A qualificação dos dados do déficit habitacional de Curitiba foi o tema da apresentação da equipe do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) na rodada de boas práticas do XII Encontro da Rede Nacional de Institutos de Planejamento Urbano (InRede), em Maceió (AL). A partir da adaptação da metodologia da Fundação João Pinheiro, de Minas Gerais, os técnicos da Diretoria de Informações do Ippuc demonstraram como o dado se manifesta no território, identificando as principais formas de falta de acesso à moradia em cada região da cidade.
O estudo realizado pela Diretoria de Informações e o Hipervisor Urbano, do Ippuc, mapeou a distribuição das quase 35 mil famílias impactadas pela falta de moradia adequada em Curitiba. Os dados foram apresentados pela arquiteta e urbanista Mônica Máximo da Silva, diretora da área, e pelo engenheiro cartógrafo Artur Furtado Filhos, coordenador de Geoinformação.
Conforme o estudo, realizado a partir da base de dados do CadÚnico, a principal razão do déficit em Curitiba é o alto custo do aluguel, que corresponde a 88% do total de famílias impactadas. A habitação precária – seja por improvisação ou inadequação das construções – responde por 10%.
“A qualificação dos dados nos ajuda na elaboração de políticas públicas mais assertivas e customizadas, adequadas à realidade dos territórios”, avalia Mônica.
Durante a tarde de quinta-feira (12/3), foram apresentadas boas práticas em diferentes temas de discussão. Curitiba fez parte da rodada sobre Inteligência Territorial e Dados Urbanos, que também apresentou o Observatório da Cidade de Maceió e o uso de dados para intervenção em territórios sociais, no Rio de Janeiro.
Na temática Paisagens Periféricas e Territórios Vivos, Maceió trouxe as ações nas grotas – áreas de ocupação irregular no município. Niterói (RJ) demonstrou os resultados da renaturalização da região oceânica e Fortaleza (CE) apresentou os impactos da reparação das áreas de zonamento especial de interesse social (Zeis).
A última rodada do dia abordou iniciativas de parcerias público privadas (PPPs) e a transformação da paisagem urbana em Recife, São Paulo e Niterói. Nas três cidades, as prefeituras investiram em modelagem de parcerias com a iniciativa privada para a recuperação da região central, como a subvenção para obras de revitalização, em São Paulo; fundo de investimento imobiliário em Niterói e concessões de imóveis para retrofit e locação social, em Recife.