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Acolhimento

FAS amplia apoio financeiro e dobra número de vagas para manter pessoas idosas junto à família

O Programa Acolhimento Familiar para Pessoa Idosa aumentou a bolsa-auxílio de R$ 998 para R$ 1.518 por idoso atendido

Programa Acolhimento Familiar para Pessoa Idosa. Na imagem, Eliziane Ribeiro Pontes e Juraci de Aquino Pontes. Curitiba, 23/10/2026. Foto: Divulgação.

Aos 75 anos, Juracy de Aquino Pontes encontra na filha, Eliziane Ribeiro Pontes, 54 anos, o apoio de que precisa para enfrentar os desafios de saúde e continuar vivendo em sua própria casa, no CIC, em Curitiba. Depois de trabalhar durante anos como auxiliar de enfermagem e de uma vida dedicada também aos cuidados dos pais, ela passou a depender de ajuda constante. A filha deixou o emprego como doméstica para cuidar da mãe.

A família encontrou no Programa Acolhimento Familiar para Pessoa Idosa, da Fundação de Ação Social (FAS), um apoio importante para manter essa rotina de cuidados. Desde junho deste ano, a família recebe uma bolsa-auxílio ofertada pelo programa que ajuda a custear despesas com fraldas, medicamentos e outras necessidades pessoais.

“Se não tivesse essa bolsa, não sei como seria nossa vida”, conta Eliziane, que procurou o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) no ano passado em busca de ajuda para a mãe e conheceu o programa. A aposentadoria por invalidez de dona Juracy, no valor de um salário mínimo, não era suficiente para cobrir todas as despesas da família e de saúde.

Natural de Arapoti, nos Campos Gerais, dona Juracy vive em Curitiba há mais de 60 anos. Trabalhou durante muitos anos em hospitais da capital e da Região Metropolitana. Um acidente durante o transporte de um paciente deixou sequelas na perna direita, que mais tarde fez com que ela precisasse se aposentar por invalidez. Há um ano ela usa cadeiras de rodas e há três perdeu a visão.

Cuidado e convivência em família

Em dezembro de 2025, a FAS dobrou a capacidade do programa, que passou de 50 para até 100 pessoas idosas atendidas por mês. Outra mudança foi o aumento da bolsa-auxílio, de R$ 998 para R$ 1.518 mensais por pessoa idosa. As duas medidas ampliam o apoio às famílias que assumem os cuidados de parentes ou pessoas próximas em situação de vulnerabilidade.

Para o presidente da FAS, Renan de Oliveira Rodrigues, o programa é uma estratégia para evitar que a institucionalização seja a única alternativa para pessoas idosas que precisam de proteção e cuidados.

“Nosso compromisso é buscar alternativas para que as pessoas idosas permaneçam junto de suas famílias, com dignidade, segurança e qualidade de vida. Sabemos que cuidar de alguém que precisa de atenção constante exige tempo, dedicação e recursos. Por isso, ampliar as vagas e o valor da bolsa é também reconhecer o esforço dessas famílias e oferecer condições para que esse cuidado aconteça em casa”, afirma Renan.

O Programa Acolhimento Familiar para Pessoa Idosa tem como objetivo prioritário atender pessoas com 60 anos ou mais que saem de instituições de longa permanência ou que precisam de acolhimento institucional como medida de proteção, desde que tenham um familiar ou alguém de seu convívio disposto a assumir os cuidados em casa.

O acolhimento pode ser feito por integrantes da família de origem, como filhos, irmãos e outros parentes, ou da família extensa, que inclui parentes próximos e pessoas com quem a pessoa idosa tenha vínculos de afinidade e afeto. Assim o programa busca fortalecer os laços que já existem na vida da pessoa idosa.

O diretor de Proteção Social Especial da FAS, Jefferson Portugal Marchiorato, responsável pela gestão do programa, destaca que o apoio financeiro integra um conjunto de ações para garantir a permanência da pessoa idosa no ambiente familiar.

“A bolsa contribui para as despesas relacionadas ao cuidado, mas o trabalho também envolve acompanhamento social e de saúde, com orientações às famílias e avaliação das condições da pessoa idosa. É um atendimento que precisa considerar as necessidades de cada família e garantir que o cuidado seja realizado de forma adequada”, explica Jefferson.

Como funciona

O Programa Acolhimento Familiar para Pessoa Idosa foi instituído por lei em 2022 e começou a ser executado no ano seguinte. A gestão é compartilhada entre a FAS e a Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

A bolsa-auxílio deve ser usada nas despesas relacionadas às necessidades da pessoa idosa, como alimentação, fraldas geriátricas, itens de higiene, medicamentos e insumos não fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), transporte para consultas e tratamentos e outros gastos associados ao cuidado. O uso dos recursos é orientado e acompanhado pelas equipes responsáveis.

O atendimento pode durar até 24 meses, com avaliações semestrais e acompanhamento do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e da Unidade de Saúde.

Para solicitar o serviço, a família deve procurar o Creas da região onde mora a pessoa que ficará responsável pelos cuidados. Também podem ocorrer encaminhamentos por outros serviços da rede de proteção. A inclusão depende da avaliação social da FAS, do parecer favorável da Saúde e da disponibilidade de vaga.