Curitiba ganhará em novembro, Mês da Consciência Negra, a nova sede do Centro de Referência Afro (Creafro) Enedina Alves Marques, que passará a funcionar em um imóvel construído na primeira metade do século 20 e que está sendo restaurado e ampliado pela Prefeitura de Curitiba. Os detalhes finais da obra de recuperação e preservação do imóvel, no cruzamento das ruas Paula Gomes e Duque de Caxias, no São Francisco, foram vistoriados nesta sexta-feira (29/8) pelo prefeito Eduardo Pimentel.
A iniciativa da Prefeitura une dois propósitos: a preservação de um patrimônio arquitetônico que representa parte importante da memória urbana de Curitiba e a ampliação da atuação do Creafro, equipamento da Secretaria Municipal da Mulher e Igualdade Étnico-Racial para acolhimento, empoderamento e defesa dos direitos da população negra em Curitiba.
Na vistoria, o prefeito estava acompanhado dos secretários municipais Marli Teixeira Lima (da Mulher e Igualdade Étnico-Racial), Luiz Fernando Jamur (Obras Públicas) e Marc Sousa (Comunicação Social) e do presidente da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) Marino Galvão.
“Destacamos dois compromissos: a criação da Secretaria da Mulher e Igualdade Racial para apoiar todas as mulheres, garantir políticas de igualdade de gênero e combater o racismo e a discriminação e esta nova sede do Creafro, que será um espaço dedicado ao apoio, à profissionalização e ao cuidado de quem enfrenta qualquer tipo de preconceito”, disse Eduardo Pimentel.
"Além de ser um centro cultural acolhedor também integra nossas as ações para a revitalização do Centro”, completou o prefeito.
Imóvel tombado
Tombada como Unidade de Interesse de Preservação, a edificação foi residência da família Roskamp até os anos 1980. Depois de passar por diferentes proprietários, em 1994 tornou-se sede do Centro Cultural Luso-Brasileiro, que manteve intensa programação cultural até 2012, quando o espaço foi fechado. O imóvel foi danificado por um incêndio em 2015. Após quase uma década de abandono, em novembro de 2023, começaram as obras de restauro.
O projeto de restauro e ampliação foi elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e está sendo executado pela empresa Projete, com a coordenação da Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop), por meio do Departamento de Edificações.
Reprogramação da obra
A obra precisou ser reprogramada uma vez que a proposta inicial previa o uso do imóvel como sede de uma escola de marchetaria e mosaico. Com a redefinição do uso o projeto foi adaptado, porém, mantendo os critérios de preservação.
Luiz Fernando Jamur, secretário municipal de Obras Públicas, ressaltou que o imóvel estava deteriorado, com danos por cupins e umidade e foi necessário intervir com cuidado para preservar a essência da construção, restaurando elementos originais como esquadrias e ornamentos da fachada.
“O trabalho que está sendo realizado está preservando as principais características originais do imóvel com intervenções para manter a identidade do local e adequá-lo às exigências atuais de uso institucional, respeitando sua importância histórica e cultural”, disse Jamur.
Além de respeitar as características históricas do imóvel, explicou Jamur, o projeto exigiu adequações específicas para a nova função, como salas para atendimento psicológico e jurídico, cozinha ampla para oficinas de culinária e acessibilidade plena.
“Agora vamos poder ampliar os horários de atendimento, que hoje ficam restritos ao horário comercial. Sabemos que a população negra precisa de opções também à noite e nos finais de semana. Com essa inauguração, teremos condições de atender a comunidade afro-curitibana de forma mais ampla e acolhedora”, afirmou Marli Teixeira.
Curitiba de Volta ao Centro
O restauro de imóveis antigos com novos usos integra as estratégias do município para o redesenvolvimento da região central, dentro do projeto Curitiba de Volta ao Centro. Depois de fiscalizar a obra, o prefeito Eduardo Pimentel foi até a Rua XV de Novembro onde conversou com comerciantes e moradores da região central sobre as ações em andamento do projeto Curitiba de Volta ao Centro, que une preservação das áreas públicas, segurança reforçada, infraestrutura moderna e valorização cultural para devolver o centro da cidade aos curitibanos.
Também participaram da vistoria a administradora da Regional Matriz, Ariane Regis Silva, e as equipes técnica das secretarias municipais de Obras Públicas e Mulher e Igualdde Racial.