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Inovação pedagógica

Jornalistas Mirins participam de atividade que comemora os 25 anos do projeto

Evento acontece no Sebrae até quinta-feira (5/11). A abertura simulou um estúdio de televisão, com a transmissão de um jornal ao vivo

O secretário municipal da Educação, Paulo Schmidt, participa da comemoração dos 25 anos do projeto Jornalistas Mirins, que reúne estudantes, professores e convidados no Sebrae. Curitiba, 03/11/2026. Foto: Hully Paiva/SECOM

O palco do auditório do Sebrae, em Curitiba, transformou-se em um estúdio de televisão nesta terça-feira (3/11), para comemorar os 25 anos do projeto Jornalistas Mirins, da Secretaria Municipal da Educação (SME). Três estudantes conduziram um jornal ao vivo, com entrevistas de personagens que fizeram parte da história da iniciativa e de convidados presentes à abertura do evento comemorativo.

Criado em 2001, a partir da plataforma de jornalismo eletrônico Extra Extra, cedida à Prefeitura de Curitiba pela Agência Estado, o projeto acompanhou as transformações tecnológicas e se consolidou como uma ferramenta pedagógica que estimula a pesquisa, a comunicação e o protagonismo dos estudantes.

O secretário municipal da Educação, Paulo Schmidt, que participou da implantação do projeto há 25 anos, foi um dos entrevistados, ao lado de professores, ex-jornalistas mirins e do jornalista Rodrigo Mesquita, então presidente da Agência Estado e responsável por disponibilizar a plataforma à capital paranaense. Mesquita participou da entrevista por videoconferência.

"O Jornalistas Mirins nasceu de uma oportunidade de inovação que chegou à Rede Municipal de Ensino pelas mãos do Rodrigo Mesquita. Naquela época, a proposta de ter uma plataforma eletrônica para a produção de um jornal escolar já era algo bastante avançado. O que começou com o Extra Extra se transformou em uma história de 25 anos, que registra a trajetória da nossa rede e mostra a capacidade da educação de Curitiba de acolher boas ideias e transformá-las em projetos duradouros”, declarou Paulo Schmidt.

Segundo Mesquita, o software foi desenvolvido no Media Lab, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. A proposta era encontrar formas inovadoras de aproximar comunidades e ampliar o acesso à informação.

“Para nós, foi uma grande satisfação disponibilizar essa tecnologia a Curitiba, contribuir com a tradução do software e com a capacitação inicial da equipe. Mas a continuidade e o sucesso do projeto são mérito do Paulo e de todos os profissionais que se envolveram nessa construção. É estimulante ver como a iniciativa evoluiu ao longo desses 25 anos, acompanhando as transformações da comunicação e incorporando novas linguagens, como as matérias em vídeo, uma inovação que Curitiba implantou desde os primeiros anos”, afirmou Mesquita.

Compromisso com a inovação

Questionado se imaginava que o projeto chegaria aos 25 anos, Paulo Schmidt destacou que sempre acreditou na capacidade das escolas municipais de acolher e desenvolver boas ideias, embora não previsse que a iniciativa alcançaria uma trajetória tão longa.

“Talvez, quando começou, ninguém imaginasse que chegaria tão longe. Mas essa trajetória mostra o quanto boas ideias, quando encontram pessoas comprometidas e escolas dispostas a inovar, podem transformar a educação. O que não me surpreende é o protagonismo dos nossos estudantes. Tenho certeza de que, quando as oportunidades aparecem, nossas crianças sabem aproveitá-las”, ressaltou o secretário.

Aprendizados para a vida

O militar Bruno Coletti, ex-integrante do Jornalistas Mirins, destacou a influência do projeto em sua trajetória pessoal, especialmente no desenvolvimento da comunicação e na superação da timidez.

“O projeto teve uma influência muito grande na minha vida. A perda da timidez e a melhora na comunicação são conquistas que agradeço muito ao Jornalistas Mirins. É algo de valor imensurável para uma criança em formação. Eu diria a quem está participando do projeto hoje: aproveite ao máximo essa oportunidade, porque o tempo voa e o que ficam são as recordações e os aprendizados. Talvez algumas coisas não façam tanto sentido agora, mas, lá na frente, vocês vão olhar para trás e perceber o quanto foram importantes”, afirmou.

A atual gestora do projeto Jornalistas Mirins, a professora de Educação Infantil Emily Woucsuk, conhece o projeto pelos dois lados. Ela foi jornalista mirim durante cinco anos e atualmente estuda Jornalismo na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Como gestora, acompanha a iniciativa e contribui com orientações a professores e estudantes.

“É muito especial estar aqui hoje e poder acompanhar o projeto de outra perspectiva. O que eu gostaria que cada jornalista mirim levasse dessa experiência são as lembranças e as memórias de tudo o que viveu. São momentos muito ricos, que vão marcar a trajetória de vocês e dos quais certamente vão se lembrar com carinho no futuro”, disse aos estudantes.

Experiências que ampliam horizontes

O professor Fernando Ribas, da Escola Municipal Francisco Frischmann, ressaltou como o trabalho desenvolvido pelo Jornalistas Mirins proporciona experiências que ampliam os horizontes dos estudantes e vão além da produção de notícias.

Uma das mais marcantes, segundo ele, foi a participação dos alunos na cobertura da visita de uma equipe da emissora japonesa NHK, que esteve em Curitiba para produzir um documentário sobre as capivaras. Os estudantes acompanharam o trabalho dos jornalistas e tiveram a oportunidade de conversar com os profissionais.

A preparação envolveu pesquisas não apenas sobre os animais, mas também sobre a cultura japonesa, para que as crianças estivessem familiarizadas com os costumes dos visitantes.

“Um dos alunos comentou: ‘Nossa, professor, vocês têm noção de que a gente vai conhecer pessoas de outro continente?’. Aquilo me marcou muito. Trabalhamos em uma região periférica e proporcionar uma experiência como essa aos nossos estudantes não tem preço”, destacou Fernando.

Programação

Antes da “transmissão ao vivo”, os convidados puderam acompanhar a apresentação do grupo musical da Escola Municipal Elza Lerner, com instrumentos de percussão e flautas doce.

Até quinta-feira (5/11), é possível acompanhar no Sebrae (Rua Cyro Vellozo, 59 - Prado Velho) uma exposição interativa por meio de tablets, com produções desenvolvidas pelos estudantes que participam do projeto. Também está disponível uma mostra dos Faróis do Saber e Inovação e exposição de trabalhos dos professores da Rede inscritos no Oscar Criativo.