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Mais vagas

Famílias comemoram vagas na educação integral com transição do 6º ao 9º ano para escolas estaduais

Curitiba tem um dos maiores índices de oferta de educação em tempo integral nos anos iniciais do Ensino Fundamental e vai ampliar ainda mais o atendimento

Rosângela Dolatta, avó de estudante da Escola Municipal Herley Mehl, comemora a abertura de vagas para a educação integral. Curitiba, 6/11/2026. Foto: Ricardo Marajó/SECOM

Texto: Quitéria Brevilheri
Prefeitura de Curitiba

Com 60 anos de história, a Escola Municipal Herley Mehl, no Pilarzinho, vai abrir, em 2027, novas turmas de ensino integral para o 3º ano do Ensino Fundamental. Até este ano, a unidade atendia apenas pré-escola e 1º e 2º anos em tempo integral. A ampliação será viabilizada pela maior disponibilidade de salas de aula, resultado da transferência gradual da oferta dos anos finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) da rede municipal para a estadual.

A novidade é comemorada pelas famílias beneficiadas com a medida. É o caso de Cheiza Preto Cardoso, mãe de Mirela, de 8 anos, estudante do 2º ano em período integral. A menina frequenta a escola desde o 1º ano e poderá continuar mais tempo na escola no próximo ano.

Mirela já estava acostumada à rotina de período integral desde a Educação Infantil, quando frequentava o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI). Para a mãe, a continuidade desse atendimento faz diferença na vida escolar da filha, especialmente pelo acompanhamento individualizado oferecido pelos profissionais.

“Eu gosto muito daqui porque os pedagogos e os professores se importam com o desenvolvimento do estudante. Eles têm essa preocupação de acompanhar cada fase, saber em que momento a criança está e como está avançando. Aqui, a criança não é só mais um número. Ela é vista como indivíduo”, destaca Cheiza.

A mãe também conta que a escola acompanha de perto as necessidades de Mirela, inclusive com encaminhamentos para avaliações especializadas quando necessário. A experiência positiva não é recente: seu filho mais velho, Samuel, de 16 anos, também estudou na Herley Mehl.

Cheiza reconhece que sentirá falta da rotina da escola quando a filha chegar ao 6º ano e precisar seguir para uma escola estadual, mas considera a mudança uma etapa natural do desenvolvimento. “A criança do 6º ano já tem que ter mais autonomia e independência. É um mundo novo para desbravar, fazer amigos e ter uma rotina diferente. Acho que ela tem capacidade de se inserir tranquilamente nessa nova realidade”, avalia.

Para ela, a integração entre as redes municipal e estadual contribui para essa continuidade. “A Prefeitura e o Estado estão conversando muito mais, os sistemas se comunicam. Existe uma preparação para que a criança tenha esse suporte na mudança”, observa.

Tranquilidade para as famílias

A ampliação das vagas também representa mais tranquilidade para quem precisa conciliar o trabalho com os cuidados dos filhos. Foi o destaque de Deyse Gabriel, mãe da estudante Marcela.

“A ampliação do integral para 2027 caiu feito uma luva. Nós trabalhamos o dia todo e não temos como pagar um contraturno. É a melhor opção para o desenvolvimento da criança e afasta um pouco das telas. Além disso, estar com outras crianças é vida”, declarou Deyse.

Rosângela Dolatta, avó de três estudantes nessa mesma fase do ensino fundamental, destaca a segurança de saber que os netos passam o dia na escola, bem cuidados e alimentados.

“É uma tranquilidade saber que a gente pode estar trabalhando e que eles estão dentro da escola. A criança fica o dia inteiro, a gente deixa de manhã e busca depois. Sabe que está sendo bem-cuidada, alimentada e participando das atividades”, afirma.

Rosângela conta que os netos gostam muito da escola e que a família percebeu avanços na aprendizagem, especialmente na leitura e nas atividades escolares.

A avó também considera adequada a transição dos estudantes dos anos finais para a Rede Estadual. Na avaliação dela, a mudança acompanha uma nova fase de amadurecimento das crianças e permite que a Rede Municipal amplie o atendimento às famílias que mais precisam do período integral.

“Uma criança do 6º ano já tem mais independência. É diferente de uma criança de 8 anos, que ainda precisa de mais acompanhamento. A ampliação das vagas ajuda justamente as famílias que trabalham fora e precisam saber que os filhos estão bem cuidados durante todo o dia”, explica.

Ampliação da educação integral

Curitiba já oferece educação em tempo integral para 38,5% dos estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental, acima do percentual de matrículas em tempo integral nas redes municipais de educação do país, que é de 22,3%.

Em 2017, esse percentual em Curitiba era de 23,9%, aumento de 14,6 pontos percentuais, que representa 61,1% de ampliação da modalidade nas escolas municipais. A Prefeitura pretende ampliar ainda mais a oferta, criando oportunidades para que mais crianças tenham acesso a uma jornada escolar ampliada.

Reorganização

A reorganização gradual dos anos finais do Ensino Fundamental, planejada em regime de colaboração com o Governo do Estado, será realizada ao longo de quatro anos. A medida permite ampliar progressivamente as vagas de educação integral nos anos iniciais, mantendo o planejamento da continuidade da trajetória escolar dos estudantes na Rede Estadual.

Em 2027, serão abertas 1.000 vagas de educação integral nas 11 escolas envolvidas na transição. Também será possível ampliar projetos de inclusão e ampliar a oferta de vagas na educação infantil.