Ao observar o filho pelo muro da escola, durante uma aula de educação física, a mãe Iris Ramos Volga ficou encantada ao perceber como o pequeno Miguel Ramos Uaska, de 4 anos, era capaz de participar das mesmas atividades que os colegas. Mesmo com uma má formação na espinha dorsal que o impede de andar, o garoto completou um circuito repleto de obstáculos apresentado à turma de pré da Escola Municipal Professor Ricardo Krieger, no Boa Vista. Isso graças ao empenho do professor Diogo Comin, que adaptou as tarefas para o pequeno.
A escola Ricardo Krieger tem como princípio que cada estudante é responsabilidade de todos. “O sucesso da proposta de inclusão decorre da adequação do processo escolar voltado para a diversidade dos meninos e meninas que frequentam a unidade”, explicou a diretora da unidade, Nilza dos Anjos Ferreira.
A cena, como descreveu a mãe, não se tratava de milagre, mas de uma linda lição de inclusão, ensinada com sensibilidade, respeito e sabedoria pelo professor Diogo. “Enquanto eu imaginava como o Miguel poderia ser capaz de cumprir aquele trajeto, cheio de cones, ele o ergueu, com cadeira de rodas e tudo, e garantiu que meu filho sentisse a mesma emoção que as demais crianças sentiram ao completar o percurso e vencer o desafio”, contou Iris.
Testemunhar a alegria do filho durante a aula e a valorização dada ao menino pelo professor teve tanto impacto na vida de Iris que ela decidiu usar uma rede social para divulgar o vídeo daquele momento que, segundo ela, foi um dos mais felizes na vida do filho.
O objetivo era apenas homenagear e agradecer Diogo, porém, sem imaginar a repercussão que teria, Iris promoveu uma corrente de solidariedade e apoio às ações de inclusão que já rendeu mais de 5 milhões de visualizações, 45 mil curtidas e mais de 90 mil compartilhamentos desde a data da postagem, em 22 de junho.
Modelo
Pessoas de diversos países comentaram, elogiaram e buscaram informações sobre o trabalho de inclusão desenvolvido na escola. São mensagens de Portugal, França, Espanha, Guatemala e várias cidades brasileiras que estão comovendo tanto a família quanto a equipe da unidade.
“São mães, professores e cidadãos que reconhecem meu sentimento de gratidão pelo professor, pela escola, porque inclusão deveria ser tratada com a mesma naturalidade que o professor Diogo trata, mas a realidade não é esta. Acredito que isso fez com que a postagem ganhasse essa dimensão”, explica Iris.
“Minha eterna gratidão por fazerem a diferença na vida do meu filho. Depois de muito buscar um ensino justo e sem preconceito, posso afirmar que, nesta escola, meu filho é tratado como igual”, disse Iris.
Para o professor, a proporção que a publicação tomou foi uma grande surpresa. “Cada estudante deve ser valorizado e reconhecido pelos colegas, professores e por si próprio como um integrante do grupo, aceitando as regras, assim como o grupo precisa aceitar as limitações de cada colega e do conjunto”, ensinou Diogo.
Rede colaborativa
Na Escola Municipal Ricardo Krieger o trabalho do professor Diogo Comin é reflexo do pensamento e do trabalho coletivo da Secretaria da Educação e de uma rede de profissionais que atuam no atendimento e formação dos estudantes.
Atitudes inclusivas que fortalecem o acesso e a permanência das crianças e estudantes estão presentes nesta e todas as unidades da rede municipal de ensino com o objetivo da promoção da autonomia e desenvolvimento educacional e social. Atualmente a rede conta com 2.236 crianças e estudantes em inclusão, em turmas de educação infantil e do ensino fundamental.
Uma das prioridades da Secretaria Municipal da Educação (SME) é trabalhar para que todos sejam atendidos em suas especificidades, incluindo no processo de escolarização ações voltadas à promoção do desenvolvimento e a participação efetiva dos estudantes com deficiência. Estas ações estão em expansão desde 2017.
“Nosso trabalho busca a oferta da aprendizagem de forma ampla e colaborativa, oferecendo oportunidades para todos e estratégias diferentes para cada um, de modo que todos possam desenvolver seu potencial”, destaca a superintendente de Gestão educacional, Elisângela Iargas Mantagute.
Pelo “Programa Direito Inclusivo Assegurado”, a Secretaria Municipal da Educação conta agora com presença de profissionais de apoio (acadêmicos do cursos de pedagogia e psicologia), que auxiliam crianças e estudantes em questões que envolvem aspectos de higiene, alimentação, locomoção e algumas atividades escolares, sob a orientação do professor regente.
Além disso, todos os profissionais que atuam com a educação no município também recebem formação continuada com especialistas da área, apoio dos professores especializados das salas de Recursos Multifuncionais e o acompanhamento de profissionais especializados, tanto das equipes da SME, bem como pela equipe diretiva da unidade onde atuam.