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Investimentos de R$ 273 milhões

Obras e serviços de prevenção reduzem impactos das chuvas em Curitiba

Macrodrenagem, manutenção permanente e ações de adaptação climática ampliam a capacidade da cidade de enfrentar períodos de chuva intensa

Obras de macrodrenagem e limpeza para contenção das cheias no Rio Pinheirinho, no Parolin/Guaíra/Lindóia/Hauer e Fanny. Foto: José Fernando Ogura/SECOM

Texto: Cris Guancino
Prefeitura de Curitiba

Mesmo com os altos volumes de chuva registrados nos últimos dias, Curitiba tem conseguido minimizar os danos nos bairros graças a um conjunto de ações de prevenção, manutenção e obras de infraestrutura. Entre as principais iniciativas estão os investimentos em macrodrenagem, que atualmente somam R$ 273 milhões em obras e ações em andamento pelo Programa de Requalificação e Obras de Curitiba (PRO Curitiba).

Desde 2025, 12 importantes obras de macrodrenagem foram executadas pelo programa. Cinco já foram concluídas e outras sete estão em andamento, ampliando a capacidade de escoamento e armazenamento das águas da chuva em diferentes regiões da cidade.

De acordo com o Centro Municipal de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CMGERD), alguns pontos de Curitiba registraram 91.5 milímetros de chuva nas últimas 24 horas. O volume elevado exigiu atenção das equipes municipais, mas os investimentos em infraestrutura contribuíram para evitar danos de grandes proporções.

“O preparo da cidade tem permitido reduzir transtornos, proteger vidas e garantir que os impactos sejam cada vez menores diante de um cenário climático desafiador. Com investimentos contínuos, planejamento técnico e ações preventivas, a Prefeitura de Curitiba prepara a cidade para enfrentar os desafios climáticos”, diz o prefeito Eduardo Pimentel.

Obras reduziram pontos históricos de alagamento

Os investimentos na macrodrenagem da cidade surtem efeitos positivos. Locais onde os alagamentos eram frequentes não registraram problemas após a execução de obras e serviços coordenados pela Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop).

Trincheira do Sabará

Um dos exemplos está na região da Trincheira do Sabará, na Avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, na CIC. Após a implantação de um novo sistema de escoamento de águas pluviais, o local deixou de registrar os alagamentos que eram recorrentes.

Com aproximadamente 260 metros de extensão, a nova galeria foi dimensionada de acordo com a realidade atual da bacia de drenagem e ampliou significativamente a capacidade de escoamento das águas da chuva.

Rede de galerias no Tarumã 

No Tarumã, outra intervenção importante foi realizada na Rua Monte Castelo, a partir de uma demanda apresentada pela comunidade durante o programa Fala Curitiba. A Prefeitura implantou uma nova rede de galerias de águas pluviais, com investimento de R$ 1,35 milhão.

A obra ampliou a capacidade de escoamento da chuva, reduziu os riscos de alagamentos e aumentou a segurança para moradores e motoristas da região.

Galeria de madrocrenagem Xaxim

Os moradores da Rua Antônio Pupo, no Xaxim, deixaram para trás um problema recorrente. A implantação de uma nova galeria de macrodrenagem, acompanhada de novo asfalto, solucionou os alagamentos que ocorriam em períodos de chuva forte.

Foram instalados 330 metros de tubulação com 1,20 metro de diâmetro — o dobro do tamanho dos tubos anteriores. O trecho fica entre a Rua Vereador Aureliano Mader Gonçalves e o Ribeirão dos Padilha.

A antiga rede não suportava a vazão em períodos de chuva intensa, fazendo com que a água transbordasse pelas calçadas até alcançar o Ribeirão dos Padilha, localizado na parte mais baixa da via. A nova estrutura ampliou a capacidade de drenagem e eliminou o problema.

Parque-esponja no Campo Comprido

O conjunto de obras de macrodrenagem que resultou na implantação do novo Parque Rio Mossunguê também passou pelo teste das fortes chuvas. 

A bacia de detenção construída na Rua Eduardo Sprada, entre as ruas Maria Bizinelli e José Baggio, contribuiu para proteger áreas dos bairros Campo Comprido, Mossunguê, Santo Inácio, Orleans e São Braz.

Novas bacias do Atuba

Na outra extremidade da cidade, no Atuba, as novas bacias de contenção do Rio Atuba, ainda em obras, já demonstraram a eficiência do sistema. As duas estruturas terão capacidade para armazenar 150 mil metros cúbicos de água — volume equivalente a cerca de 60 piscinas olímpicas. As estruturas, mesmo em obras, já estão funcionando como reservatórios temporários, retendo a água da chuva e liberando-a gradualmente para o Rio Atuba. Dessa forma, diminuem a pressão sobre a rede de drenagem e ajudam a prevenir alagamentos em ruas e imóveis.

Além de contribuir para a prevenção de alagamentos na região Norte de Curitiba e nos municípios de Pinhais e Colombo, a intervenção dará origem a um novo parque-esponja da cidade. As obras devem ser concluídas no primeiro trimestre de 2027, mas as bacias já demonstraram capacidade de acumular a água que chegaria ao Rio Atuba após o pico das chuvas.

“Em eventos mais severos, o sistema de drenagem pode operar no limite e gerar pontos de alagamento, especialmente nas áreas mais impermeabilizadas. Porém, na maioria das ocorrências, a água escoa naturalmente após o fim da chuva, indicando que a rede de drenagem funciona e consegue absorver o volume acumulado”, explica o secretário municipal de Obras Públicas, Luiz Fernando Jamur.

Outras intervenções seguem em andamento em diferentes regiões, com atenção especial às áreas historicamente mais suscetíveis a alagamentos.

Manutenção permanente

A prevenção também ocorre diariamente nos bairros. Atualmente, 38 equipes percorrem Curitiba com obras e serviços voltados à drenagem, pontes e outras estruturas que ajudam a reduzir os riscos de alagamentos. Desde 2025, já foram executados 4.066 serviços de pontes e drenagem, distribuídos em 3.300 intervenções.

Entre os serviços realizados estão a implantação, substituição e manutenção de 7.128 metros de galerias, extensão que chega a 14.742 metros quando somadas as estruturas executadas nas obras de macrodrenagem. Também foram implantadas 507 caixas de captação, ligação e queda e realizadas 104 vídeo-inspeções de galerias com uso de robô. As equipes executaram ainda 63 serviços de contenção, que totalizam 1.056 metros, além de 22 intervenções em pontes e passarelas de madeira e 305 serviços de manutenção nessas estruturas.

Campanhas educativas

Além das obras estruturais, o trabalho da Prefeitura envolve Manutenção Urbana, campanhas educativas, ações de prevenção e políticas públicas voltadas às mudanças climáticas. O objetivo é preparar a cidade para eventos climáticos extremos e ampliar a capacidade de resposta durante períodos de chuva intensa.

Limpeza de rios e galerias

A limpeza periódica de rios, córregos e canais, a recuperação de galerias, a desobstrução de caixas de captação e a conservação de pontes e passarelas são ações menos visíveis, mas fundamentais para garantir o escoamento da água da chuva. Desde janeiro de 2025, Curitiba já teve 106.724 metros de rios atendidos por serviços de limpeza, desobstrução e desassoreamento. 

Plano Diretor de Drenagem

O planejamento de longo prazo também avançou. O mapeamento dos pontos críticos de alagamento permitiu à Prefeitura identificar gargalos históricos do sistema e definir intervenções graduais, de curto, médio e longo prazo.

Esse trabalho técnico serve de base para a atualização do Plano Diretor de Drenagem, que deverá adequar o planejamento da cidade à nova realidade climática e urbana.

“O cenário mudou. Hoje lidamos com chuvas mais intensas em menos tempo e com uma cidade mais impermeabilizada. Atualizar o Plano é essencial para antecipar soluções e reduzir riscos”, destaca Jamur.

As intervenções são coordenadas pelo Departamento de Pontes e Drenagem da Smop e integram o PRO Curitiba, programa que prevê mais de R$ 6 bilhões em investimentos entre 2025 e 2028.

Políticas públicas integradas

A Prefeitura também investe em políticas públicas integradas, como ampliação de áreas verdes, recuperação ambiental, mobilidade sustentável e redução da emissão de gases de efeito estufa.

Entre as iniciativas estão o Bairro Novo da Caximba, o programa Meio Milhão de Árvores para Curitiba, a Reserva Hídrica do Futuro, o Plano de Adaptação e Mitigação das Mudanças Climáticas de Curitiba (PlanClima) e a modernização do transporte coletivo, com projetos como o Inter 2 e o BRT.

Parques 

Com 52 parques e bosques públicos espalhados por diferentes regiões, Curitiba também utiliza áreas verdes como parte da estratégia de adaptação climática. Esses espaços funcionam como áreas de retenção natural da água e ajudam a preservar os recursos naturais e a reduzir os riscos de inundação. Ao mesmo tempo, contribuem para evitar novas ocupações irregulares em áreas vulneráveis.

Moradia e recuperação de áreas

A política habitacional também integra a estratégia de prevenção e recuperação urbana. Por meio da Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), a Prefeitura busca ampliar o acesso a moradias dignas e, ao mesmo tempo, promover a recuperação de áreas ambientalmente vulneráveis.

Pequenas atitudes também ajudam

A prevenção também começa em casa. Cuidados simples podem evitar prejuízos, proteger pessoas e colaborar para que a cidade enfrente melhor os períodos de chuva intensa.

Entre as principais recomendações estão:

  • Limpar calhas, ralos e condutores de água. Folhas, galhos e lixo acumulados dificultam o escoamento e podem provocar infiltrações e alagamentos;
  • Não jogar lixo em ruas, terrenos baldios ou rios. Resíduos podem entupir bueiros e galerias pluviais e aumentar o risco de alagamentos;
  • Preservar os rios, evitando o descarte de resíduos e denunciando casos de descarte irregular pelo telefone 156 ou pelo 153, da Guarda Municipal;
  • Manter desobstruídos os bueiros próximos às residências e comunicar à Prefeitura, pelo 156, quando houver entupimentos;
  • Não construir nem realizar obras em áreas de risco, como encostas, margens de rios e fundos de vale;
  • Observar sinais de risco em encostas e muros, como rachaduras no solo, inclinação de árvores ou muros e portas que passam a emperrar;
  • Fazer a manutenção de telhados e estruturas para evitar danos provocados por ventos fortes e chuvas intensas;
  • Nunca atravessar ruas alagadas ou rios cheios, pois mesmo uma lâmina fina de água pode esconder buracos e oferecer risco de arrastamento de pessoas e veículos;
  • Acompanhar os alertas meteorológicos e da Defesa Civil para agir com antecedência;
  • Usar capa de chuva e botas adequadas para reduzir o risco de acidentes e doenças;
  • Proteger documentos e objetos importantes, mantendo-os em locais elevados ou impermeáveis, principalmente em áreas sujeitas a alagamentos;
  • Conversar com vizinhos e fortalecer a prevenção coletiva. Ações conjuntas, como mutirões de limpeza, aumentam a segurança de toda a comunidade.