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Copa 2014

Jogo de quinta-feira anima argelinos e russos radicados em Curitiba

Partida será nesta quinta-feira (26) no Estádio da Arena

Argelinos e russos se enfrentam no último jogo em Curitiba. -Na imagem, o franco-argelino Madiba Toufik Hugo Mandela. Curitiba, 09/06/2014 Foto: Maurilio Cheli/SMCS

Quando Argélia e Rússia pisarem o gramado da Arena da Baixada, nesta quinta-feira (26), Curitiba começará a se despedir da Copa e Samira Khelili vai viver emoções diferentes. Uma das poucas descendentes de argelinos na cidade paranaense, a paulistana radicada na cidade há 30 anos é filha de Mohamed Khelili, cônsul-comercial do país africano no Brasil, nos anos 60.

“Estamos muito empolgados de acompanhar nosso país tão de perto, ainda mais no estádio do nosso time”, comemora a atleticana Samira, que vai ao estádio com os três filhos, a convite da Federação Argelina de Futebol.

Outro representante da colônia é o franco-argelino Madiba Toufik Hugo Mandela, intercambista da UFPR. Há um ano e meio em Curitiba, o filho de mãe argelina e pai francês nasceu em Lyon, na França, e está animado para o jogo com os russos. “O país está recrutando torcedores e eu já entrei em contato com o governo da Argélia para garantir meu ingresso”. Muçulmano, como a maioria da população argelina, ele usa a túnica tradicional para ir aos bares que gosta, no Largo da Ordem. A peça é única, larga e de mangas compridas. “É uma roupa boa para camuflar as minhas tatuagens, principalmente quando estou na mesquita”, conta sobre os vários desenhos que cobrem o corpo.

Do outro lado desse duelo estará a professora de russo do Centro de Línguas da UFPR Elvira Kim. Nascida na gelada Sibéria, ela mora em Curitiba há 12 anos e é mãe da adolescente Sofia, fruto do casamento com um brasileiro que conheceu na universidade, em Moscou. Na casa onde mora, no bairro Vista Alegre, a Rússia está muito presente. “Aqui a gente conversa e lê em russo, para manter as tradições”. A decoração é cheia de matriochkas, símbolos de artesanato feitos em madeira representando figuras femininas, e bules e peças de enfeite de porcelana com tintura azul.

Em Curitiba a colônia é pequena, com cerca de 30 representantes, que fazem reuniões anuais. “A maioria dos descendentes está concentrada em Witmarsum e Ponta Grossa. Os encontros acontecem na Páscoa e em 9 de maio, dia da vitória na Segunda Guerra Mundial”, explica a professora. Nessas festas não podem faltar as comidas típicas. “Gostamos de borscht, aquela sopa escura que se come fria, holodets, uma geleia feita com queijo de porco, mocotó, galinha e carne de boi e sopa de cogumelo”, conta Elvira, desafiando paladares mais desconfiados.

Torcida

Enquanto Elvira não apostaria seus rublos na seleção comandada pelo italiano Fabio Capello, ao dizer que “como nosso time não é grande coisa, vamos torcer pelo Brasil mesmo”, Madiba e Samira estão mais confiantes. E eles têm motivos para isso, afinal, a Argélia só precisa de um empate para conseguir uma histórica classificação para as oitavas-de-final. “Se eles passarem de fase eu vou correr o Brasil para acompanhar. Na Argélia todos são loucos por futebol”, conta Samira.

“Acho que a França vai ser campeã, mas já estou muito feliz por a Argélia ter feito gols e vencido, o que não acontecia desde 1982, quando ganhamos da Alemanha”, comemora o estudante, que sonha em ser rapper. “Anotem meu nome, estou gravando um DVD que vai bombar na França e ainda vou ser muito famoso”. Nesse clima de paz da Copa, com adversários torcendo lado a lado, só resta desejar boa sorte. Em russo mesmo. Udatchi, Madiba. Udtachi, Rússia e udatchi Argélia.

Clique aqui e veja a reportagem Uma russa em Curitiba.

Clique aqui e veja a reportagem Uma argelina em Curitiba.