/SMCS

 

O ano era 1988. Motorista de caminhão no Rio Grande do Sul, Odgar Nunes Cardoso, então com 28 anos, resolveu largar o emprego e trilhar um novo caminho em Curitiba. A motivação veio com o anúncio para o primeiro concurso da Guarda Municipal na cidade.

Decisão considerada num primeiro momento intempestiva pela própria família se revelou um grande acerto. Na trajetória de 31 anos, Odgar se tornou guarda municipal, supervisor e um dos primeiros inspetores da corporação. Agora, ele se aposenta após ter ocupado o cargo máximo da Guarda Municipal, o de diretor, desde janeiro de 2017, além do período entre junho de 2010 e dezembro de 2012, quando também ocupou o posto.

A trajetória de vida de Odgar se mescla com a história da Guarda Municipal de Curitiba. Ele foi um dos 110 primeiros profissionais da corporação, aprovados entre três mil candidatos.

“Eu passava os dias na Biblioteca Pública ou na Praça Santos Andrade, alguns dos únicos lugares que eu conhecia em Curitiba. Com apostilas emprestadas, eu lia sobre a história e a parte turística da cidade, do Paraná e do Brasil”, recorda.

E foi justamente nas praças a atuação inicial mais incisiva daqueles primeiros guardas municipais, nos primeiros meses. “A criminalidade era diferente. O objetivo inicial era patrimonial, cuidar da preservação dos bancos e flores nas praças”, conta. 

Como o trabalho era novo na cidade - e também no Brasil, a organização da instituição foi feita com o tempo, com a contribuição de Odgar.

“A criminalidade da época era diferente. Tínhamos cinco armas, utilizadas em locais estratégicos e com supervisão. O patrulhamento diário era com o bastãozinho e com muita vontade de trabalhar”, lembra ele.

O deslocamento muitas vezes era feito de ônibus. “Tínhamos um Fusca, depois uma Brasília. Nas detenções, tínhamos ajuda da Polícia Civil. Nada disso era barreira para nós, a gente fazia porque gostava e gosta da Guarda”, diz.

Evolução

Hoje referência nacional, a Guarda Municipal de Curitiba alcançou a credibilidade que tem hoje pela experiência e pelo treinamento pautado no respeito ao cidadão, acredita Odgar. “Sempre falo para os guardas que estão entrando que nós temos uma carreira espetacular e uma estrutura que raramente se encontra aí fora.”

Para ele, prestar apoio ao cidadão é a ocorrência mais gratificante. “O encaminhamento à detenção é rotina. Agora atender uma situação de primeiros socorros, uma pessoa acidentada na rua, isso marca, A gente é humano, sofre também”, analisa.

Nas conversas com os guardas mais novos, Odgar compartilha experiências e avanços. “Não precisa gostar da chefia, mas precisa gostar do que está fazendo e da corporação.”

E fala do orgulho que sente, ao reviver toda a carreira. “Sou grato à Guarda e ao prefeito pela oportunidade de terminar minha carreira como diretor”.

Família

Natural de Júlio de Castilhos (RS), Odgar tem 60 anos. É pai da Helena, 25, e Lucas, 24 anos. Estrutura familiar que também teve início na Guarda de Curitiba, onde Odgar conheceu a esposa, a supervisora Sílvia Zoraski.

A mãe, de 90 anos, se orgulha das conquistas do filho. “Ela me fala: ‘lembra de quando você quebrava pedra na pedreira? E hoje, onde você chegou’”, conta, emocionado.