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Renascimento

Depois de 8 anos na rua, acolhida de comunidade terapêutica comemora aniversário em Curitiba

Ela é a mulher que, em janeiro, comoveu a opinião pública ao ser internada involuntariamente para tratamento da dependência química

Acolhida desde março, Kelly comemorou os 39 anos após oito anos vivendo nas ruas de Curitiba. Curitiba, 28/08/2026. Foto: Hully Paiva/SECOM

Texto: Cláudia Gabardo
Prefeitura de Curitiba

Oito anos depois de vagar pelas ruas de Curitiba usando drogas ilícitas, Kelly voltou a comemorar seu aniversário. Faz pouco menos de 2 meses, na comunidade terapêutica para onde aceitou ir e é seu endereço desde março, que ela celebrou a chegada dos 39 anos, com direito a bolo e o Parabéns pra Você, cantado pelas colegas de internamento e pela equipe local.

Kelly é a mulher que, em janeiro, comoveu a opinião pública ao ser internada involuntariamente para tratamento da dependência química. Muito magra, suja, alterada e vagando no meio do trânsito da Avenida das Torres, no Jardim Botânico, foi a primeira a ser internada de acordo com a Portaria Conjunta nº 2, publicada em dezembro passado. A ação foi conduzida por equipes da Secretaria Municipal da Saúde, Fundação de Ação Social (FAS) e Guarda Municipal. 


Situação dramática

“Ela estava em risco e pondo terceiros em risco. Não podíamos simplesmente ficar torcendo para que ela procurasse ajuda”, relembra o secretário municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH), Carlos Eduardo Pijak Júnior. Ao lado da secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, e do presidente da Fundação de Ação Social (FAS), Renan Rodrigues, Pijak visitou o serviço de acolhimento para ver de perto o resultado do trabalho interesetorial feito pela Prefeitura para livrar pessoas da dependência química.

Depois do tratamento, Kelly aceitou ir para a comunidade. Na época do internamento, reconhece, estava sem condições de fazer escolhas e era uma ameaça ambulante. 

“Se eu tivesse continuado na rua, podia ter acontecido algo pior comigo: a prisão ou uma overdose. Agora, tenho esperança e fé no futuro”, diz Kelly.

Mudança radical

Dez meses entre internamento para estabilização psíquica e acolhimento rumo à reabilitação, a acolhida em nada lembra a pessoa que se tornou em tão pouco tempo. Ganhou peso, usa maquiagem suave, recebe visitas com beijos e abraços e faz artesanato. “Isso aqui vai ser um trilho de mesa”, contou, mostrando o crochê em execução.

Para a gerente de Cuidado e Reinserção Social do Departamento de Política sobre Drogas da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano (SMDH), Maria Amélia Natel Kugler Mendes, a evolução é animadora. 

“É um avanço e tanto para quem chegou aqui tendo que reaprender regras básicas de convivência, como usar o vaso sanitário e escovar os dentes”, compara a técnica, que acompanha a evolução de cada pessoa em situação de dependência química enviada pela Prefeitura à rede conveniada de comunidades terapêuticas.

Objetivos e incentivo

A família, revela Kelly, funciona como incentivo para perseverar no objetivo de permanecer na comunidade terapêutica até o último dia de acolhimento – o que deve ocorrer após da virada de ano. “Vou ficar aqui até quando der e, então, morar com meu irmão e meu filho mais velho. Também quero me reaproximar dos meus outros dois filhos”, planeja.

Para o gestor do serviço de acolhimento, o apoio familiar é fundamental na evolução da colhida. “É uma família muito presente e amorosa, que não se desinteressou dela mesmo nos dias mais difíceis e já esteve várias vezes aqui. Ela percebe esse amor e quer devolver”, explica.

Agora com documentos e cadastrada para receber benefícios sociais como o Bolsa Família, Kelly faz planos. Entre os objetivos está levar o filho mais velho para comer em uma famosa lanchonete e poupar para comprar os móveis de que vai precisar na casa do irmão.